R.B. 17/JAN/19 "Vírus da discórdia"



"Vírus da discórdia"

Montevidéu, 17 de janeiro de 2019 (QUINTA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve cair, realizando lucros recentes, já que acumula alta de 9,2% nos últimos 30 dias, com os investidores estão em compasso de espera, no aguardo de ações mais concretas por parte do novo governo como a apresentação dos pontos da reforma da Previdência, indicações no sentido de privatizações de estatais e ainda o novo acordo a respeito dos termos da cessão onerosa que vão definir a partilha dos recursos entre Petrobras e a União e (2) o DÓLAR pode subir, seguindo a esperada piora do “humor” na bolsa tupiniquim e influenciado pela ausência do BC na ponta vendedora, o que indica que a autorizada monetária brasileira está confortável com o atual patamar da moeda norte-americana.

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 0,4%, recuperando as perdas do pregão anterior, porém sem marcar um novo recorde histórico de alta, com destaque positivo para as ações do siderúrgico, como Usiminas (2,6%) e CSN (3,3%), acompanhando a valorização das commodities e (2) o DÓLAR subiu 0,1% à R$ 3,73, com baixo volume de negócios e acompanhando a trajetória internacional da moeda norte-americana.

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão -0,5% e China -0,1%, prejudicadas pelos temores sobre o ritmo da desaceleração da economia chinesa, num momento em que o gigante asiático tenta superar divergências comerciais com os EUA, (2) da EUROPA, sem uma tendência única, Inglaterra -0,5%, diante do aumento das incertezas políticas e em torno do processo de saída do Reino Unido da União Europeia, porem França 0,5% e Alemanha 0,4%, beneficiadas por uma visão mais favorável aos estímulos monetários externadas por diversos dirigentes do BC Europeu e (3) dos EUA, S&P 0,2%, DJ 0,6% e NASDAQ 0,2%, impulsionadas pela divulgação de bons resultados corporativos, principalmente do setor financeiro, e aliviadas com a vitória de Theresa May, primeira-ministra da Inglaterra, sobre uma moção de desconfiança movida pela oposição contra seu governo.

Revertendo, ao menos momentaneamente, uma situação que estava ficando cada dia pior, após ver negado de forma contundente (por 432 a 202) os seus planos para a saída da Inglaterra da União europeia, Theresa May, primeira ministra do Reino Unido, derrubou a moção de desconfiança movida contra ela pelo parlamento britânico.

Em defesa de seus interesses, ontem a Comissão Europeia aprovou, em votação unânime, um pacote de barreiras às importações de derivados do aço que atinge diretamente a indústria siderúrgica brasileira.

Com os gringos aumentando suas “apostas” no Brasil, na semana de 7 a 11 entraram US$ 1,3bi de recursos externos na bolsa tupiniquim, reduzindo o saldo ainda negativo acumulado no ano para apenas R$ -229mi.

Aparentando sinergias e convergências de ideias após se encontrarem pela primeira vez, Bolsonaro, presidente do Brasil, e Macri, presidente da Argentina, divulgaram uma declaração conjunta na qual se comprometeram a trabalhar para rever a tarifa externa comum do Mercosul, melhorar o acesso a mercados e avançar em facilitação de comércio e convergência regulatória.

Indicando que a justiça tupiniquim está ficando cada dia mais liberal, as empresas da indústria de cana-de-açúcar do interior de SP conseguiram na segunda instância da Justiça uma decisão liminar para suspender acordo firmado com o Ministério Público do Trabalho anterior à nova lei trabalhista e que proibia a terceirização da mão de obra na colheita.

Pessimista, em oposição ao que pensa a maioria dos seus pares, o banco canadense Scotiabank vê chance de o dólar voltar para a casa dos R$ 4,00 este ano, na medida em que Bolsonaro pode ter dificuldades em conseguir aprovar uma reforma da Previdência mais profunda.

Sugerindo o que pretende fazer na esfera federal, no “guia” para os novos governadores, elaborado pelo Tesouro Nacional, o Ministério da Economia recomendou a estados em crise financeira aumentar impostos e privatizar estatais, como forma de melhorar sua situação.

Ainda em compasso de espera, o setor de serviços, que é o que mais emprega no Brasil, registrou em NOV/18 um crescimento de apenas 0,9% na comparação com NOV/17 e ficou estável na comparação com OUT/18.

Apesar de ser especialista em energia nuclear, a companhia chinesa CGN Energy comprou, por cerca de R$ 2,9bi, 3 parques de energia renovável no Brasil que eram da empresa italiana Enel, que estão localizadas nos estados de Piauí e Bahia e já têm contratos de longo prazo firmados para fornecimento de energia.

-    O Deutsche Bank disparou 9,0% na bolsa de Frankfurt, apoiado pela notícia de que o governo alemão está trabalhando "nos bastidores" para angariar apoio para uma fusão entre ele e o Commerzbank, cujas ações avançaram 6,51%.

Política:

Com potencial para colocar bastante corrupto na cadeia, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, determinou a abertura de 19 inquéritos contra políticos com foro privilegiado com base em uma delação premiada de um investigado pela operação Carne Fraca, porem os nomes dos investigados estão sob sigilo porque as apurações vão correr sob segredo de Justiça.

Os petistas plantaram na imprensa socialista tupiniquim que a juíza Gabriela Hardt, que acompanha os processos há anos e já interrogou o criminoso no caso do sítio, não vai sentenciar Lula, com o argumento de que ela prefere esperar o sucessor de Sergio Moro, o que é uma enorme mentira e uma manobra nojenta para deslegitimá-la.

Tentando, a todo custo, espalhar o “vírus da discórdia” no novo governo, a imprensa socialista tupiniquim está “alertando e alardeando” que Bolsonaro enfrenta um lobby dos militares para que eles fiquem de fora da reforma da Previdência.

Mostrando que, após ser roubado por Lula, o contribuinte tupiniquim também é obrigado a pagar por sua defesa, o deputado petista Pedro Uczai usou dinheiro da cota parlamentar para ir a um ato pela soltura do referido líder da organização criminosa em Curitiba.

Se impondo para garantir seus direitos, o brilhante deputado eleito Kim Kataguiri, que foi um dos mais votados de SP, pediu que o STF lhe garanta o direito de disputar a presidência da Câmara.

O General Eduardo Villas Bôas, que aceitou o convite para assessorar o também general da reserva Augusto Heleno no Gabinete de Segurança Institucional, vai desembarcar no Palácio do Planalto com o paradoxal objetivo de, sendo um general, ajudar a limitar o eventual apetite que as Forças Armadas possam ter pelo protagonismo que receberam no governo Bolsonaro.

Para ficar com o voto da esquerda sem ter de abrigá-la ao lado do PSL, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, articula a formação de um segundo bloco de apoio à sua reeleição, este composto por PT, PC do B, PDT e PSB, e prometeu ao grupo uma vaga na Mesa Diretora.

Eleito pelo PSL, em sua primeira disputa, com 71% dos votos, Carlos Moisés da Silva, governador do de Santa Catarina, afirmou, com toda razão, que nomear pessoas de direita e alinhadas à sua plataforma de governo “é uma questão de justiça” com o eleitor e “avisou” que ainda pretende cortar cerca de 900 cargos comissionados.

O PT, que no governo FHC votou contra o Plano Real, a Lei de Responsabilidade Fiscal e contra uma reforma previdenciária parcial, já avisou que fará oposição a todos os projetos que Bolsonaro enviar ao Congresso Nacional.

Como era de se esperar, já que ele colocou o maior bandido da história do Brasil na cadeia, Sergio Moro, atual ministro da Justiça, superou Bolsonaro, que teve nota 6,7, e recebeu nota 7,3 e ficou em primeiro lugar em uma pesquisa de popularidade de personalidade politicas divulgada ontem.

Nos discursos que farão em Davos, onde acompanham Bolsonaro, (1) Sergio Moro dirá que os 3 eixos de sua gestão são combate ao crime organizado, à violência e à corrupção e (2) Paulo Guedes fará uma defesa enfática da reforma da Previdência, das privatizações e da autonomia do BC.

Crítica:

Com suas ações no topo histórico, o que é um ótimo momento para vende-las, ciente de que existem áreas conflitantes com o Itaú, o que o deixaria em uma posição secundária, e traçando outros planos para o futuro, Daniel Lemos, que era o quarto maior sócio pessoa física da XP Investimentos, anunciou ontem que vai deixar a empresa, onde também era diretor de produtos.

PAZ, amor e bons negócios;

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