R.B. 1/SET/16 "Dilma deu um golpe na constituição"



"Dilma deu um golpe na constituição"

São Paulo, 1 de setembro de 2016 (QUINTA-FEIRA).

Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, após acumular alta de 1,0% no mês passado e de 33,6% nos 8 primeiros meses de 2016, acompanhando a melhora do “humor” nas principais bolsas mundiais e influenciada pela avaliação de que a manutenção dos direitos políticos de Dilma é um problema a mais para o PT e não para o Brasil e (2) o DÓLAR pode subir, acompanhando a trajetória internacional da moeda norte-americana e também os sinais dados pelo Copom de que, se tudo caminhar bem, a taxa de juros brasileira pode começar a cair ainda neste ano.

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu -1,1%, com bom volume de negócios (R$ 8,6bi), porem revertendo uma abertura negativa, prejudicada pelo recuo das commodities, acompanhando as perdas das bolsas de NY e em um primeiro momento “frustrada” com a decisão do Senado de, apesar de cassar o mandato, manter os direitos políticos da ex-presidenta Dilma e (2) o DÓLAR caiu -0,4% à R$ 3,23, após um pregão marcado pela forte volatilidade, influenciado pela disputa para a formação da cotação de fechamento do mês e pelas expectativas de manutenção dos juros do país pelo Copom.

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão 1,0%, com as exportadoras ainda beneficiadas pela desvalorização da moeda local (o iene) frente ao dólar e China 0,3%, esperando, com otimismo, a divulgação de indicadores de atividade da segunda maior economia do mundo, (2) da EUROPA, Inglaterra -0,6%, França -0,4% e Alemanha -0,6%, prejudicadas pela forte queda do petróleo (-3,3%), após a divulgação de que os estoques da commodity no EUA estão bem maiores do que se esperava e (3) dos EUA, S&P -0,2%, DJ -0,3% e NASDAQ -0,2%, também pressionadas pelo recuo do petróleo (-3,3%), que contaminou os papéis do setor de energia, como a Chevron (-1,1%), e influenciadas negativamente pela divulgação de dados de criação de empregos melhores do que o esperado, o que elevou as “apostas” de alta dos juros da maior economia do mundo já em SET/16.

Ontem, no mesmo dia que em que o impeachment de Dilma foi confirmado e que o PIB brasileiro mostrou a sexta retração trimestral consecutiva, o Copom do BC tupiniquim decidiu manter da taxa básica de juros, a Selic, em 14,25% ao ano pela non vez consecutiva, porem agora a autoridade monetária listou claramente no comunicado que, caso o preço dos alimentos comece a cair e o ajuste fiscal seja aprovado no Congresso Nacional, pode existir espaço para um corte de juros já na próxima reunião.

Mostrando “o tamanho da encrenca deixada pela ex-presidenta Dilma”, o IBGE divulgou que o PIB brasileiro do 2º trimestre recuou -3,8% na comparação com o mesmo período de 2015, patamar acima do esperado pelo “mercado” (-3,6%), porem, apesar da retração da atividade econômica, a indústria (alta de 0,3% na comparação com o trimestre anterior) e os investimentos (alta de 0,4% na comparação com o trimestre anterior) mostraram uma leve reação e houve uma melhora no humor dos empresários, que anteviram o fim da era PT.

Em situação delicada, as contas do setor público brasileiro mostraram um déficit de R$ -154bi nos 12 meses encerrados em JUL/16, valor que (1) corresponde a 2,54% do PIB, (2) representa um patamar recorde da série histórica iniciada pelo BC em 2002 e (3) tem se aproximado mês a mês da meta fixada na lei orçamentária para este ano, que é um déficit de R$ -163,9bi (2,6% do PIB).

Tentando aparentar otimismo, Meirelles, ministro da Fazenda, “garantiu” que o PIB brasileiro voltará a crescer nos últimos 3 meses deste ano, impulsionado pela recuperação da confiança, do consumo das famílias e dos investimentos, e terá, em 2017, um resultado positivo de 1,6%, patamar acima das atuais “apostas do mercado” (1,23%).

Ontem, logo após Temer ser empossado como presidente do Brasil, a equipe econômica apresentou ao Congresso a proposta de Orçamento para 2017, que prevê (1) a correção de 5% da tabela do Imposto de Renda, (2) o reajuste para os ministros do Supremo Tribunal Federal, (3) a não elevação ou criação de tributos/impostos, (4) a limitação do crescimento dos gastos públicos à inflação de 2016 e (3) um déficit de R$ -139bi nas contas federais (2% do PIB).

“Apostando alto” na recuperação da economia brasileira, (1) a GetNet, do Santander, espera que o mercado de cartões volte a crescer acima dos dois dígitos no ano que vem e (2) o grupo mineiro Tenco vai encerrar este ano com um aporte de R$ 400 milhões para começar a construir 4 shoppings em cidades do interior de SP, MG e Bahia.

Política:

Segundo as ultimas pesquisas divulgadas, a reprovação da ex-presidenta petista superava os 70%, e ontem, não coincidentemente com 61 votos a 20, o que representou mais de 75% do total e foi 7 a mais do que o necessário, o Senado, em um dia histórico para o Brasil, decretou o fim do governo Dilma, tirando o PT do poder após 13 anos e mostrando a todos os políticos do país que ninguém está acima da lei e principalmente da vontade popular.

Em uma manobra arquitetada e previamente ensaiada por Renan Calheiros, presidente do Senado, e Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo, a presidenta “Dilma deu um golpe na constituição” ao conseguir manter seus direitos políticos, o que certamente é uma enorme encrenca para o PT, que terá que arrumar uma “boquinha” para a referida ex-presidenta, que inclusive já demonstrou vontade de ser candidata ao senado pelo RS em 2018.

Colocando suas manguinhas de fora, o que deve se intensificar nos próximos dias, Temer, em suas primeiras manifestações após tomar posse para o mandato de 2 anos e 4 meses como presidente do Brasil, (1) fez duras críticas a adversários e até a aliados, aconselhando os descontentes a deixar o seu governo, (2) prometeu anunciar medidas de recuperação da economia já neste mês, (3) orientou sua equipe rebater com firmeza as acusações da ex-presidenta Dilma e de seus aliados, dizendo que golpista é quem derruba a Constituição Federal, (4) avisou que vai enviar ao Congresso Nacional ainda neste mês sua proposta de reforma da Previdência Social e (5) indicou que não pretende se candidatar à reeleição, o que obviamente é mentira.

Como não poderia ser diferente, a decisão do Senado de manter os direitos políticos de Dilma gerou forte ruído na base aliada do governo Temer, já que parlamentares do PSDB e DEM, com toda a razão, acusaram o PMDB de ter feito um acordo para amenizar a pena da ex-presidenta, porem no final da história este fato pode amenizar também a vontade dos petistas de irem ao Supremo pedir a anulação de todo o processo.

Aproveitando seus últimos momentos de mordomia e holofotes, a ex-presidenta Dilma, que deve cair no esquecimento em pouco tempo, afirmou, obviamente sem combinar “o jogo” com os caciques do PT, que fará uma oposição ferrenha ao governo Temer.

Definitivamente de volta à oposição, onde sempre foi um “craque”, Lula avisou que o PT vai propor aos aliados a formação de um bloco de resistência ao governo Temer e a articulação de uma frente ampla de esquerda que reúna, além de partidos, sindicatos, associações, movimentos de esquerda, “intelectuais” e artistas em torno de um programa.

Crítica:

Elevando as possibilidades de investimentos de 3,7% para 100% do PIB Global, a CVM, em uma decisão corajosa que claramente já tem “o dedo de Temer”, editou novas regras para os Fundos de Investimento em Participações (FIPs) constituídos no Brasil e que agora podem também realizar investimentos no exterior, antes vedados.

Após Nicolas Maduro, o ditador da Venezuela, anunciar a retirada de seu embaixador do Brasil, alardeando que o impeachment de Dilma foi um golpe, Serra, ministro brasileiro das Relações Exteriores, devolveu com a mesma moeda e chamou de volta o embaixador brasileiro na Venezuela e ressaltou que o processo que afastou a ex-presidenta se desenvolveu em quadro de absoluto respeito às instituições democráticas e à Constituição Federal.

PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho

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