R.B. 10/NOV/16 "O muro de Trump será cheio de portas, porteiras, portões e portais"



"O muro de Trump será cheio de portas, porteiras, portões e portais"

São Paulo, 10 de novembro de 2016 (QUINTA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, acompanhando o movimento ascendente das principais bolsas mundiais e das commodities, diante da avaliação de que “o muro de Trump será cheio de portas, porteiras, portões e portais” e da constatação de governos republicanos sempre foram melhores para as bolsas de valores e (2) o DÓLAR pode seguir em alta, influenciado pelos sinais de que, mesmo à custa de mais inflação e consequente aumento mais rápido dos juros norte-americanos, o governo Trump adotará medidas de estímulo econômico, com foco em investimentos pesados em infraestrutura.

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu -1,4%, recuperando ao longo do dia boa parte das perdas registradas no início do pregão, quando na mínima recuou -3,7%, diante de um discurso de vitória conciliador feito por Trump, o novo presidente dos EUA, e da valorização do minério de ferro (4,7%) e (2) o DÓLAR subiu 1,6% à R$ 3,22, acompanhando a esperada piora do “humor” na bolsa tupiniquim, seguindo a desvalorização internacional das moedas dos países emergentes e se adiantando a um movimento de alta de juros nos EUA e de queda da Selic no Brasil.

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, reagindo primeiro à vitória de Trump nas eleições presidenciais norte-americanas, Japão -5,4% e China -0,6%, diante das incertezas e dos temores de aumento da tensão geopolítica, (2) da EUROPA, recuperando todas as fortes perdas da abertura, Inglaterra 0,8%, França 1,3% e Alemanha 1,5%, à medida que os investidores digeriam a vitória do democrata e começaram a comprar ações de empresas que podem se beneficiar na sua administração, como as de infraestrutura e de defesa e (3) dos EUA, também revertendo uma abertura negativa, S&P %, DJ % e NASDAQ %, diante do tom conciliador do primeiro discurso do novo chefe do país e da recordação de que governos republicanos são historicamente melhores para os mercados financeiros.

Aparentando tranquilidade, como sempre e como o cargo exige, Meirelles, ministro tupiniquim da Fazenda, afirmou que está acompanhando serenamente os efeitos que a eleição de Trump como presidente dos EUA pode ter para as projeções do crescimento do Brasil, em especial em 2017, e “garantiu” que o país está preparado para lidar com a instabilidade dos mercados.

Infinitamente menos desesperada do que os jornalistas socialistas da TV Globo, que pintaram Trump como um anticristo, a associação brasileira de fabricantes de máquinas (Abimaq), que foi o setor que mais exportou para os EUA em 2016, divulgou ontem um comunicado ressaltando que acredita que Trump vai moderar sua retórica protecionista nas relações comerciais.

“Apostando” na recuperação da economia tupiniquim e com o objetivo de ampliar em até 35% sua produção, a Lonza investirá R$ 40mi na ampliação em Pernambuco de uma fábrica da Hth, de produtos químicos para tratar água, e outros R$ 12mi em um laboratório em SP, e já prevê para este ano um aumento da receita de 10% a 15%.

Apresentando mais um sinal do estouro da bolha imobiliária tupiniquim, que aliás deve seguir ocorrendo ao menos nos próximos 2 anos mesmo com a eventual recuperação da economia do país, em SET/16 o saldo dos empregos no setor de construção de SP foi 12,6% menor que em SET/15 e, segundo o sindicato do setor, as demissões chegaram aos cargos de supervisão e gerência das empresas.

Indicando que a inflação segue controlada e que o Copom pode continuar cortando a taxa básica de juros nas suas próximas reuniões, o IPCA de OUT/16, mesmo pressionado pelo setor de transportes, ficou em 0,26%, patamar inferior ao esperado pelo “mercado” (0,29%), bem mais baixo que o apresentado em OUT/15 (0,82%) e também o menor para o referido mês desde OUT/00 (0,14%), acumulando com isto uma alta de 7,87% nos últimos 12 meses.

Dando um importante passo para salvar a maior e mais importante empresa do Brasil, ontem o plenário da Câmara dos Deputados concluiu a aprovação do projeto de Lei que acaba com a obrigatoriedade de a Petrobras ser a operadora única do pré-sal, o que ampliará a participação privada na exploração dos campos, e agora o texto segue para a sanção do presidente Temer.

-    O Itaú caiu -3,2%, porem ontem o banco anunciou que Candido Bracher, que dos 57 que tem passou os últimos 35 anos respirando o mercado financeiro, será o seu novo presidente, o que deve aumentar ainda mais o foco na qualidade e no bom atendimento ao cliente que a referida instituição já tem.
-    A Oi caiu -4,8%, já que a operadora, que mesmo usufruindo de um quase monopólio do setor de telefonia no país está em recuperação judicial, anunciou um prejuízo líquido de R$ -1,0bi no terceiro trimestre do ano.

Política:

Apesar da chiadeira e dos chiliques da oposição, que faz muito barulho mas tem pouquíssimos votos, ontem a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou, por 19 a 7, a PEC que estabelece um limite para os gastos do governo por vinte anos, uma das prioridades da gestão Temer no Congresso em 2016, que agora vai para sua ultima fase, que é a votação no plenário da Casa.

Em NY, para aumentar sua visibilidade global no momento em que os norte-americanos troca de presidente, Alckmin, governador de SP que só pensa em ser presidente do Brasil, se reúne hoje com Rob Kapito, CEO da BlackRock, uma das maiores gestoras do mundo, para apresentar o programa de investimentos no Estado, depois vai à agencia de classificação de risco Moody's para discutir a metodologia de “notas” da empresa e por fim se encontrará com António Guterres, novo secretário-geral da ONU.

“Armando uma arapuca” para o servidor publico mais admirado do Brasil, Renan Calheiros, o “malandro” presidente do Senado, anunciou que pretende chamar o juiz Sergio Moro, responsável pela operação Lava Jato, para debater sobre a proposta de lei que pune o abuso de autoridade e que está em tramitação na Casa.

Ontem, no mesmo dia em que um político com perfil igual ao seu foi eleito presidente dos EUA, Jair Bolsonaro, deputado do PSC do RJ, comemorou uma vitória no Conselho de Ética da Câmara, que decidiu, por 11 votos a 1, arquivar a representação que pedia a cassação do seu mandato por ele ter defendido em plenário a memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos principais símbolos da repressão durante a ditadura militar.

Com o objetivo claro de reduzir o número de partidos, ontem os senadores aprovaram, por 59 a 13 e em primeiro turno, uma proposta de reforma política que determina o fim das coligações e uma cláusula de barreira para as legendas terem acesso ao fundo partidário e a tempo de propaganda gratuita em rádio e TV.

Indicando que é cada vez maior a tendência, confirmada com a eleição de Doria em SP, de administrações publicas mais profissionais e menos políticas, Daniel Guerra, prefeito eleito pelo PR em Caxias do Sul, fez um apelo por currículos e recebeu 2.275 de pessoas interessadas em trabalhar na sua gestão, já que uma de suas promessas de campanha, que já está sendo colocada em prática, é reduzir pela metade os chamados cargos de confiança e contratar com base em critérios técnicos.

Ascendeu um sinal amarelo de alerta entre tucanos e integrantes do governo, já que nos últimos dias cresceu o temor de que o ministro Herman Benjamin, relator de processos no Tribunal Superior Eleitoral, recomende a cassação da chapa Dilma-Temer, sem separação de presidente e vice, o que geraria incertezas no mercado financeiro, ainda que ela precise ser ratificada pelo restante da corte.

As bancadas de PMDB e PSDB, que são as maiores da base aliada de Temer, já começam a se acotovelar por posições na Mesa diretora, caso vingue a candidatura de Rodrigo Maia à reeleição da presidência da Câmara com apoio das duas legendas.

Crítica:

Mostrando que socialista é antidemocrático em todo o mundo, já ontem na Califórnia, onde a democrata Hillary Clinton ganhou com mais de 60% dos votos, começou uma campanha na internet, criminosa aliás segundo as leis norte-americanas, para que o referido Estado se separe do restante dos EUA por conta da vitória do republicano Donald Trump na disputa presidencial do país.

A Apple, empresa de tecnologia mais admirada do mundo, se tornou a gigante que é hoje com um chefe, não com um líder, e Trump, assim como Steve Jobs, é competitivo, ousado, gosta muito de dinheiro e reflete com perfeição a sociedade norte-americana, por isto, apesar dos temores de que ele construirá um muro em volta dos EUA, é obvio que este “muro terá portas, porteiras, portões e portais”.

PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho

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