R.B. 6/DEZ/16 "Moral da chefia"



"Moral da chefia"

São Paulo, 6 de dezembro de 2016 (TERÇA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve cair, mais uma vez alheia ao cenário externo e com os investidores preocupados com a ampliação da tensão política no país com a queda de Renan da presidência do Senado, que para piorar as coisas para o governo passa a ser comandado por um petista e (2) o DÓLAR pode subir, acompanhando a esperada piora do “humor” na bolsa brasileira e também pressionado pelo aumento do fluxo negativo de recursos externos, o que é tradicional no final do ano com as multinacionais instaladas no país remetendo lucros para as filiais.

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu -0,8%, sem acompanhar a melhora de “humor” vista nas principais bolsas mundiais e a alta das commodities, já que foi prejudicada pelos “temores” com o aumento da instabilidade política, que certamente dificulta a retomada da economia tupiniquim já bastante combalida e (2) o DÓLAR caiu -1,3% à R$ 3,42, devolvendo uma parte da alta acumulada na semana passada (1,9%) e seguindo a trajetória internacional da moeda norte-americana.

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão -0,8% e China -1,2%, refletindo negativamente a vitória do "não" no referendo da Itália, apesar de dados positivos do setor de serviços chinês, que em NOV/16 se expandiu no ritmo mais forte em 16 meses, (2) da EUROPA, recuperando as perdas da abertura, Inglaterra 0,2%, França 1,0% e Alemanha 1,6%, aliviadas por declarações tranquilizadoras de um diretor do BC Europeu, que ressaltou que bancos específicos da Itália têm problemas, mas não o setor bancário do país como um todo, e que esses problemas são gerenciáveis, e com destaques de alta para as mineradoras, como Antofagasta (5,3%) e Glencore (4,8%), diante da valorização das commodities e (3) dos EUA, com o DJ no maior patamar da história, S&P 0,6%, DJ 0,2% e NASDAQ 1,0%, com destaques de alta para as empresas dos setores de energia, financeiro e de consumo discricionário.

Mostrando, pela enésima vez, como é difícil fazer negócios em um país com a mentalidade socialista como o Brasil, ontem, com o argumento marxista de que a operação causaria interferência direta na vida de todos os cidadãos do país, já que o novo controlador definirá condições contratuais com postos e garantia do suprimento, um juizeco da 3ª Vara da Justiça Federal de Sergipe determinou a suspensão imediata do processo de venda da BR Distribuidora, uma das principais operações do plano de desinvestimentos da Petrobras.

Após receber bastante “moral da chefia”, que no fundo precisa mais dele do que ele do chefe, Meirelles, ministro brasileiro da Fazenda, “prometeu”, durante uma palestra da Fiesp, que o governo está preparando uma série de medidas para estimular a economia no curto prazo, ressaltando que os esforços na área da infraestrutura demoram para gerar efeitos práticos.

Ontem foi divulgado um estudo de economistas do Ipea (1) alertando que, diante da profundidade da recessão, a implementação de um teto de gastos públicos e a redução da taxa de juros pelo BC são insuficientes para que o país volte a crescer e (2) ressaltando que é fundamental também aprovar as reformas da Previdência e das legislações tributária e trabalhista, além de mudanças regulatórias para estimular o investimento privado e maior participação do Brasil no comércio internacional.

Estava para ser aprovado na mesa de negociação em Genebra um acordo que visava estabelecer o livre comércio para bens ambientais entre 46 países, o que poderia movimentar US$ 1 tri por ano em produtos como lâmpadas LED, aparelhos solares e turbinas, além de outros 300 itens que poderiam ajudar a combater as mudanças climáticas, porem a China, seguindo o que fez o Brasil 2 anos atrás, insistiu em apresentar suas próprias propostas, criando um impasse e gerando confusão praticamente às vésperas de o país reivindicar um estado de economia de mercado em todo o mundo.

-    A JBS caiu -3,8%, já que a empresa, como não tem mais as “doces tetas do BNDES para mamar”, anunciou uma revisão em seus planos de reorganização, prevendo um pedido de oferta pública inicial de ações nos EUA em 2017 de uma subsidiária na Holanda que vai concentrar todas as suas operações internacionais e da Seara, mantendo a sede do grupo no Brasil.
-    A Petrobras caiu -1,1%, já que a demora da empresa em anunciar um reajuste dos combustíveis, que foi anunciada apenas após o fechamento do pregão, gerou dúvidas sobre a sua real autonomia.

Política:

Atendendo aos anseios da população, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, decidiu afastar o peemedebista Renan Calheiros da presidência do Senado, colocando no seu lugar o petista Jorge Viana, vice-presidente da Casa, que pode trazer enormes dificuldades para o governo Temer aprovar matérias de seu interesse.

Segundo “rumores”, cada dia mais fortes no “mercado”, a delação de executivos da Odebrecht deve implicar mais de 300 políticos, sendo ao menos 7 ministros do presidente Temer, que por sua vez também será citado nas delações de Marcelo Odebrecht e de mais ao menos 2 executivos da empreiteira, por doações eleitorais negociadas diretamente por ele.

Conforme já era de se esperar, a CUT, que é alinhada ao PT, mostrou que está “se lixando” para os trabalhadores já que não participou da reunião com o presidente Temer no Palácio do Planalto para a apresentação da proposta de reforma da Previdência, que deve ser enviada ao Congresso hoje.

Ressaltando que “do jeito que está não passa, ontem, após reunião no Palácio do Planalto, o presidente da Força Sindical, deputado Paulinho da Força, adiantou que já prepara uma emenda para alterar a proposta de reforma da Previdência que o governo promete enviar ao Congresso Nacional.

Já com o sorrisinho no canto do rosto, ontem, minutos após a decisão do ministro Marco Aurélio Mello de afastar Renan Calheiros da Presidência do Senado, o petista Lindbergh Farias, líder da oposição, defendeu o adiamento da conclusão da votação da proposta que congela os gastos federais por 20 anos, prioridade legislativa do governo Temer em 2016.

Conhecedor das leis e das maracutaias, Renan Calheiros se recusou a assinar a notificação de seu afastamento do cargo de presidente do Senado pelo Supremo Tribunal Federal, ressaltando que a referida corte não o ouviu sobre seu afastamento e ressaltando que a decisão do ministro Marco Aurélio Mello, que o afastou, é provisória.

Escolhendo o lado da população, pois atualmente é mais conveniente a ele, o presidente Temer decidiu que a reforma da Previdência que pretende enviar hoje ao Congresso nacional vai incluir os parlamentares, o que indica que os políticos entrarão nas regras gerais.

Crítica:

Renan Calheiros pode, e deve, ser bandido, safado e corrupto, porem é bastante preocupante para a democracia tupiniquim que, após pressão popular, um ministro do poder judiciário, que existe para fazer as leis serem cumpridas, interfira de forma unilateral e arbitrária no poder legislativo, que abriga os representantes da população para fazerem as leis, afastando o presidente do Senado.

PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho

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