R.B. 14/DEZ/16 "Viciada em medidas do estado que facilitem seus negócios"



"Viciada em medidas do estado que facilitem seus negócios"

São Paulo, 14 de dezembro de 2016 (QUARTA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve cair, acompanhando as perdas das demais bolsas mundiais, influenciada pelos sinais de nova piora da economia tupiniquim e prejudicada pelo aumento da tensão política no Brasil e (2) o DÓLAR pode subir, acompanhando a esperada piora do “humor” na bolsa brasileira e também influenciado pela provável elevação da taxa básica de juros dos EUA pelo FED (“BC” norte-americano) na reunião que termina hoje durante o pregão.

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 0,2%, após um pregão marcado pela volatilidade, com máxima de 1,3% e mínima de -0,7%, o mercado de ações tupiniquim fechou em território positivo, em um “ajuste técnico” após acumular perdas de -4,4% nos 12 primeiros dias de DEZ/16, diante da valorização das commodities, do movimento ascendente das principais bolsas mundiais e da aprovação definitiva da PEC do teto dos gastos públicos no Senado e (2) o DÓLAR caiu -0,6% à R$ 3,32, para fechar em território positivo pelo sétimo pregão consecutivo, influenciado pelos mesmos motivos que impulsionaram a bolsa e também pelos leilões de venda do BC.

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão 0,5% e China 0,3%, beneficiadas pela publicação de dados positivos da economia chinesa, como o crescimento de 6,2% da produção industrial e de 10,8% das vendas do varejo, (2) da EUROPA, Inglaterra 1,1%, França 0,9% e Alemanha 0,8%, impulsionadas pelas ações dos bancos, como UniCredit (8,6%), Monte dei Paschi (1,9%), Société Générale (1,1%) e Santander (1,9%), diante de notícias positivas do setor na Itália, que também anunciou um novo governo interino comandado pelo ex-ministro das Relações Exteriores Paolo Gentiloni, o que por sua vez agradou o “mercado” e (3) dos EUA, renovando as máximas históricas, S&P 0,6%, DJ 0,9% e NASDAQ 0,6%, com os investidores na expectativa pelas previsões econômicas de 2017 que serão divulgadas hoje pelo Fed (“BC” local), que por sua vez segundo as “apostas de 95% do mercado” vai anunciar a elevação dos juros do país em 0,25%.

Aparentando bastante otimismo com a aprovação da PEC do teto dos gastos, Ilan Goldfajn, presidente do BC, afirmou que a medida ajuda a reduzir a taxa básica de juros brasileira de maneira estrutural, uma vez que, alem de reduzir o endividamento do país, exigirá uma escolha mais acurada das despesas públicas.

Fiador econômico do governo Temer, Meirelles, ministro brasileiro da Fazenda, “prometeu” que amanhã serão anunciadas uma série de medidas que visam estimular o crescimento da economia brasileira desburocratizando e facilitando negócios e a tomada de crédito no país.

Confirmando que, sem a reforma da previdência o país não sairá do buraco, o gasto público em aposentadorias e pensões, incluindo tanto trabalhadores do setor privado como funcionários públicos, atingiu cerca de R$ 700bi no ano passado, se aproximando de 12% do PIB.

Mostrando mais uma vez que a economia tupiniquim encontra enormes dificuldades de recuperação, em OUT/16 as vendas no varejo brasileiro, prejudicadas pelo alto endividamento da população, pela elevada taxa de juros e pelo aumento do desemprego, recuaram -0,8% na comparação com o mês anterior e -8,2% sobre um ano antes.

Fruto do aprofundamento da crise econômica e também da enorme falta de educação financeira do brasileiro, que consome mais do que precisa para impressionar quem não precisa, em NOV/16, mesmo com a redução de -0,25% na Selic, a taxa de juros média cobrada (1) no rotativo do cartão de crédito atingiu estratosféricos 459,5% ao ano, (2) nos empréstimos de pessoas físicas ficou em 157,47% ao ano e (3) no cheque especial bateu 313,6% ao ano.

Mais pessimista que o governo, que projeta 1,0%, e também que o “mercado”, que “aposta” em 0,70%, ontem a Confederação Nacional da Indústria anunciou que suas espera que o PIB tupiniquim cresça somente 0,5% em 2017 em meio a um cenário de desemprego elevado e de baixo consumo.

“Viciada em medidas do estado que facilitem seus negócios”, a indústria tupiniquim de construção de imóveis residenciais está pleiteando junto ao governo federal a criação da faixa quatro do programa Minha Casa Minha Vida, em que o limite de renda seria de R$ 15 mil.

Projetando para este ano uma retração de -7,8% nas vendas na comparação com 2015, o que representará a terceira queda anual consecutiva, a indústria tupiniquim de transformados de alumínio, que na média dos últimos 30 anos cresceu o dobro do PIB, vive o pior momento de sua história.

Diante do elevado endividamento da população e da falta de confiança no futuro, a procura de consumidores por crédito caiu -9% no acumulado de 12 meses até dezembro deste ano, apontam dados da Boa Vista SCPC.

Comandada pelo PT, a Federação Única dos Petroleiros, que representa funcionários da Petrobras, rejeitou a proposta da petroleira para o Termo Coletivo de Trabalho 2015/2017 e irá convocar os trabalhadores para a realização de paralisações a partir de 23/DEZ/16.

Política:

Conforme esperado, ontem, aumentando as chances de “sobrevivência econômica” do país, o plenário do Senado aprovou em segundo turno, e de forma definitiva, a PEC do Teto dos Gastos, porem o placar favorável ao governo Temer (53 a 16) ficou abaixo do registrado no primeiro turno, o que, para alguns analistas e para a oposição, pode indicar um acirramento da crise política.

Provavelmente falando a verdade, já que mentir na delação premiada anula o referido ato e impedirá a redução de sua pena, Marcelo Odebrecht, Ex-presidente e herdeiro do grupo Odebrecht, confirmou à Lava Jato a versão do ex-executivo da empreiteira Cláudio Melo Filho sobre pagamento de R$ 10mi ao PMDB feito a pedido do presidente Temer em 2014.

O país tem 81 “nobres senadores” com mandato de 8 anos, salário bem acima da média nacional e regalias que invejam até um marajá, porem ontem, no importante dia da votação da PEC do teto dos gastos públicos, apenas 69 destes parlamentares estavam presentes no Plenário.

Sem o apoio oficial do governo e com a indicação do Senado de que não pretende votar tão cedo o projeto que regulamenta as terceirizações no país, a base de apoio de Temer na Câmara quer colocar a medida em vigor, permitindo às empresas terceirizar toda a sua produção, incluindo a chamada "atividade-fim".

Usando o mesmo discurso de Dilma, a cúpula do Planalto e dirigentes dos principais partidos aliados decidiram “enfrentar” o Ministério Público Federal com o intuito de blindar o governo e sua base no Legislativo contra as delações da Odebrecht e agora a orientação é dizer que os procuradores jogam contra a recuperação do país.

Segundo investigadores da Polícia Federal, o vergonhoso pedido de anulação da delação de Cláudio Melo Filho, que atinge em cheio a cúpula do PMDB, sugerido pelo presidente Temer em carta ao procurador-geral Rodrigo Janot é só mais um passo no sentido de anular a Lava Jato.

Em uma enorme contradição, na mesma semana em que aprova o teto de gastos, o Planalto deve liberar reajustes de carreiras públicas como auditor da Receita, auditor do Trabalho, analista de infraestrutura e oficial de chancelaria.

“Mostrando serviço”, ontem o plenário do Senado aprovou um projeto de lei criando uma nova regulamentação para licitações e contratos da administração pública, que eleva a pena para fraudes em licitações para até oito anos de prisão, o dobro do máximo previsto hoje, mas restringe a fiscalização do Tribunal de Contas da União, fazendo com que o órgão tenha que comprovar tecnicamente a vantagem de parar uma obra.

Crítica:

Fazendo coisas boas para a humanidade, e também se livrando de pagar impostos, já que nos EUA a taxação sobre heranças chega a mais de 50%, o bilionário Bill Gates lidera uma coalizão de doadores comprometidos a investir mais de US$ 1bi em tecnologias inovadoras no campo das energias limpas para combater o aquecimento global.

“Terroristas de aluguel” comandados pelo PT e pela CUT, que não sabem viver em democracia, promoveram ontem atos de vandalismo, depredação e violência em SP e em Brasília travestidos de protestos contra a PEC do Teto, o que exige uma reação dura das autoridades competentes.

PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho

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