R.B. 30/MAI/17 "Como um japonês sem noção que quer participar de uma suruba de negão"



"Como um japonês sem noção que quer participar de uma suruba de negão"

São Paulo, 30 de maio de 2017 (TERÇA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve seguir em queda, diante a manutenção da crise política tupiniquim, que só vai arrefecer com a saída de Temer, da queda das commodities e da retração das principais bolsas mundiais e (2) o DÓLAR pode seguir em alta, rumo aos R$ 3,30, acompanhando a esperada piora do “humor” na bolsa tupiniquim, seguindo a trajetória internacional da moeda norte-americana e influenciado pela ausência do BC na ponta vendedora.

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu %, com baixo volume de negócios (R$ 3,1bi) diante do feriado em NY, e prejudicada pela ameaça de redução da “nota” do Brasil pela agencia de classificação de riscos Moody's e (2) o DÓLAR subiu 0,1% à R$ 3,27, influenciado pelo mesmo motivo que derrubou a bolsa tupiniquim e também impulsionado pelas “apostas” de queda da taxa básica de juros na reunião do Copom desta semana.

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, com baixo volume de negócios por conta do feriado na China, onde aliás o regulador do mercado afirmou Japão -0,1%, diante do novo aumento da tensão com a Coreia do Norte, que pela nona vez no ano um teste com um míssil, (2) da EUROPA, também com baixo volume de negócio, Inglaterra não teve pregão por conta de feriado local, porem França 0,1% e Alemanha -0,2%, prejudicadas pelo recuo das ações dos bancos, como Intesa (-2,1%) e Unicredit (-4,3%), após Mario Draghi, presidente do BC Europeu, reiterar que a economia da região ainda precisa de "um montante razoavelmente substancial" de estímulos monetários e (3) dos EUA, S&P, DJ e NASDAQ permaneceram fechadas por conta do feriado do Memorial Day.

Falando bonito, o que não adianta nada, ontem, em sua primeira entrevista após ser nomeado presidente do BNDES, o economista Paulo Rabello de Castro se posicionou contra políticas de subsídios e a favor de maior participação do crédito privado na economia, o que em tese é um sinal de continuidade das políticas adotadas pela sua sucessora, Maria Silvia Bastos Marques.

Mais uma vez tentando passar otimismo, Meirelles, ministro brasileiro da Fazenda, (1) buscou minimizar um eventual atraso na aprovação da reforma da Previdência, “garantindo” que, do ponto de vista fiscal, não serão um, dois, três, quatro ou cinco meses que farão diferença na aprovação da reforma da Previdência e (2) lembrou que o indicador do PIB do BC, o IBC-Br, subiu 1,12% no primeiro trimestre em relação ao trimestre anterior, ressaltando que considera isto algo "muito bom".

Além de projetar um corte de -1,0% na taxa básica de juros na reunião do Copom desta semana, dos atuais 11,25% para 10,25%, o “mercado” elevou levemente, de 3,92% para 3,95%, suas “apostas” para o IPCA deste ano e reduziu, de 0,50% para 0,49%, suas projeções para o desempenho do PIB tupiniquim em 2017.

Privilegiando empresas caloteiras, em uma espécie de Robin Hood às avessas, que tira dos pobres para dar aos ricos, o governo Temer, por conta do novo Refis negociado com parlamentares e seus patrões, que obviamente são os grandes empresários do país, terá que contar com R$ 10bi em receitas já em 2017 e fará uma renúncia fiscal de R$ 35bi em até 15 anos.

Mostrando que a crise política já afeta a economia real, o índice de confiança do consumidor da cidade de SP, principal mercado consumidor do país, caiu -2,3% entre 10/MAI/17 e 25/MAI/17, justamente após as denúncias contra o presidente Temer.

Por baixa renda e também por falta de educação financeira, segundo uma pesquisa da Quórum Brasil 28% das famílias brasileiras gastam mais do que recebem e o maior índice é no Nordeste, onde 39% estão nessa situação.

Política:

Para mostrar que tem a base governista na mão, e também no bolso, o presidente Temer quer acelerar a aprovação da reforma trabalhista no Senado, atropelando os protestos da oposição contra o projeto e levando o texto ao plenário ainda nesta semana.

Sem vergonha de indicar que sua missão é acabar com a Lava Jato, Torquato Jardim, que foi alçado ao Ministério da Justiça no auge da crise política do governo Temer, afirmou em sua primeira entrevista no cargo que "vai avaliar" mudanças no comando da Polícia Federal.

Mostrando que as “velhas raposas” ainda mandam no país, ontem (1) o presidente Temer foi à SP se encontrar com FHC para pedir ajuda para se manter no cargo e (2) o senador Renan Calheiros se reuniu com Sarney para pedir ajuda para se manter como líder do PMDB no Senado.

Com o objetivo claro de barra as investigações da operação Lava Jato, hoje o Conselho Nacional de Justiça vai julgar Sergio Moro pelo grampo de Lula e Dilma, no qual a então presidenta do Brasil avisa que vai nomear seu comparsa para livra-lo da cadeia.

Até agora mostrando-se bastante fiel ao corrupto e nefasto governo Temer, Rodrigo Maia, presidente da Câmara, anunciou que a reforma previdenciária será votada entre 5 e 12/JUN/17, o que certamente é um aceno ao mercado financeiro de que a crise política não afetará as reformas.

Apesar dos “rumores” contrários, Marcelo Caetano, que é secretário da previdência do ministério da Fazenda, “garantiu” que a expectativa do governo não é de novas mudanças na proposta de reforma da Previdência.

Crítica:

Dando um claro sinal de que novamente “vai atuar para proteger e inocentar bandidos”, ao comentar sobre o julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral, prevista para 6/JUN/17, Gilmar Mendes, presidente da referida corte, afirmou que o judiciário não é instrumento para solução de crise política.

Dando mais um ótimo argumento para aqueles que defendem a drástica redução do consumo humano de proteína animal, atualmente 3/4 das áreas usadas pelo setor agrícola brasileiro são destinadas à pecuária extensiva, que degrada o meio ambiente, destruindo florestas e tornando a terra estéril.

“Como um japonês sem noção que quer participar de uma suruba de negão”, ontem o Brasil, que não representa nem 3% do PIB mundial, apresentou à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico uma carta com pedido para iniciar o processo de adesão ao grupo que reúne as maiores economias do mundo.

PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho

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