R.B. 24/JAN/18 "Uma enorme insegurança jurídica"



"Uma enorme insegurança jurídica"

São Paulo, 24 de janeiro de 2018 (QUARTA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve cair, influenciada pelo julgamento de Lula, que independentemente do placar (e 2 a 1 contra o petista é mais provável que 3 a 0) será alvo de contestação e trará uma enorme insegurança jurídica para as eleições presidenciais deste ano e (2) o DÓLAR pode subir, com “boas chances” de fechar o dia próximo dos R$ 3,30, impulsionado pelo mesmo motivo que deve derrubar a bolsa brasileira e afugentar investidores do Brasil.

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu -1,2%, com ótimo volume de negócios (R$ 11,7bi), descolada dos mercados externos e finalmente realizando lucros, diante da crescente constatação de que (a) mesmo condenado ou preso Lula fará o que pode, e o que não pode, para ser candidato à presidente, criando uma enorme insegurança jurídica no país, (b) as chances de aprovação da reforma da Previdência são remotas e (c) as agências de classificação Fitch Ratings e Moody's devem em breve seguir a S&P e também rebaixarem sua “nota” para o Brasil e (2) o DÓLAR subiu 0,8% à R$ 3,24, influenciado pelos mesmos motivos que derrubaram a bolsa tupiniquim e na contramão da trajetória da moeda norte-americana no exterior.

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão 1,3% e China 1,3%, seguindo o tom positivo dos mercados acionários de NY no dia anterior e com destaques de alta para as ações dos bancos, (2) da EUROPA, Inglaterra 0,2%, França 0,1% e Alemanha 0,7%, impulsionadas pela divulgação de bons resultados corporativos trimestrais de empresas do continente, como a Logitech (8,0%), a EasyJet (5,1%) e o Carrefour (3,2%) e (3) dos EUA, nos maiores patamares da história, S&P 0,2%, DJ 0,1% e NASDAQ 0,7%, mais uma vez influenciadas pelo valorização da ações do setor de tecnologia e desta vez também beneficiadas pela divulgação de que os analistas do Bank of America Merrill Lynch elevaram as projeções para o S&P 500 neste ano de 2.800pts para 3.000pts, citando os fortes resultados das empresas e as expectativas com a reforma tributária como os principais impulsionadores do movimento.

Tão vaidoso quanto Kim Jong-um, o ditador maluco da Coreia do Norte, ontem Meirelles, ministro tupiniquim da Fazenda, “avisou” aos jornalistas que em Davos, onde se encontra a elite do PIB global, os investidores lhe pedem "o tempo todo e sem parar" que se candidate à Presidência do Brasil.

Contrariando o discurso otimista de Meirelles, o economista Alexandre Schwartsman afirmou que, à luz da história brasileira dos últimos 38 anos, não parece razoável imaginar uma saída rápida da recessão de 2014-2016, já que analisando os dados disponíveis até agora a probabilidade maior é um padrão de recuperação muito semelhante ao das grandes recessões de 1981-83 e 1989-92, isto é, o retorno ao pico anterior à crise provavelmente apenas em 2019.

Os “planos Bs” do governo Temer para em caso de não aprovação da reforma da Previdência, o que é mais provável, são (1) a privatização da Eletrobras, (2) a reoneração da folha de pagamento, (3) o aumento na contribuição previdenciária de funcionários públicos e (4) a MP que cancelou reajustes de servidores.

Com a saúde pública precária ajudando, nos 11 primeiros meses do ano passado os hospitais particulares brasileiros geraram cerca de 18,7 mil postos de trabalho, o que representou um aumento de 3,7% em relação ao mesmo período de 2016.

Após dizer que a Petrobras quer acelerar seus investimentos em inovação para reduzir seu impacto ambiental, mas a indústria de óleo e gás "continuará aí por muitos anos", Pedro Parente, presidente da referida estatal que está tirando a empresa da UTI, afirmou que quer novos parceiros para produção de gás natural.

Escolhendo uma bolsa eficiente e buscando dinheiro onde ele realmente vale, a empresa brasileira PagSeguro, de sistemas de pagamento e que pertence ao UOL, encerrou ontem a maior oferta inicial de ações de uma empresa brasileira na Bolsa de NY, levantando pelo menos US$ 2,3bi que segundo a empresa serão usados para realizar investimentos "em tecnologias ou em produtos que são complementares ao negócio”.

Política:

Indicando que as eleições presidenciais brasileiras deste ano serão marcadas por “uma enorme insegurança jurídica”, cada dia mais juristas e analistas políticos “apostam” que, mesmo condenado por unanimidade hoje pelo TRF-4, Lula não sairá definitivamente da disputa eleitoral, já que seus advogados, hábeis, influentes e com bastante dinheiro no bolso, certamente irão recorrer às instâncias superiores e uma decisão sobre a candidatura pode só sair às vésperas da eleição.

Tirando dinheiro das emendas parlamentares em ano de eleição, o que dificulta ainda mais a aprovação da reforma da Previdência, Dyogo Oliveira, ministro do Planejamento, afirmou ontem que o governo Temer fará contingenciamento no Orçamento de 2018 após reavaliação de expectativas de receitas e despesas, que agora incluem a privatização da Eletrobras.

Contrariando a opinião de Alckmin, seu criador e atualmente seu principal “obstáculo” dentro do PSDB, Dória, prefeito de SP, “garantiu” que permanecerá na prefeitura, porem defendeu que os tucanos façam uma previa para definir quem será o candidato do partido a governador de SP.

Ótima síntese do que existe de mais tosco e corrupto no governo Temer, ontem Carlos Marun, ministro da Secretaria de Governo, contradisse a equipe econômica e afirmou que a reforma Previdenciária será votada em FEV/18 "de qualquer jeito".

Escolhido para o cargo de vice de Dilma exatamente por sua falta de caráter, ontem o presidente Temer que, em vez de sinalizar instabilidade política, o julgamento do ex-presidente Lula em segunda instância significa que as instituições brasileiras estão funcionando e dará tranquilidade para quem quiser investir no país.

Herói, ícone e mestre do mercado financeiro tupiniquim, Meirelles, que é sempre bom lembrar foi ministro do Lula, empregado do Joesley (da JBS) e atualmente é ministro de Temer, afirmou, diretamente de Davos, que o referido ex-presidente petista lidera as pesquisas de intenção de voto porque há boas lembranças de seu governo.

Corroborando com a opinião de Ciro Gomes, FHC, Gleisi Hoffmann, Lindberg Farias, Manuela d'Ávila e Meirelles, ontem o ex-presidente Sarney, que já deveria estar preso desde o milênio passado, afirmou que (1) uma eleição sem Lula deixará uma frustração grande em parte do eleitorado e será sempre contestada, (2) Lula é um grande líder popular e de grande experiência e (3) que espera que Lula seja absolvido.

Após chegar na cidade no jatinho de Eike Batista, ontem Lula, em um discurso para seus seguidores em Porto Alegre, disse que seu “julgamento político” não será feito pelos três juízes do TRF-4 e garantiu que, mesmo condenado, sua história não terminaria ali.

Crítica:

Pode-se dizer que o julgamento de Lula, que ocorre hoje em segunda instancia, vai ajudar a definir o destino o Brasil, porém, infelizmente, a história nos ensinou que toda vez que o nosso país pode escolher que caminho seguir, “sempre escolheu o cainho errado”, desde quando expulsamos os holandeses de Recife, e eles foram para os EUA fundar NY.

PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho

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