R.B. 1/JUN/17 "Envergonhando até os mais nacionalistas e patriotas"



"Envergonhando até os mais nacionalistas e patriotas"

São Paulo, 1 de junho de 2017 (QUINTA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, tentando recuperar uma parte das perdas acumuladas no mês passado (-4,1%), “animada” com a redução de -1,0% da taxa básica de juros e acompanhando a valorização das principais bolsas mundiais e (2) o DÓLAR pode subir, também influenciado pela redução da taxa básica de juros, que torna menos atrativos os “investimentos” em renda fixa no Brasil.

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu -2,0%, para fechar o mês de MAI/17 acumulando uma baixa de -4,1% e abaixo dos 63.000pts (aos 62.711pts), prejudicada pelo recuo das commodities no mercado internacional e (2) o DÓLAR caiu -0,8% à R$ 3,24, acompanhando a trajetória internacional da moeda norte-americana, minimizando as indefinições do cenário político tupiniquim e com os vendidos ganhando a “briga” para a formação da cotação de fechamento do mês.

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, sem uma tendência única, Japão -0,1%, cm as exportadoras prejudicadas pela valorização da moeda local (o iene) frente ao dólar e China 0,2%, sustentada por dados econômicos oficiais mostrando que os setores industrial e de serviços do país continuam se expandindo em bom ritmo, (2) da EUROPA, também sem uma tendência única, Inglaterra -0,1%, França -0,4% e Alemanha 0,1%, dividas entre a queda nos preços do petróleo, a redução do desemprego na zona do euro e as incertezas políticas diante das aproximação das eleições gerais britânicas e da eleição parlamentar francesa e (3) dos EUA, realizando uma ínfima parte dos lucros após consecutivos recordes históricos auferidos em MAI/17, S&P -0,1%, DJ -0,1% e NASDAQ -0,1%, pressionadas principalmente por ações de instituições financeiras e de energia.

Seguindo o que esperada cerca de 99% do “mercado”, ontem, ressaltando que a inflação já está bem abaixo da meta e alertando que a economia está estagnada, o Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros da economia tupiniquim em -1,0%, de 11,25% para 10,25%, o que representa o menor patamar desde NOV/13.

Segundo a avaliação de analistas de mercado, que lembram que o ponto central do comunicado do Copom foi a incerteza em torno da aprovação da agenda de reformas, a autoridade monetária tupiniquim decidiu sinalizar para a possibilidade de uma redução menor na taxa básica de juros na sua próxima reunião, marcada para JUL/17, para alertar que, se a crise política não for resolvida, a política monetária pode ser afetada.

“Envergonhando até os mais nacionalistas e patriotas”, o Brasil, pelo sétimo ano seguido,  perdeu posições no ranking mundial de competitividade e, agora, só está à frente da Mongólia e da Venezuela na lista de 63 países analisados.

Com uma visão mais distante e isenta dos fatos, segundo Hélio Magalhães, presidente do Citibank brasileiro, está cada dia mais claro que o investidor estrangeiro olha a crise política no Brasil como algo passageiro e mantém o interesse no país.

“Coberta de razão”, ontem, após o fechamento do pregão, a agência de classificação de risco Moody's alterou para negativa a perspectiva das suas “notas” para 19 bancos brasileiros, ressaltando que qualquer desaceleração na recuperação econômica do país prolongará a pressão na capacidade de pagamento dos tomadores de crédito, assim como levará ao aumento do risco de crédito nas instituições financeiras.

Com o país ainda “pagando o preço” das políticas econômicas de Dilma, 14,048 milhões de brasileiros procuraram emprego entre FEV/17 e ABR/17, patamar 23,1% maior do que no mesmo período do ano anterior (11,411 milhões), com isto a taxa de desemprego subiu de 11,2% para 13,6% na mesma base de comparação.

Tentando mostrar que tudo está funcionando e caminhando bem, Fernando Coelho, ministro de Minas e Energia, “garantiu” que a crise política não atrapalha o cronograma de leilões de energia, porem admitiu que ela pode gerar entre os investidores o receio de recuo "de que o que foi comunicado continuará de pé".

Antes tarde do que nunca, a Comissão de Valores Mobiliários instaurou no dia 30/MAI/17 2 inquéritos administrativos contra a JBS para analisar a atuação da empresa de alimentos no mercado de dólar futuro e negociações do acionista controlador com ações da companhia.

-    A JBS subiu 9,1%, na contramão das demais ações da bolsa tupiniquim, após a controladora da empresa ter acertado “acordo camarada” de leniência com o Ministério Público Federal do Distrito Federal, no qual se comprometeu a pagar a “ninharia” de R$ 10,3 bilhões durante 25 anos, com valores corrigidos pelo IPCA.

Política:

Confirmando que não precisamos conviver com um bandido na presidência do país para fazer as coisas que são necessárias, segundo o deputado Arthur Maia, que é relator da reforma da Previdência, a aprovação da proposta em tramitação na Câmara dos Deputados é "irreversível", independentemente da permanência ou não de Temer no cargo.

De forma oportunista, categorias que brigavam para manter suas regalias, impedindo as mudanças necessárias na proposta da reforma da Previdência, apostam na crise política que se abateu sobre o Planalto para conseguir convencer o presidente Temer a promover as alterações que desejam.

Certamente com potencial para pegar um enorme percentual de picaretas entre a população brasileira, que elege políticos que com o mesmo caráter que tem, ontem o plenário do Senado aprovou uma medida provisória de revisão de benefícios por incapacidade concedidos pelo INSS Instituto Nacional do Seguro Social, que pode gerar, segundo cálculos “modestos” feitos pelo governo federal, uma economia anual de R$ 8bi.

Causando uma nova derrota para São Paulo e para as demais regiões industrializadas do país, ontem o plenário da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que dá uma sobrevida de 15 anos à maior parte dos incentivos concedidos ilegalmente por Estados para atração de empresas, a chamada "guerra fiscal".

Agindo, como sempre, para defender seus interesse, porem raramente, como é o caso, também ajudando o país, Blairo “motosserra” Maggi, ministro da Agricultura, defendeu a liberação da venda de terras brasileiras a produtores agrícolas e companhias estrangeiras, ressaltando que esta medida poderia aumentar a oferta de crédito aos agricultores nacionais.

Acusado de pagar propina para o ex-governador do RJ Sérgio Cabral, a Polícia Federal prendeu na manhã desta quinta-feira o empresário Marco Antônio de Luca, do grupo Masan, responsável pelo fornecimento de alimentação para o governo do RJ.

Como os “nobres ministros de toga” demostram uma tendência de absolver bandidos, ganha cada dia mais força no Congresso e no Judiciário a “aposta” de que o Tribunal Superior Eleitoral deve negar o pedido de cassação da chapa de Dilma e Temer, anulando provas colhidas na operação Lava Jato para alegar justamente a falta de provas.

Rodrigo Rocha Loures, “ex-assessor íntimo” do presidente Temer que foi flagrado com uma mala de dinheiro é pressionado pela mulher, grávida de 8 meses, a fazer um acordo de delação premiada, pois ela avalia que sem mandato, sem foto e sem imunidade parlamentar, o destino do marido é o xilindró.

Crítica:

Com a promessa de aumentar a eficiência econômica tupiniquim, a admissão de pedidos de análise de patente no Brasil deverá cair de 4 anos para 120 dias caso funcione a nova instrução normativa que será publicada na próxima semana pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual.

Fazendo chantagem com a vida alheia, as operadoras de planos de saúde ameaçam deixar de atender até 70% das cidades brasileiras após o Congresso Nacional derrubar veto do presidente Temer em artigos da lei que define regras para o recolhimento de Imposto Sobre Serviços (ISS).

PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho

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