R.B. 5/JUN/17 "A aposta do governo"



"A aposta do governo"

São Paulo, 5 de junho de 2017 (SEGUNDA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve cair, acompanhando as perdas das demais bolsas mundiais, que são prejudicadas pelo recuo das commodities e pelo aumento da tensão geopolítica, e também internamente prejudicada pela insistência do presidente Temer em permanecer no poder mesmo diante da enorme quantidade de denúncias contra ele e (2) o DÓLAR pode subir rumo aos R$ 3,30, seguindo a trajetória internacional da moeda norte-americana e impulsionado pelos mesmos motivos que devem derrubar  bolsa tupiniquim.

Sexta-feira, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 0,4%, recuperando uma pequena parte das perdas acumuladas na semana (-2,5%), beneficiada pelo resultado melhor que a expectativa mediana para a produção industrial tupiniquim em ABR/17 e (2) o DÓLAR subiu 0,3% à R$ 3,25, após um pregão com boa volatilidade, com mínima de R$ 3,22 e máxima de R$ 3,26, no qual o “mercado” se preparou para uma semana “pesada”, que contará com votação da reforma trabalhista e julgamento da chapa Dilma-Temer.

Também sexta-feira, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão 1,6% e China 0,2%, seguindo o bom desempenho dos mercados acionários de NY e a valorização do petróleo, (2) da EUROPA, Inglaterra 0,1%, França 0,5% e Alemanha 1,2%, sustentadas pela recuperação dos preços das commodities e (3) dos EUA, novamente nos maiores patamares da história, S&P 0,4%, DJ 0,3% e NASDAQ 0,9%, já que a divulgação do relatório de emprego mais fraco que o esperado reduziu os “temores” de alta dos juros no país.

Coberto de razão, o Banco Mundial, alertando para o aumento da taxa de desemprego e para a necessidade de se fazer ajustes fiscais "significativos", reduziu de 0,5% para 0,3% suas “apostas” para o crescimento da economia brasileira em 2017, o que é um pouco mais pessimista do que a média da estimativa dos economistas consultados semanalmente pelo BC, que na edição mais recente do Focus, de 26/MAI/17, apontava crescimento de 0,49% para o PIB deste ano.

Dando um sinal “isoladamente positivo” da economia tupiniquim, em ABR/17 a produção industrial brasileira teve alta de 0,6% na comparação com MAR/17, o que representa a primeira alta em 2017 e o melhor desempenho para o mês desde 2013.

Como reflexo indireto da Operação Lava Jato, ocorreu uma forte alta na procura por seguros que protegem o patrimônio do executivo caso decisões erradas tomadas por ele provoquem perdas financeiras para as empresas, os chamados de D&O, e apenas entre 2014 e 2016 os valores pagos nestas apólices subiram 62%.

Apesar de não terem sido “obrigados” a empestar para a empresa, os bancos estão pressionando a J&F, dona da Friboi, a oferecer mais garantias para que possam estender os prazos de pagamento de dívidas do grupo, que também reúne empresas como JBS, Eldorado e Vigor.

Perdendo dinheiro e escancarando pela enésima vez a falta de educação financeira do brasileiro, em MAR/17 76% da população do país não conseguiu investir e apenas 19% conseguiu guardar algum dinheiro, sendo que destes 64% escolheram a caderneta de poupança e 20% decidiram guardar o dinheiro na própria casa.

Diante do cenário de inflação perdendo força e economia em recessão, desde OUT/16 a taxa básica de juros caiu de 14,25% para 10,25% ao ano, uma redução de -4%, o que ajuda o consumidor que quer trocar uma dívida cara, contratada quando a Selic estava em patamar maior, por uma mais barata.

Se preparando para lançar em breve seu primeiro automóvel 100% elétrico, a montadora japonesa Toyota vendeu a sua última fatia na Tesla, em um negócio que transforma a pioneira em carros elétricos de uma potencial aliada para uma feroz concorrente.

Política:

Até agora ventilado como mais provável sucessor de Temer, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, quer manter esta semana o ritmo de votações na Casa, apreciando projetos apresentados por deputados até de partidos da oposição.

Conhecida como “amante” nas planilhas de propina da Odebrecht, a senadora Gleisi Hoffmann foi eleita, com o apoio entusiasmando de Lula, a nova presidente nacional do PT em votação que aconteceu neste final de semana em Brasília.

Apavorando Temer, o ex-deputado federal peemedebista Rodrigo Rocha Loures, classificado pelo presidente como “homem de sua inteira confiança”, foi preso na manhã de sábado, já chorou bastante na cadeia se certamente se prepara para “abrir o bico”.

A decisão de aliados do presidente Temer de protocolar na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara um pedido de explicações do ministro Edson Fachin sobre sua relação com Ricardo Saud, lobista e delator da JBS, foi recebida no Supremo como sinal de guerra aberta.

Apesar de manter o discurso de fidelidade ao governo Temer, Rodrigo Maia, como também não quer associar sua imagem à tentativa de barrar o avanço da Lava Jato, decidiu não ir à cerimônia de posse do novo ministro da Justiça, Torquato Jardim.

Citado como “amigo” pelos picaretas da JBS, o ministro Napoleão Nunes Maia Filho é “a aposta do governo” para abrir caminho à absolvição do presidente Temer no Tribunal Superior Eleitoral ou, na pior das hipóteses, adiar o julgamento que será retomado amanhã.

Crítica:

Tratando seus funcionários com o mesmo “carinho” que trata os animais em seus abatedouros, o grupo JBS, dono da Friboi, já respondia em 2016 a 34 mil ações trabalhistas, o que pode representar uma perda de R$ -2,6bi, o que obviamente é “dinheiro de pinga” para os irmãos Joesley e Wesley Batista.

Em uma manobra orquestrada por Blairo “moto-serra” Maggi, ministro brasileiro da Agricultura, o governo federal decidiu diminuir, de R$ 50mil para R$ 5mil, o valor mínimo de multas a empresas que sejam flagradas cometendo irregularidades na inspeção sanitária de produtos de origem animal.

PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho

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