R.B. 27/ABR/20 "Poderia entrar para a história, mas preferiu se juntar ao lodo"



"Poderia entrar para a história, mas preferiu se juntar ao lodo"

São Paulo, 27 de abril de 2020 (SEGUNDA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, acompanhando a melhora do “humor” nas principais bolsas mundiais, beneficiada pela valorização das commodities e aliviada com a manutenção, ao menos até agora, de Paulo Guedes no ministério da economia e (2) o DÓLAR pode cair, em um “ajuste técnico” após fechar o pregão anterior registrando a maior alta diária desde 18/MAR/20, seguindo a trajetória internacional da moeda norte-americana e aliviado com a redução das tensões na bolsa tupiniquim.

Sexta-feira, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu -5,4%, desprezando o movimento ascendente das bolsas de NY, 100% prejudicada pelo pedido de demissão do brilhante Sergio Moro, que de bastião moral do governo Bolsonaro passou a ser seu mais poderoso algoz após acusar o presidente de interferir politicamente nos trabalhos da Polícia Federal e (2) o DÓLAR subiu 2,5% à R$ 5,66, para fechar o dia em um novo recorde histórico de alta, mesmo após 8 leilões de venda do BC, impulsionado pelo mesmo motivo que derrubou a bolsa tupiniquim.

Também sexta-feira, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão -0,9% e China -1,1%, seguindo as perdas das principais bolsas mundiais no dia anterior, influenciadas por dúvidas sobre a eficácia de um novo tratamento para o coronavírus, (2) da EUROPA, Inglaterra -1,3%, França -1,3% e Alemanha -1,7%, prejudicada pela divulgação de indicadores que continuam a mostrar os impactos econômicos ruins da pandemia de coronavírus, como as vendas no varejo do Reino Unido que recuaram -5,1% em MAR/20 na comparação com FEV/20 e o índice alemão de sentimento das empresas que caiu de 85,9ppts em MAR/20 para 74,3pts em ABR/20, atingindo assim a nova mínima histórica e (3) dos EUA, recuperando perdas recentes, S&P 1,4%, DJ 1,1% e NASDAQ 1,7%, animadas pela assinatura de mais estímulos fiscais para fazer frente aos efeitos do coronavírus e pelas sinalizações de possíveis ajudas para setores como o aéreo e o de energia.

Jogando o liberalismo às favas, Steven Mnuchin, secretário do Tesouro dos EUA, afirmou que a compra da participação em petroleiras é uma das opções consideradas pelo governo norte-americano para ajudar essas empresas a lidarem com os impactos do coronavírus e com a queda na demanda.

Mostrando que os gringos estão fugindo do Brasil, (1) o economista Pedro Tuesta, responsável pela América Latina na Continuum Economics, são cada dia maiores as preocupações de permanência do ministro da Economia, Paulo Guedes, no cargo, (2) estrategistas do Citi afirmam estar pessimistas com o real, ressaltando que a moeda brasileira ainda é prejudicada pela expectativa de queda mais intensa dos juros tupiniquins e (3) o UBS avalia que Bolsonaro está se distanciando dos pilares de seu governo, inclusive a agenda liberal e que os eventos recentes aumentam a chance de pedidos de impeachment.

Com a saída de Sergio Moro do ministério da Justiça, a atenção do mercado se volta para outro pilar de primeira hora do governo Bolsonaro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, tem se mantido em silêncio desde que um plano de investimentos públicos, capitaneado pela ala militar, foi anunciado esta semana no Palácio do Planalto, sem sua presença.

Apresentando os efeitos nefastos da quarentena prolongada na economia tupiniquim, (1) 1/3 das famílias brasileiras com renda mais baixa, que são aquelas que ganham até R$ 1 mil, já tem uma pessoa desempregada em casa por conta do coronavírus e (2) 40% dos bares e restaurantes de SP podem fechar as portas em definitivo até o término da crise de coronavírus, segundo estimativas da Associação de Bares e Restaurantes.

Contrariando a opinião da ala militar do governo Bolsonaro, Ilan Goldfajn, ex-presidente do BC, afirmou que o país flerta com o voluntarismo ao anunciar planos de investimento em obras públicas, quando neste momento deveria focar todos os esforços no socorro aos mais vulneráveis à crise atual do coronavírus.

Apesar de nominalmente o dólar, cotado a R$ 5,66 em 24/ABR/20, estar no maior patamar da história, quando corrigida pela inflação a moeda norte-americana, que por conta da primeira vitória eleitoral de Lula chegou R$ 3,99 em 10/OUT/02, deveria bater R$ 7,86 para atingir seu recorde histórico.

Como reflexo da falta de capacidade técnica do brasileiro e também da derrocada moral do governo Bolsonaro, a Boeing, gigante norte-americana de aviação, decidiu cancelar a compra da área de avião civil da Embraer por US$ 4,2bi.

Ainda imune a crise do coronavírus, o volume de cargas movimentadas no Porto de Santos bateu a marca de 31,6 milhões de toneladas no primeiro trimestre deste ano, batendo o recorde anterior, de 30 milhões de toneladas, registrado em 2018, e auferindo um crescimento de 2,5% na comparação com o mesmo período em 2019.

-    A Gilead Sciences recuou -7,8% na bolsa de Londres, após notícia sobre o fracasso de um medicamento da companhia em testes para tratamento de coronavírus.
-    A Boeing caiu - 6,4% na bolsa de NY, prejudicada por notícias de que poderá atrasar a retomada da produção do modelo 737 Max até o fim do verão no Hemisfério Norte.
-    O Facebook subiu 2,7% na bolsa de NY, após a Justiça norte-americana aprovar um acordo judicial de US$ 5bi com reguladores do país por violações de privacidade.

Política:

A decisão de Bolsonaro de demitir o chefe da PF para proteger seus filhos bandidos foi apenas mais uma “bola nas costas” que ele deu em Sergio Moro, antes disto o referido presidente tupiniquim já tinha (1) retirado o COAF do ministério da justiça, (2) sancionado o juiz de garantias, (3) limitado as delações premiadas, (4) aprovado a lei de abuso de autoridade, (5) aceitado o desvirtuamento do pacote anticrime, (6) nomeado o petista Augusto Aras para a PGR, (7) ameaçado tirar a segurança pública do ministério e (8) nomeado um aliado de Toffoli para a AGU.

Com todos os seus ministros ao lado, inclusive Paulo Guedes que estava de meias, sem terno e de máscara, Bolsonaro, sem ter como se defender das acusações do Sergio Moro, falou do filho pegador, das supostas economias que faz com comida e aquecimento da piscina do Palácio do Planalto e que está lutando contra o sistema para tentar explicar os motivos para a substituição de Mauricio Valeixo no comando da PF e para a suspensão da "carta branca" que havia concedido ao seu agora ex-ministro para atraí-lo ao governo, em NOV/18.

Restando à Bolsonaro apenas o apoio de bolsominios fanáticos, assim como Lula tem seus petistas adestrados, para evitar o impeachment o presidente já e movimenta para se aliar aos bandidos do centrão, atraindo apoio, obviamente em troca de cargos e verbas públicas, de canalhas como Roberto Jeferson, do PDT, Marcos Pereira, do Republicanos, Valdemar Costa Neto, do PL e Kassab, do PSD.

Ascendendo o pavio do impeachment, Celso de Mello, ministro e decano do STF, determinou que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que delibere sobre os 24 pedidos de impedimento de Bolsonaro já apresentados.

Corroborando com as declarações do brilhante Sergio Moro, a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba emitiu nota manifestando repúdio às noticiadas tentativas de interferência do presidente da República na Polícia Federal em investigações e de acesso a informações sigilosas, em referência às afirmações feitas pelo agora ex-ministro no pronunciamento em que ele deixou o Ministério da Justiça.

Gabriel Kanner, presidente do Instituto Brasil 200, grupo de empresários que vinha apoiando as ações do presidente Bolsonaro desde o início do seu mandato, afirmou que sentiu uma "decepção absoluta" após a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça e que o presidente perdeu sua base de apoio.

Com o aval de seus amigos e bandidos do STF e para a alegria dos bandidos, o presidente Bolsonaro indicou para o cargo de diretor-geral da Polícia Federal Alexandre Ramagem, que é bastante próximo à sua família, em especial o vereador Carlos Bolsonaro, filho 02 do presidente que é investigado por ser articulador em esquema criminoso de fake news.

Também amigo da família Bolsonaro, o ministro Jorge Oliveira, da Secretaria-Geral da Presidência, pode ser anunciado como novo Ministro da Justiça, em substituição a Sergio Moro, que pediu demissão na semana passada.

Um dos poucos governadores que ainda mantêm relação com Bolsonaro, Romeu Zema, do de MG do partido NOVO, afirmou que parte da classe política, que talvez tenha ficado sem alguns privilégios, tem batido no presidente de forma incorreta.

Dando más notícias para Bolsonaro, segundo a mais recente pesquisa do Atlas Político, (1) 57,3% dos entrevistados avaliam Sergio Moro de maneira positiva, (2) 54% dos eleitores querem o impeachment do presidente tupiniquim e (3) 64,4% desaprovaram o desempenho do presidente.  

Sem perder tempo, Augusto Aras, procurador-geral da República e petista de carteirinha, decidiu já na sexta-feira pedir ao STF a abertura de uma investigação do presidente Bolsonaro após as declarações e acusações de Sergio Moro, como o objetivo de apurar a ocorrência dos crimes de falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de justiça, corrupção passiva privilegiada, denunciação caluniosa e crime contra a honra.

Em carta aberta ao presidente Bolsonaro, a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal afirma haver uma “crise de confiança” na indicação do novo diretor-geral da corporação.

Com o apoio de bolsonaristas retardados, Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, achincalhou Regina Duarte, sua chefe e ministra da Cultura, ao publicar no Twitter que “quem nomeia esquerdistas no governo Bolsonaro deveria ter vergonha na cara, retirar-se com sua turma e tentar voltar somente em 2022 por meio do voto! Se é um recado para a atriz? Sim!”

Crítica:

A interpretação do slogan bolsonarista “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos” contraria o princípio laico do Estado e pode ser bastante dúbia, já que ninguém tem a comprovação de ter uma linha direta com o criador, porem “fazer a coisa certa sempre” é claro, simples e eficiente.

Cada dia mais parecidos com os petistas, que ou por burrice ou por cumplicidade seguem apoiando o bandido do Lula, os bolsonaristas, também pelos mesmos motivos, estão usando o bordão lulista “cadê as provas?” para atacar Sergio Moro, que também já é chamado de traidor, comunista e tucano infiltrado nas redes sociais.

Bolsonaro “poderia entrar para a história, mas preferiu se juntar ao lodo” em que estão Lula, FHC, Sarney, Dilma, Temer e Collor, se revelando uma pessoa egoísta, sem caráter e canalha, que destruiu a oportunidade de fazer um governo sério e acabou com o sonho de milhões de brasileiros para esconder os crimes de seus filhos políticos.

PAZ, amor e bons negócios;

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