R.B. 20/DEZ/16 "Não existe almoço grátis"



"Não existe almoço grátis"

São Paulo, 20 de dezembro de 2016 (TERÇA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, tentando iniciar um movimento de recuperação após fechar o dia no menor patamar desde 16/SET/16 (aos 57.111pts), beneficiada pela valorização das commodities e pela expectativa de redução das tensões políticas por conta do recesso parlamentar e (2) o DÓLAR pode seguir em queda, acompanhando a esperada melhora do “humor” na bolsa brasileira, seguindo a trajetória internacional da moeda norte-americana e também influenciado pelos leilões de venda do BC.

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu -2,2%, com bom volume de negócios (R$ 11,4bi) por conta do vencimento de opções, acompanhando as perdas das commodities e prejudicadas pelos “temores” de piora do cenário político por conta das delações da Odebrecht e (2) o DÓLAR caiu -0,5% à R$ 3,37, influenciado por entrada de recursos no País e por uma correção de ganhos recentes.

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão -0,1%, em um movimento de cautela antes da decisão de política monetária do BC local e China -0,2%, pressionada por preocupações com o mercado de bônus chinês, após novos sinais de desaceleração no setor imobiliário do país, (2) da EUROPA, sem uma tendência única, Inglaterra 0,1% e Alemanha 0,2%, sustentadas pelo bom desempenho das ações das montadoras, porem França -0,2%, com destaques de queda para as ações de empresas do setor financeiro, em meio aos temores sobre o banco italiano Monte dei Paschi e (3) dos EUA, recuperando as perdas da abertura, S&P 0,2%, DJ 0,2% e NASDAQ 0,4%, com os investidores voltando suas atenções para papéis de companhias que ficaram de fora do rali acionário observado na sequência da vitória de Trump, como as dos setores financeiro e industrial, diante das “apostas” de um crescimento econômico mais acelerado do país.

Já influenciado pelos recentes dados de inflação divulgados, o “mercado” reduziu, pela sexta vez consecutiva, suas “apostas” para o IPCA deste ano, agora de 6,52% para 6,49%, patamar ligeiramente abaixo do topo da meta do BC (6,5%), porem a expectativa de contração do PIB em 2016 continua sendo de -3,48%, mesmo valor da semana passada.

Ressaltando que o governo está “tomando as medidas necessárias” para o país voltar a crescer, como a PEC que controla o crescimento dos gastos públicos, a reforma da Previdência e as “mudanças fortes na postura de combate à inflação”, Meirelles, ministro da Fazenda, afirmou que “aposta” na retomada da economia tupiniquim já a partir do primeiro trimestre de 2017.

Como é covarde e não gosta de confusão, Temer, após ter sua proposta criticada pelas centrais sindicais, decidiu adiar a discussão da flexibilização da jornada de trabalho e se limitará neste fim de ano a renovar o programa federal que reduz a perda salarial de trabalhadores que têm carga horária reduzida.

Buscando se modernizar, hoje o BC tupiniquim lançará uma agenda de reformas estruturais, incluindo o importantíssimo projeto de autonomia operacional da instituição, assunto que infelizmente ainda divide as bases do governo Temer e por este motivo não tem consenso para ser bancado pelo Palácio do Planalto.

Mostrando que a situação é pior do que os números oficiais mostram, ontem o IBGE divulgou uma nota alertando que, sem o desalento, que é quando o trabalhador desiste de procurar emprego por acreditar que não conseguirá a vaga, a taxa de desemprego do pais teria ficado em 12,4% no terceiro trimestre, em vez dos 11,8% registrados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad).

Seguro, eficiente, simples e com juros bem mais baixos que a média de mercado, neste ano, impulsionado pela crise, nos 10 primeiros meses deste ano o mercado de penhor no Brasil, que é um monopólio da Caixa Econômica Federal, registrou um crescimento de 11,9% na comparação com o mesmo período de 2015.

Com o Brasil “lutando” pelos seus direitos, a Câmara de Comércio Exterior autorizou a abertura de procedimento de solução de controvérsias contra o Canadá na Organização Mundial do Comércio sobre subsídios concedidos à Bombardier, concorrente direto da brasileira Embraer.

Política:

“Mostrando serviço” para tentar desviar a atenção da delação da Odebrecht, hoje o governo Temer vai tentar costurar um acordo para votar no início da tarde a proposta de renegociação da dívida dos Estados na Câmara dos Deputados, porem, caso não haja quórum necessário para votação, o tema só será retomado na volta dos deputados das férias parlamentares, em FEV/17.

Com as contas do Estado em péssima situação, ontem, após mais de 13 horas de sessão, os deputados estaduais gaúchos aprovaram apenas 3 das 26 propostas de um pacote de projetos enviado pelo governo estadual para conter gastos no Rio Grande do Sul.

Em uma tentativa arriscada de reverter a queda nos índices de popularidade, o presidente Temer discute com sua equipe fazer um pronunciamento público no final deste ano em cadeia nacional de rádio e televisão no qual faria um resumo dos 7 meses em que esteve à frente do Palácio do Planalto.

Segundo a delação premiada de um ex-executivo da empreiteira, o grupo Odebrecht obteve benefícios de pelo menos R$ 8,4bi com aprovação de duas medidas provisórias de 2006 a 2015 e para isto teve que pagar a congressistas cerca de R$ 16,9mi em propinas.

Defensor da saída do seu partido, o PSB, da base do governo Temer, Paulo Câmara, governador de Pernambuco e vice-presidente da referida legenda, fez ontem críticas ao presidente do Brasil, afirmando que "esperava mais" dele e reclamando da sua falta diálogo com a sociedade civil e com gestores públicos.

Fazendo uma critica direta ao correligionário Aécio Neves, reconduzido na semana passada ao comando nacional do PSDB, Pedro Tobias, presidente do PSDB de SP, afirmou que rechaça a hipótese de Alckmin deixar o partido e ressaltou que quem decidirá quem será o candidato tucano à presidente em 2018 será a militância, não a cúpula partidária.

Finalmente de saída da presidência do Senado, Renan Calheiros “avisou” que não tem ambições de assumir o comando da Comissão de Constituição e Justiça da Casa, porem já deixou claro que seu objetivo é liderar a bancada do PMDB, mantendo assim o controle de todas as articulações relevantes.

Crítica:

Como em uma economia capitalista e de livre mercado “não existe almoço grátis”, o setor de cartões já “avisou” ao governo Temer que, se entrarem em vigor medidas como a redução forçada no prazo de pagamento das compras no cartão de crédito para os lojistas, os juros cobrados no rotativo vão subir ainda mais.

Provando como é difícil manter a lei e a ordem em “um país de malandros”, segundo um relatório divulgado ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral 41,8% dos CPFs que fizeram doações para as campanhas eleitorais deste ano apresentaram algum indício de irregularidade, como exemplos 141.278 doadores estavam desempregados, 74.179 estavam inscritos no programa Bolsa Família e 408 pertenciam a pessoas mortas.

Com potencial para começar a mudar o Brasil, a ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, colocará à disposição do ministro Teori Zavaski a estrutura que o relator da Lava Jato precisar para analisar os documentos da delação premiada de 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht.

PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho

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