R.B. 17/ABR/17 "O gato subiu novamente no telhado"



"O gato subiu novamente no telhado"

São Paulo, 17 de abril de 2017 (SEGUNDA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, tentando uma recuperação após 3 pregões seguidos de queda e após fechar o pregão anterior no menor patamar desde 11/JAN/17, acompanhando o movimento ascendente das principais bolsas mundiais e beneficiada pela valorização das commodities e (2) o DÓLAR pode cair, seguindo a esperada melhora do “humor” na bolsa brasileira, influenciado por um leilão de venda do BC e beneficiado pela divulgação de dados animadores da balança comercial tupiniquim.

Quinta-feira, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu -1,7%, elevando as perdas registradas na semana para -2,7%, acompanhando a trajetória de queda das demais bolsas mundiais e ainda afetada pela piora do clima político tupiniquim e (2) o DÓLAR subiu 0,4% à R$ 3,15, rompendo a “resistência” dos R$ 3,15, seguindo a esperada piora do “humor’ na Bovespa e influenciado pela redução de -1,0% da taxa básica de juros da economia brasileira.

Sexta-feira, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão -0,5% e China -0,9%, com destaques de queda para as exportadoras, diante da valorização das moedas locais (respectivamente o iene e o Yuan) frente ao dólar e do aumento da tensão entre EUA e Coreia do Norte.

Também quinta-Feira, nas principais bolsas, (1) da EUROPA, Inglaterra -0,3%, França -0,6% e Alemanha -0,4%, em compasso de espera e de cautela diante da imprevisibilidade em relação às eleições francesas e com destaques de queda para as ações dos bancos, como HSBC (-1,7%), Société Générale (-2,6%) e Commerzbank (-1,1%) e (2) dos EUA, S&P -0,7%, DJ -0,7% e NASDAQ -0,5%, com as perdas se aprofundando na parte da tarde, após o país anunciar4 que lançou sua maior bomba não nuclear contra um complexo de túneis do Estado Islâmico no Afeganistão.

Como que avisando que “o gato subiu novamente no telhado”, a agencia de classificação de risco S&P “alertou” que, apesar de já ter sua nota de crédito rebaixada para grau especulativo, o Brasil corre o risco de sofrer novos rebaixamentos por causa do cenário político conturbado, que por sua vez pode inviabilizar o andamento das reformas.

Tentando reagir à crise agravada pelo envolvimento dele e de mais de uma centena de políticos nas delações da Odebrecht, o presidente Temer abriu uma ofensiva para tranquilizar o setor produtivo, reforçando a estratégia de turbinar a agenda econômica e apostando na consolidação fiscal como pilar de estabilidade de seu governo.

Dando 3 sinais positivos da economia brasileira, (1) em FEV/17 o volume do setor de serviços do Brasil registrou crescimento de 0,7% na comparação com JAN/17, (2) a porcentagem de consumidores otimistas ou neutros na Páscoa deste ano foi de 60%, contra 32% no ano passado e 18% em 2015 e (3) segundo Jorge Simino, diretor de investimentos da Funcesp, com a queda do preço dos alimentos nos últimos 6 meses o salário real da população de baixa renda melhorou.

Mostrando que, apesar da ocultação descarada realizada pela “mídia comprada”, a carne tupiniquim segue sendo fraca, a Polícia Federal indiciou 63 pessoas, sob suspeita de corrupção, crime contra a ordem econômica e falsificação de produtos alimentícios, como o ex-chefe da superintendência do Ministério da Agricultura no Paraná, Daniel Gonçalves Filho.

-    Apresentando uma boa nova para o setor agrícola brasileiro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos anunciou que os estoques mundiais de algodão vão terminar a safra 2016/17 no menor patamar dos últimos 5 anos.
-    Ajudando a mais cara, ineficiente e monopolista estatal tupiniquim, o Ministério da Fazenda publicou um portaria que autoriza reajuste médio de 7,48% nas tarifas de serviços postais e telegráficos dos Correios.

-    O Wells Fargo caiu -3,3% na bolsa de NY, após o banco registrar lucro estável no primeiro trimestre na comparação anual, mas com queda na receita.
-    As Snap caiu -0,2 na bolsa de NY, após a rival Instagram, do Facebook, anunciar que mais de 200 milhões de usuários por dia usam o recurso Stories.
-    A Petrobrás caiu -3,9%, porem após o fechamento do pregão, (1) a empresa anunciou que sua produção média de petróleo e gás natural cresceu cerca de 7% no primeiro trimestre, ante o mesmo período do ano passado e (2) o governo sinalizou que avalia permitir que a empresa desista de participar de consórcios do pré-sal depois da realização do leilão, caso considere que o lance oferecido por uma área esteja além de sua capacidade financeira.

Política:

Cedendo cada dia mais, segundo mudanças acordadas entre o governo e o relator da Previdência, o deputado Arthur Oliveira Maia, as idades mínimas da nova aposentadoria, previstas para partir dos 50 anos (mulher) e 55 anos (homem), começarão a subir apenas em 2020.

Após Lula ignorar solenemente seus apelos, FHC, que se tudo correr como pretende Sergio Moro “terminará seus dias na cadeia”, teve a cara de pau de negar que estava articulando com o presidente Temer uma estratégia para "estancar ou amortecer os efeitos das investigações da Operação Lava Jato".

O monitoramento que o Palácio do Planalto faz nas redes sociais mostrou que, até o dia 13/ABR/17, o desgaste do governo e do presidente Temer com a publicação dos relatos da Odebrecht ficou diluído em meio às menções negativas a diversos políticos e partidos.

Fortemente atingidos pela delação da Odebrecht, os três figurões do PSDB adotaram estratégias distintas para reagir ao turbilhão de acusações, já que (1) Aécio Neves nega tudo, (2) Alckmin resolveu se recolher e inclusive cancelou participação em eventos e (3) Serra deu aos jornais declarações protocolares.

Confirmando o crescente descredito da população com os políticos tradicionais, uma pesquisa qualitativa encomendada por um governador do Nordeste mostrou que, quando o eleitor foi instado a citar um nome para o Planalto que não o do ex-presidente Lula, quem apareceu como primeira opção foi o juiz Sergio Moro.

-    Em um movimento de sobrevivência, que despertou preocupação na cúpula do PT no Congresso, a CUT se organiza para lançar uma série de sindicalistas na eleição de 2018, o que divide seu eleitorado e dificulta a reeleição de nomes tradicionais da sigla.
-    Preocupada com a possibilidade real de prescrição das penas, a Ordem dos Advogados do Brasil vai pressionar o Supremo a convocar, a toque de caixa, juízes auxiliares para ajudar nos processos da Lava Jato.

Crítica:

Coberta de razão, Eliana Calmon, ministra aposentada do Superior Tribunal de Justiça, ex-corregedora nacional de Justiça e que em 2011 foi duramente criticada ao afirmar que havia bandidos escondidos atrás da toga, “avisou” que a Lava Jato pegará o Poder Judiciário num segundo momento, ressaltando que atualmente os “nobres juízes” estão sendo preservados como estratégia para não enfraquecer a investigação.

PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho

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