R.B. 24/NOV/16 "Liberando os laranjas"



"Liberando os laranjas"

São Paulo, 24 de novembro de 2016 (QUINTA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve cair, com baixo volume de negócios por conta do feriado em NY, realizando lucros acumulados no mês (4,5%) e no ano (43,0%), diante do aumento da tensão política com a provável assinatura de delação premiada de cerca de 80 bandidos que ocupavam, e ainda ocupam, cargos de direção na Odebrecht e (2) o DÓLAR pode subir, para fechar em território positivo pelo terceiro dia seguido, acompanhando a esperada piora do “humor” na bolsa brasileira e ainda influenciado pelo aumento das “apostas” de alta dos juros nos EUA e de queda da Selic no Brasil.

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 0,1%, para fechar em território positivo pelo quarto pregão consecutivo, recuperando as perdas da abertura (-1,2%), com bom volume de negócios (R$ 7,1bi) e ainda acompanhando o movimento ascendente das commodities, que beneficiou a Usiminas (7,6%) e a Vale (1,3%) (2) o DÓLAR 1,0% à R$ 3,39, alinhando-se ao movimento no exterior, diante do aumento das “apostas” de aperto monetário nos EUA, alimentadas por nova rodada de indicadores positivos no país do Tio Sam.

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão não teve pregão por conta de feria-0,1%, França -0,4% e Alemanha -0,5%, pressionadas por ações de bancos, diante da fala do ministro de Finanças do Reino Unido, Phillip Hammond, que afirmou que a economia da região irá crescer em ritmo mais lento do que o previsto nos próximos anos e (3) dos EUA, próximas da estabilidade e sem uma direção única, S&P -0,1%, DJ 0,2% e NASDAQ 0,2%, em um movimento de cautela antes do feriado de Ação de Graças e mesmo diante da divulgação do sentimento do consumidor, calculado pela Universidade de Michigan, que subiu mais do que o esperado na leitura prévia de NOV/16.

Elevando para mais de 90% as “apostas” de que o Comitê de Política Monetária tupiniquim vai reduzir em -0,5% a taxa básica de juros na sua reunião da próxima semana, que aliás será a ultima do ano, em NOV/16 o IPCA-15, que é a prévia da inflação oficial, subiu 0,26%, o que representa o menor patamar para meses de novembro desde 2007 e eleva o total acumulado neste ano para 6,38%, patamar bem inferior ao auferido no mesmo período de 2015 (9,42%).

Dando noticias positivas da economia tupiniquim, (1) em OUT/16 a dívida pública federal recuou -0,46% em relação a SET/16, para R$ 3,033 trilhões e a participação dos investidores estrangeiros em títulos da dívida interna recuou ligeiramente a 14,90%, contra 14,97% do mês anterior e (2) o Tribunal de Contas da União autorizou o BNDES a devolver ao governo federal R$ 100bi que, durante o governo Dilma, pegou emprestado para repassar a juros baratos para “empresas amigas”.

Agora focando em projetos importantes para o país, e não naqueles estrategicamente vantajosos para os “amigos do poder”, nos 10 primeiros meses deste ano os desembolsos feitos pelo BNDES somaram R$ 69bi, o que representa queda de -35% em relação ao mesmo período de 2015.

Sempre com uma visão peculiar dos fatos, Serra, sabiamente escalado como chanceler brasileiro pelo presidente Temer, afirmou, durante visita oficial à Espanha, que a incerteza global com a saída do Reino Unido do bloco europeu e com a eleição de Trump, que já “avisou” que vai acabar com a parceria do Transpacífico, pode incentivar as recém-retomadas negociações entre Mercosul e União Europeia.

Ajudando um pouco o consumidor tupiniquim, que é analfabeto financeiro e, estimulado pela impressa e pela classe política, acredita que é crime ter conta no exterior, o BC decidiu ontem que quem fizer compras em moeda estrangeira pode ter a opção de pagar a fatura do cartão de crédito internacional com a conversão do dólar referente à data de cada compra, isto obviamente se o emissor de cartão fazer a oferta e o cliente aceitar.

-    A Petrobras caiu -0,5%, acompanhando a realização de lucros do petróleo, porem após o fechamento do pregão a empresa anunciou que aprovou um acordo para encerrar 11 ações individuais propostas na Corte Federal de NY.

Política:

Vetando os parentes de políticos, mas obviamente “liberando os laranjas”, na noite de ontem o plenário do Senado aprovou, por 47 votos a 11, o projeto que reabre o programa de regularização de recursos não declarados de brasileiros no exterior, definindo também que desta vez 46% do que for arrecadado irá para Estados e municípios e que a alíquota total subirá de 30% para 35%.

Pensando em nomes como Falconi, McKinsey e Accenture, João Dória, prefeito eleito de SP, negocia a atuação de consultorias de gestão nacionais e internacionais em seu governo e inclusive já definiu que as áreas prioritárias serão educação, saúde e desburocratização de abertura de empresas e emissão de alvarás.

Obstinado em derrubar um dos principais assessores do presidente Temer, o ex-ministro do turismo Marcelo Calero prestou depoimento à Polícia Federal sobre as acusações, feitas em entrevista à Folha, de que Geddel Vieira Lima usou o cargo para pressioná-lo a liberar a construção de um empreendimento imobiliário em Salvador.

Depois de trabalhar para incluir nas dez medidas contra a corrupção a anistia ao caixa dois e o crime de responsabilidade para procuradores e magistrados, congressistas já se preparam para o troco da Lava Jato, já que a força-tarefa nunca perdoou tentativas de cercear a operação ou aliviar a vida dos políticos.

Pelo cronograma imaginado, a assinatura da delação da Odebrecht e as operações que resultarão deste acordo seriam deflagradas no primeiro semestre de 2017, coincidindo com a tramitação da reforma da Previdência e consequentemente dificultando a aprovação de mudanças profundas.

A bancada paulistana do PSDB decidiu seguir a orientação de João Doria e apoiar Milton Leite, vereador do DEM, à presidência da Câmara, sacramentando o rompimento do presidente municipal do partido, Mario Covas Neto, que queria o posto, com novo prefeito.

Agindo de forma sorrateira, Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, acertou ontem com líderes dos principais partidos políticos a emenda que pretende anistiar a prática do caixa dois eleitoral e que pode livrar a maioria dos alvos da Operação Lava Jato.

Coberto de razão, ao menos desta vez, Alessandro Molon, deputado federal do REDE pelo RJ, afirmou que é absolutamente surreal o Congresso decidir pegar carona em uma lei contra a corrupção para aprovar a anistia ao caixa dois.

Crítica:

Mostrando mais uma vez a urgência de se fazer uma reforma ampla e profunda na previdência publica tupiniquim, segundo um estudo feito pelo Tribunal de Contas da União (TCU), se nada for feito os maiores Estados e municípios brasileiros vão ver suas despesas com aposentados subir de uma média de 20% das receitas correntes para 28% até o fim da próxima década apenas pelo crescimento da quantidade de beneficiários.

Zombando da cara dos brasileiros e descaradamente comprando apoio na mídia, a Odebrecht, que se estivesse em um país sério já estaria falida e fechada, vai gastar milhões para publicar um anúncio de duas páginas nos principais jornais do país com um pedido de desculpas à população pelo fato de o grupo ter-se valido de corrupção para fechar contratos de obras públicas, ressaltando também que os acordos de delação e de leniência significam uma virada de página na história da empreiteira.

PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho

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