R.B. 24/JAN/17 "Ranços ideológicos"



"Ranços ideológicos"

São Paulo, 24 de janeiro de 2017 (TERÇA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve seguir em alta, ampliando a valorização acumulada no ano (9,2%), diante da redução das tensões políticas, da gradativa melhora das expectativas para a economia tupiniquim e da constatação de que as medidas adotadas por Trump, novo “chefão do mundo”, serão positivas para o Brasil e (2) o DÓLAR pode seguir em queda, ampliando a baixa acumulada nos 3 últimos pregões (-1,8%), influenciado pelo “humor positivo” na bolsa brasileira e seguindo o fluxo positivo de recursos externos oriundos de captações, exportações e “investimentos”.

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 1,9%, para fechar o dia no maior patamar desde 27/MAR/12 (aos 65.748pts), desdenhando as perdas das bolsas de NY, impulsionada principalmente pelas ações do setor financeiro, diante das expectativas de cote na Selic, e da cadeia do aço, diante do avanço internacional do minério de ferro e (2) o DÓLAR caiu -0,4% à R$ 3,17, para fechar em território negativo pela 3ª sessão consecutiva, acompanhando a desvalorização internacional da moeda norte-americana e a melhora do “humor” na bolsa brasileira e pressionado pelos leilões de venda do BC.

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão -1,3%, realizando lucros após 3 pregões seguidos de alta, com as exportadoras prejudicadas pela valorização da moeda local (o iene) frente ao dólar e China 0,4%, diante da divulgação de dados positivos da economia do país, (2) da EUROPA, em um dia sem dados econômicos ou balanços significativos, Inglaterra -0,7%, França -0,6% e Alemanha -0,7%, influenciadas negativamente por declarações e medidas protecionistas de Trump, que tem ressaltando diariamente que colocará os EUA virão "em primeiro lugar" e que "não quer livre-comércio e sim comércio justo" e  (3) dos EUA, realizando lucros e ainda próximas dos maiores patamares da história, S&P -0,3%, DJ -0,1% e NASDAQ -0,1%, com os investidores digerindo as ações do presidente Trump, em seu primeiro dia útil no comando da maior economia do planeta, e com destaques de queda para as ações das companhias de energia, diante do recuo internacional dos preços de petróleo, em meio a preocupações sobre um possível aumento da produção de petróleo de xisto pelos EUA.

Cumprindo, logo no primeiro dia de trabalho, uma de suas principais promessas de campanha, que pode inclusive beneficiar o Brasil, ontem Trump, novo presidente dos EUA, assinou um decreto para retirar o país da Parceria Transpacífico, peça central da estratégia comercial e geopolítica de Obama, que foi assinado em 2015 por EUA e outros 11 países e que era considerado o maior acordo comercial da história, abrangendo 40% do PIB mundial.

Mostrando um otimismo moderado, porem crescente, o “mercado” (1) novamente reduziu, desta vez de 4,80% para 4,71%, suas “apostas” para a inflação de 2017 medida pelo IPCA, se aproximando cada vez mais do centro da meta (4,5%), (2) diminuiu ainda mais, desta vez de 9,75% para 9,50%, suas projeções para a taxa básica de juros no final deste ano e (3) manteve em 0,5% suas expectativas para o desempenho do PIB em 2017.

Apesar de ressaltar que o BC tupiniquim tomou coragem e surpreendeu o mercado, coisa que não fazia havia muitos anos, Benjamin Steinbruch, diretor-presidente da CSN e 1º vice-presidente da Fiesp, afirmou que a redução de -0,75% da Selic foi muito mais conservadora do que está a exigir a realidade da economia brasileira.

Podendo ajudar a reativar o consumo das famílias na segunda metade do ano, segundo projeções dos economistas, depois de 2 anos no negativo, os reajustes salariais deverão voltar a levar vantagem sobre a inflação em 2017 diante da desaceleração da inflação e a recuperação da atividade econômica.

“Abalando a credibilidade” da maior corretora de valores do Brasil, que tentou o quanto pode esconder os fatos, foi revelado ontem pelo jornal Valor Econômico que entre 2013 e 2014 os dados de cerca de 29 mil clientes da XP Investimentos foram roubados por hackers, que tentam desde o fim do ano passado extorquir dinheiro dos sócios da empresa, ameaçando expor as informações.

Com está na mira da polícia e da sociedade e por isto “não consegue mais financiamentos camaradas”, a Odebrecht, que se o Brasil fosse um país sério já estaria fechada, perdeu um de seus grandes projetos no exterior, que era a construção de um gasoduto no Peru.

Ainda com resquícios dos “ranços ideológicos” do passado, a Petrobras, que foi rapinada pelas construtoras tupiniquins, se deu ao trabalho ontem de responder às críticas que vem recebendo pelo lançamento de uma licitação em que convida 30 empresas estrangeiras a disputar uma obra no Comperj, complexo petroquímico de grande porte cuja construção foi interrompida em Itaboraí, região metropolitana do RJ.

-    A Samsung subiu 2,8% na bolsa da Inglaterra, após anunciar que, apesar do escândalo do Galaxy Note 7, registrou uma alta de seus lucros de 50,2% no quarto trimestre de 2016 na comparação com o mesmo período de 2015, impulsionada pela área de componentes, principalmente as memórias e os painéis de visualização.

Política:

Já com mais votos do que o necessário para se reeleger como presidente da Câmara, e consequentemente vice-presidente do Brasil, ontem Rodrigo Maia, do DEM do RJ, obteve o apoio formal do PSB, que tem uma bancada com 34 deputados e do PSD, que tem 37 parlamentares.

Conforme já se esperava, foi suspensa a decisão judicial que impedia o deputado Rodrigo Maia, do DEM do RJ, de concorrer à reeleição para a presidência da Câmara, o que reduz a estabilidade política do país, já que sua provável manutenção no cargo favorece o bom andamento das reformas estruturais propostas pelo governo Temer no Congresso.

A morte de Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, certamente causará um atraso na homologação das delações dos executivos-picaretas da Odebrecht, o que de certa forma é favorável ao governo, por dar mais tempo e fôlego a Temer na busca pelo avanço dos trabalhos parlamentares.

Ontem, logo no primeiro dia de trabalho após enterrar seu colega de toga Teori Zavascki, Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, começou a discutir com ministros da corte e com a Procuradoria-Geral da República quem fará as homologações das delações premiadas dos 77 executivos-picaretas da Odebrecht.

Para evitar ser acusado de nomear um ministro que será responsável por homologar delações premiadas contra ele, o presidente Temer “avisou” que só vai anunciar seu indicado para a vaga de Teori Zavascki no STF após a definição de quem será o novo relator da Lava Jato.

O relatório apresentado pela Polícia Federal na ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer na disputa de 2014 concluiu que parte dos recursos pagos pela campanha às 3 gráficas que são alvo da investigação se destinavam à pessoas físicas e não para cobrir gastos da corrida presidencial.

Cotado para assumir a cadeira de Teori Zavascki no Supremo, o prestigiado jurista Ives Gandra Martins Filho, presidente do Tribunal Superior do Trabalho, é chamado de “monge” pelos amigos.

Sem medo das consequências que a atitude pode causar, o PSDB nacional decidiu que dissolverá a direção do partido em todas as cidades em que dirigentes tucanos municipais não tenham lançado candidato a prefeito nem conseguido eleger vereadores nas últimas eleições.

Disposto a ganhar pontos com a opinião pública contrariando aliados e seu próprio partido, o PMDB, o presidente Temer afunilou opções e, hoje, tende a escolher um integrante de um tribunal superior para a vaga deixada por Teori Zavascki no plenário do Supremo Tribunal Federal.

Verdadeiro partido de esquerda, com ideias estúpidas e ultrapassadas, mas com coerência ideológica, o PSTU realiza na zona norte de SP um curso gratuito obre marxismo para trabalhadores que moram na região ou estudantes secundaristas que ajudam na militância do partido.

Apesar de ser um Velho amigo do ex-presidente Lula, o deputado federal petista Vicente Paulo da Silva, conhecido como Vicentinho, enviou aos correligionários do PT uma mensagem em que critica a construção de um acordo com candidatos da base governista para eleições da Mesa no Congresso.

Crítica:

Enquanto a imprensa socialista tupiniquim segue “metendo o pau no novo chefão do mundo”, ontem Trump assinou um decreto que proíbe ex-funcionários do governo dos EUA de fazer lobby por 5 anos, o que está em sintonia com a sua promessa de campanha de "drenar o pântano" de Washington com a redução da influência de grupos de interesse.

PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho

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