R.B. 13/DEZ/16 "Ainda tem bastante mortadela no bolso"



"Ainda tem bastante mortadela no bolso"

São Paulo, 13 de dezembro de 2016 (TERÇA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, em um “ajuste técnico” após acumular perdas de -4,4% nos 12 primeiros dias de DEZ/16, ampliando a valorização acumulada no ano (36,5%) diante da valorização das commodities e do movimento ascendente das principais bolsas mundiais e (2) o DÓLAR pode subir, acompanhando a valorização internacional da moeda norte-americana  diante das “apostas” de alta dos juros na reunião de política monetária do Fed (“BC” dos EUA) que começa hoje e termina amanha.

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu -2,2%, para fechar em território negativo pelo terceiro pregão seguido, prejudicada pelo crescente aumento da tensão política causado pelo inicio da divulgação do conteúdo das delações premiadas da Odebrecht, que traz riscos cada dia maiores para a governabilidade de Temer e para a aprovação das reformas e (2) o DÓLAR -0,7% à R$ 3,34, alinhando-se ao recuo frente a divisas de economias emergente e ligadas a commodities, após um pregão marcado pela forte volatilidade, com mínima de R$ 3,34 e máxima de R$ 3,41.

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, sem uma tendência única, Japão 0,8%, renovando a máxima do ano, beneficiada pelo bom desempenho de ações de petrolíferas e de exportadoras e China -2,5%, registrando a maior queda porcentual desde 13/JUN/16, após o regulador da indústria de seguros chinesa proibiu a Evergrande Life de continuar investindo em ações, com a alegação de que a empresa vinha fazendo operações de curto prazo no mercado, (2) da EUROPA, realizando lucros recentes, Inglaterra -0,9%, França -0,1% e Alemanha -0,1%, com destaques de queda para as ações dos bancos, e (3) dos EUA, sem uma tendência única e com pouca volatilidade, S&P -0,1%, DJ 0,2% e NASDAQ -0,6%, divididas entre o bom desempenho das empresas do setor de energia e a realização de lucros dos bancos.

Começa hoje, termina amanha e afeta o mundo todo a ultima reunião do ano do Fed (“BC” dos EUA) e, embora já esteja praticamente certo que a autoridade monetária norte-americana elevará sua taxa básica de juros, as pistas do que será feito no ano que vem é fundamental para os investidores. algum sinal sobre o ritmo das elevações nos juros nos próximos anos.

Já influenciado pelo resultado bem abaixo do esperado do IPCA de NOV/19, o “mercado” reduziu substancialmente suas “apostas” para a inflação oficial este ano, desta vez de 6,69% para 6,53%, se aproximando assim do teto da meta (6,5%), porem, pela 9 semana consecutiva, a previsão para o desempenho do PIB neste ano voltou a cair, passando de -3,43% para -3,48%.

Repetindo “um velho mantra”, Ilan Goldfajn, presidente do BC tupiniquim, defendeu reformas para aumentar a produtividade e o crescimento de longo prazo da economia brasileira, bem como da seguridade social, ressaltando que quanto mais o país perseverar neste caminho de ajustes, mas rápida será a retomada.

Como se não conhecesse as regras do livre mercado e a irrisória concorrência do mercado bancário tupiniquim, causada justamente pelo sucesso dos lobistas dos granes bancos privados, Meirelles, ministro brasileiro da Fazenda, afirmou que a redução da taxa básica de juros pelo BC não vem alcançando o efeito esperado na economia porque os bancos, temerosos diante do aumento da inadimplência, não estão repassando essa queda para as empresas e as famílias, mas sim absorvendo-a no spread.

Ajudando as micro e as pequenas empresas, que aliás são as que mais empregam no país e que atualmente juntas tem R$ 46bi em impostos não pagos, o BNDES anuncia hoje um "plano de ação" com o objetivo de facilitar o acesso aos financiamentos do referido banco de fomento a este segmento.

-    Reduzindo a “bolsa empresário”, hoje o BNDES também anuncia que vai estipular um teto para a distribuição de dividendos das grandes empresas financiadas a juros subsidiados pelo governo.
-    Para tentar reagir ao aprofundamento da crise política, o governo Temer estuda medidas para incluir mais famílias de classe média no programa Minha Casa, Minha Vida.

Ontem os contratos futuros do petróleo chegaram a subir até 6,5%, atingindo uma máxima de 18 meses, após o cartel da Opep e alguns de seus rivais chegarem ao seu primeiro acordo desde 2001 para reduzir conjuntamente a produção, tentando combater o excesso de oferta global e assim aumentar os preços.

-    A Lockheed Martin, fabricante de aviões, caiu -2,4% na bolsa de NY, após Trump, presidente eleito do país, afirmar, em seu perfil no Twitter, que pretende reduzir os custos do programa do caça F-35 que, segundo ele, estão "fora de controle".

Política:

Para mostrar que “ainda tem bastante mortadela no bolso”, o ex-presidente Lula, que deveria estar preocupado em se livrar da cadeia, se reuniu ontem com representantes de centrais sindicais para traçar uma estratégia de oposição à proposta de reforma da Previdência encampada pelo governo Temer, que segundo ele quer resolver problema fiscal nas costas dos trabalhadores.

Fazendo qualquer pessoa com o mínimo de bom censo se perguntar como ele ainda está solto e presidindo o Senado, ontem a procuradoria-geral da República apresentou denúncia contra o peemedebista Renan Calheiros ao Supremo Tribunal Federal sob acusação de corrupção passiva pelo recebimento de R$ 800 mil em propina.

Dificultando a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição  do Teto dos Gastos, cuja votação final está marcada para hoje no Senado, ontem foi divulgada uma pesquisa indicando que, apesar de não entenderem patavina do tema, 6 entre 10 brasileiros são contrários a medida.

Já como reflexo das primeiras revelações da delação premiada da Odebrecht, ontem, em uma tumultuada sessão que se estendeu por mais de 4 horas, os “nobres” deputados federais adiaram por mais 2 dias a apresentação e a votação do parecer favorável à Proposta de Emenda à Constituição elaborada pelo governo para alterar as regras da Previdência no país.

Em meio ao agravamento da crise política e à piora na avaliação da administração do presidente Temer, cuja aprovação popular está em apenas 14%, os partidos do centrão, como PP, PSD e PTB, ameaçam deflagrar uma rebelião contra propostas de interesse do Palácio do Planalto, como a reforma da Previdência e outras iniciativas que podem ser consideradas impopulares.

Atuando nos bastidores para barrar a reeleição de Aécio como presidente do PSDB, Alckmin, o governador tucano de SP, entregou ontem ao presidente Temer, em evento no Palácio dos Bandeirantes, o prêmio Líder do Brasil organizado pelo Lide, grupo empresarial de João Dória, prefeito eleito de SP.

Crítica:

Podendo estremecer os alicerces da democracia norte-americana, segundo uma reportagem d o jornal "Washington Post", a famosa agencia de inteligência CIA descobriu que hackers trabalhando para o governo russo agiram para favorecer Trump na eleição presidencial dos EUA neste ano.

PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho

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