R.B. 9/MAI/16 "Começando a abrir o bico"


"Começando a abrir o bico"

 

São Paulo, 9 de maio de 2016 (SEGUNDA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, ampliando a valorização acumulada no ano (19,3%), beneficiada pelo movimento ascendente das commodities e das principais bolas mundiais e com os investidores já contando as horas para a queda da presidenta Dilma e (2) o DÓLAR pode subir, respeitando o "suporte" dos R$ 3,50, sustentado pelos leilões de compra do BC e acompanhando a trajetória internacional da morda norte-americana.

 

Sexta-feira, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 0,1%, acompanhando a recuperação das bolsas de NY e a valorização internacional das commodities, porem com baixo volume de negócios (R$ 5,7bi) e refletindo a cautela de investidores e (2) o DÓLAR –0,6% à R$ 3,50, diante da redução das "apostas" de alta dos juros nos EUA e da ausência do BC na ponta compradora pelo terceiro dia consecutivo.

 

Também sexta-feira, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão –0,2%, reabrindo depois de 3 dias de feriados no país e China –2,8%, a maior queda desde 29/FEV/16, em meio a rumores de que o regulador de títulos mobiliários em Pequim quer interromper a listagem no país de empresas chinesas com ações negociadas nos EUA, (2) da EUROPA, sem uma tendência única, Inglaterra 0,1%, França –0,4% e Alemanha 0,2%, com investidores pesando, de um lado, os dados mais fracos do que o esperado do relatório de emprego nos EUA, e de outro, o petróleo, que se firmou em alta, influenciado por um dólar mais fraco e (3) dos EUA, recuperando as perdas da abertura, S&P 0,3%, DJ 0,4% e NASDAQ 0,4%, com investidores considerando os dados sobre o mercado de trabalho menos decepcionantes do que se pensava e com destaques de alta para as ações das empresas de matérias-primas, indústrias e bens discricionários.

 

Com a "missão quase impossível" de transformar a mais profunda recessão econômica da história do país em crescimento, em um curto intervalo de tempo, Temer já elencou 4 alvos prioritários de atenção (1) estimular as concessões e privatizações, (2) acabar com os empréstimos do BNDES aos setores "eleitos", (3) revisar as contas da previdência e (4) retomar a confiança na economia para frear o avanço do desemprego.

 

Alertando que a lista de problemas atuais do Brasil é extensa e que o país vive uma crise que talvez seja a pior da história recente, Henrique Meirelles, provável ministro da Fazenda de Temer, afirmou que para colocar a economia novamente em trajetória de crescimento é necessário ter o diagnóstico correto e apresenta medidas realistas e de forma clara para que possam ser entendidas por toda a sociedade.

 

Segundo Shelly Shetty, diretora sênior de ratings soberanos da agencia de classificação de risco Fitch, a transição de governo no Brasil deve ser "pacífica e suave" e pode representar uma "oportunidade" de melhorar a performance econômica do país caso Temer consiga ter um Congresso coeso o bastante para aprovar reformas necessárias para a reestruturação do país.

 

Ressaltando que não adianta aumentar imposto e que a CPMF não resolve nada, diz Sérgio Werlang, ex-diretor de política monetária do BC, na gestão de Armínio Fraga, e atual assessor da presidência da FGV, alertou que o problema das contas públicas tupiniquins é o crescimento desenfreado das despesas do setor público.

 

Dando novos sinais negativos da economia brasileira, (1) os planos odontológicos, que até então não haviam sido afetados pela crise, perderam 274 mil beneficiários nos 3 primeiros meses deste ano, o que representa a maior baixa em relação ao trimestre anterior desde o início da série histórica em 2000 e (2) segundo a pesquisa mensal da FecomercioSP, em ABR/16 mais de 70% dos donos de empresas ainda pretendiam reduzir o quadro de funcionários.

 

Prejudicando o mundo todo, porem com mais intensidade o Brasil, em ABR/16 a China importou –10,9% menos do que em ABR/15, o que representa o 18º mês seguido de queda e indica que a demanda doméstica segue fraca apesar de uma recuperação nos gastos com infraestrutura e crescimento recorde de crédito no primeiro trimestre.

 

Atingindo o menor patamar para o mês desde ABR/13 (0,55%), porem acima do resultado de MAR/16 (0,43%) e acima do esperado pelo "mercado" (0,54%) , em ABR/16 a inflação oficial do país, medida pelo IPCA, ficou em 0,61%, acumulando com isto uma alta de 9,28% nos últimos 12 meses.


Política:
 
Se comunicando apenas indiretamente, Temer mandou dizer a seus aliados que vai retomar o plano de promover um corte substancial na máquina do governo e, com isso, reduzir no primeiro escalão (através da diminuição drástica do número de ministérios) o leque das barganhas políticas de sua eventual base aliada.

 

-    Na noite de ontem Temer reuniu, no Palácio do Jaburu, a cúpula do seu futuro governo, que é formada por Romero Jucá, Eliseu Padilha, Moreira Franco, Geddel Vieira Lima e Henrique Meirelles.

 

Mostrando um desespero crescente, Dilma, cada dia mais desequilibrada, afirmou que seus adversários "jamais seriam eleitos" com promessas de redução de gastos, como vem sendo defendido pelo grupo político de Temer, e que haverá diminuição de programas sociais, como o Bolsa Família, em um eventual novo governo.

 

Responsável principal pela "bolsa empresário", que criou gigantes como a JBS e abasteceu com dinheiro barato os cofres das construtoras, Luciano Coutinho, presidente do BNDES teve a cara de pau de afirmar que o referido banco de fomento está "imune" a favorecimentos ou atos ilícitos de seus funcionários.

 

Apesar de repetir o discurso de golpe e de que o governo de Temer será ilegítimo, o senador Humberto Costa, líder do PT,  afirmou que Dilma é uma pessoa que tem uma dificuldade de dialogar e ressaltou que vai evitar radicalismos e que o PT não vai incendiar o Brasil.

 

-    Depois de tentativas positivas de conciliação interna, o PSB deve optar formalmente por não indicar diretamente nomes ao ministério, mas deixará, sem vetos, que Temer escolha Fernando Bezerra Filho para a Integração Nacional.

-    Como seus colegas finalmente estão percebendo que ele não tem votos, Gilberto Kassab, fundador do PSD, está perdendo poder na bancada de seu partido na Câmara.

-    Com a confirmação de Gilberto Occhi, indicado pelo PP, na chefia da Caixa, a equipe de Temer pretende encontrar um nome sem carimbo partidário para o Banco do Brasil.

-    Apesar das negativas em público, há quem aposte na aliança de PMDB e PSB na corrida municipal em SP.

-    Para mostrar a que veio, logo na sua primeira semana de governo Temer anunciará um corte de pelo menos 25% nos cargos do Palácio do Planalto.

-    Bonitinha, mas ordinária, a senadora petista Gleisi Hoffmann foi denunciada por Rodrigo Janot, procurador-geral da República, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro desviado da Petrobrás durante sua campanha ao Senado em 2010.


Crítica:
 
Para ganhar a simpatia das classes menos abastadas da sociedade, que na grande maioria das vezes vota nos democratas, Donald Trump, provável candidato republicano à Presidência dos EUA, afirmou ontem que os impostos para os ricos deveriam subir, mas que seus planos fiscais provavelmente seriam renegociados com o Congresso caso seja eleito.

 

Finalmente "começando a abrir o bico", Marcelo Odebrecht relatou a procuradores da Operação Lava Jato, em roteiro para negociar sua delação premiada, que o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega eram os responsáveis por cobrar doações para a campanha de Dilma Rousseff em 2014.

 

-        O Brasil está na terceira colocação de um ranking dos países mais ignorantes sobre as suas realidades.


PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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