R.B. 1/MAR/19 "É um péssimo negociador"



"É um péssimo negociador"

São Paulo, 1 de março de 2019 (SEXTA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve seguir em queda, mesmo após recuar -1,9% em FEV/19, em um movimento de cautela diante antes dos feriados de Carnaval, já que as crescentes dúvidas sobre o andamento da reforma da Previdência tornam a relação risco-retorno, por ora, pouco favorável e (2) o DÓLAR pode seguir em alta, mesmo após acumular uma valorização 2,6% no mês passado (a maior desde NOV/18), novamente seguindo o “humor” negativo na bolsa tupiniquim e desta vez também influenciado pelo surgimento das primeiras “apostas” de redução da taxa básica de juros da economia tupiniquim.

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu -1,8% (aos 95.584pts), prejudicada pelo recuo das commodities, influenciada pelo resultado bem abaixo do esperado da Petrobrás e pressionada por uma declaração de Bolsonaro dizendo que é possível uma redução na idade mínima para aposentadoria das mulheres e (2) o DÓLAR subiu 0,6% à R$ 3,75, recuperando terreno após fechar o pregão anterior no menor patamar em 1 semana, acompanhando a piora do “humor” na bolsa tupiniquim e seguindo a trajetória internacional da moeda norte-americana.

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão -0,8% e China -0,4%, influenciadas negativamente pela falta de acordo na reunião entre Trump e o ditador norte-coreano Kim Jong-um, (2) da EUROPA, recuperando quase todas perdas da abertura, Inglaterra -0,5%, diante da manutenção do impasse para a saída do país da União europeia, porem França 0,3% e Alemanha 0,4%, “animadas” com o resultado do PIB norte-americano e (3) dos EUA, realizando uma pequena parte dos forte lucros já acumulados no ano, de respectivamente 11,1%, 11,1% e 13,5%, S&P -0,3%, DJ -0,3% e NASDAQ -0,3%, diante da avaliação de que que o bom resultado do PIB do país pode reascender os “temores” de alta dos juros pelo FED (“BC” local).

Calando, mais uma vez, a boca dos críticos em relação ao governo Trump, no ano passado o PIB dos EUA, mesmo com quase 1 mês de paralização no governo e com a “guerra” comercial com a China, cresceu 2,9%, superando as “apostas do mercado” (2,3%) e registrando assim o melhor desempenho desde 2015.

Mostrando que a China precisa fechar logo um acordo comercial com os EUA, dados oficiais mostraram que em FEV/19 o setor manufatureiro chinês se contraiu pelo terceiro mês consecutivo, atingindo o pior patamar em quase 3 anos.

Repetindo o resultado pífio de 2017 (1,1%) e ainda -5,1% abaixo do seu topo histórico, atingido no primeiro trimestre de 2014, em 2018 a economia brasileira cresceu 1,1%, com destaque negativo para o agronegócio, que avançou apenas 0,1%, e destaque positivo para o setor de serviços, que registrou expansão de 1,3%.

Segundo uma pesquisa feita pelas câmaras de comércio da Alemanha, França, Espanha e Suécia com 447 executivos de grandes empresas, as multinacionais europeias, apesar de otimistas com o país, aguardam a aprovação da nova Previdência pelo governo Bolsonaro para definirem investimentos no Brasil.

Bem pior do que o esperado (83mil) e também aquém do auferido em JAN/18 (77,8mil), em JAN/19 a economia tupiniquim gerou em janeiro 34,3 mil vagas de emprego com carteira assinada, o que indica que o empresariado está em compasso de espera para ver se a nova Previdência é aprovada.

Para dar maior peso para a China, o comitê da MSCI Emergentes, que reúne papéis de empresas de países emergentes, anunciou que estuda uma mudança na composição do indicador, reduzindo espaço para ativos brasileiros em sua composição.

-    A BRF caiu -4,8%, após anunciar um prejuízo de R$ -2,1bi no quarto trimestre de 2018, valor 12,5 vezes pior que o esperado pelo “mercado”.
-    A HP despencou -18,1% na bolsa de NY, após divulgar balanço com vendas que frustraram a expectativa no quarto trimestre.
-    A J.C. Penney avançou 25,0% na bolsa de NY, após a loja de departamentos divulgar números que surpreenderam analistas.

Política:

Mostrando mais uma vez que “é um péssimo negociador”, já que qualquer retrocesso na proposta deveria ser uma “conquista” da base aliada e não dele, e perdendo mais uma bela oportunidade para ficar calado, já que contrariou Paulo Guedes (seu principal ministro), ontem Bolsonaro “vacilou” ao dizer que está disposto a negociar alguns pontos da reforma da Previdência.

Certamente pressionado por Bolsonaro, que tem feito uma besteira atrás da outra, Sergio Moro, ministro da Justiça, decidiu revogar a nomeação da ativista de esquerda Ilona Szabó para uma vaga de suplente no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária.

Tão totalitário e preconceituoso quando Bolsonaro, que classifica como inimigo todo mundo que não concorda com ele, ontem Haddad, poste de Lula e futuro presidiário, passou um pito na ativista Ilana Szabó, reclamando por ele ter aceitado o convite de Moro, já vergonhosamente desfeito, para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária.

Despetizando sua pasta, o que deveria acontecer com urgência em todos os demais ministérios da explanada, Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, exonerou 21 dos 27 superintendentes regionais do Ibama.

Operador de propinas dos tucanos Serra, Alckmin e Aloísio Nunes Ferreira, o ex-diretor da Dersa Paulo Preto foi condenado pela primeira vez na Lava Jato, inicialmente uma pena de 27 anos e 8 dias, sendo os 7 primeiros anos em regime fechado, por ter fraudado licitações e participado de formação de cartel em obras do trecho sul do Rodoanel e do Sistema Viário Metropolitano.

Crítica:

No começo de JAN/19 Bolsonaro era aprovado por 86% do “mercado”, na última pesquisa, feita no início desta semana e divulgada ontem, o presidente tinha 70% de aprovação, patamar este que deve seguir em queda por culpa da sua incapacidade de negociar e de ficar longe de confusões.

PAZ, amor e bons negócios;

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