R.B. 6/MAI/16 "Perdendo até da inflação"


"Perdendo até da inflação"

 

São Paulo, 6 de maio de 2016 (SEXTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve seguir em queda, com "boas chances" de fechar o dia abaixo dos 51.000pts, pressionada pelo recuo das commodities, pelo rebaixamento da "nota" do Brasil e pela intensificação da crise política e (2) o DÓLAR pode subir, para fechar o dia acima dos R$ 3,55, seguindo a trajetória internacional da moeda norte-americana e a esperada piora do "humor" na bolsa brasileira.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu –1,7%, com baixo volume de negócios (R$ 5,8bi) e prejudicada pelo aumento da instabilidade política no país, pelos temores de desaceleração da economia global e pela forte queda das ações da Vale (-4,0%) e (2) o DÓLAR caiu –0,1% à R$ 3,54, com poucos negócios, baixa volatilidade e ausência do BC na ponta compradora.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão não operou por conta do feriado local de 3 dias e China 0,2%, recuperando as perdas da abertura e sustentada pelo bom desempenho das ações dos bancos, (2) da EUROPA, com poucos negócios, sem uma tendência única e próximas de estabilidade, Inglaterra 0,1%, França –0,1% e Alemanha 0,2%, com os investidores influenciados por uma forte alta do petróleo e pela divulgação de balanços mistos e (3) dos EUA, devolvendo quase todos os ganhos da abertura, S&P –0,1%, DJ 0,1% e NASDAQ –0,1%, com a queda das ações de bens de consumo não essenciais e cautela dos investidores antes da divulgação do relatório sobre o mercado de trabalho norte-americano em ABR/16.

 

Ressaltando, com toda a razão, as incertezas políticas, a acelerada piora da economia e a falta de compromisso do atual governo com a meta fiscal, ontem, após o fechamento do pregão, a agencia de classificação de risco Fitch rebaixou, de BB+ para BB, sua "nota" para o Brasil, inclusive colocando uma perspectiva negativa, o que indica a possibilidade de novo rebaixamento nos próximos meses.

 

Apesar de rebaixar a sua "nota" para o Brasil, a Fitch ponderou que transição política tupiniquim, após o Senado aprovar o afastamento da presidenta Dilma na próxima semana, pode representar uma nova oportunidade para a realização de ajustes na economia e reformas estruturais.

 

Sem se surpreender com o rebaixamento da "nota" do Brasil pela Fitch, o "mercado" interpretou a perspectiva negativa dada para pela referida agencia de classificação de risco como um recado para Temer de que é preciso agir rápido, principalmente na questão da situação fiscal, caso contrário novos rebaixamentos poderão ocorrer.

 

Ponderando que o pior do tarifaço e da disparada do dólar já passou, ontem o BC tupiniquim divulgou um comunicado alertando que, como o governo segue gastando além do que pode, a inflação tende a continuar elevada, o que coloca em risco o cumprimento das metas de inflação para 2016 e 2017, e que por este motivo a taxa básica de juros, que está em 14,25% ao ano desde JUL/15, não cairá nos próximos meses e só poderá ser reduzida no segundo semestre.

 

Como fruto da falta de capacitação técnica e dos constantes aumentos das tarifas, em 2015 o volume de reclamações contra as concessionárias de energia aumentou 37,7% na comparação com o ano anterior, de acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica, e atingiu o maior patamar desde o início da série histórica, em 2005.

 

Com as vendas em queda livre, atualmente a produção de caminhões e ônibus no Brasil caiu para o seu pior nível desde 2000 e com isto as montadoras destes veículos no país já estão utilizando somente 26% de sua capacidade instalada, o que obviamente afeta toda a cadeia produtiva.

 

"Perdendo até da inflação", em ABR/16 a caderneta de poupança registrou saída líquida de R$ -8,3bi, desempenho mais fraco para o mês da série histórica iniciada em 1995 e que é causado pela migração para investimentos mais rentáveis e principalmente pela crise econômica.

 

-    A Vale caiu –4,0%, diante da ação do Ministério Público Federal que pede uma reparação de R$ 155bi pelos estragos causados pelo rompimento da barragem da Samarco em Mariana, MG.


Política:
 
Provando, para todos os petistas e para os céticos, que após a queda da Dilma não vai rolar um acórdão e que lugar de bandido é na cadeia, seja ele do PT, do PMDB, do PSDB ou até da PQP, na manhã de ontem Teori Zavascki, ministro do Supremo Tribunal Federal, determinou o afastamento de Eduardo Cunha, do presidente da Câmara, do mandato de deputado federal, alegando que o referido peemedebista pode atrapalhar as investigações contra ele por envolvimento na Lava Jato e também de que sua manutenção fere a imagem da Casa.

 

Ciente de que o fim do governo Dilma pode, ao acabar com seu fórum privilegiado, coloca-lo na mira da Polícia Federal, que ele inclusive comandou até recentemente, José Eduardo Cardozo, advogado-geral da União, afirmou que o afastamento de Cunha reforça o argumento do governo para pedir a anulação do processo de impeachment da presidenta Dilma no Congresso.

 

Indicando que o mandato de Temer pode ser curto, um parecer do Ministério Público Eleitoral recomendou que o Tribunal Superior Eleitoral rejeite o pedido do referido vice-presidente para separar sua responsabilidade em relação a presidenta Dilma nas ações que pedem a cassação dos dois.

 

Já que nem o governo e nem a oposição querem manter Waldir Maranhão, atual vice-presidente, na vaga de Eduardo Cunha,  o deputado Rogério Rosso, do PSD do DF e presidente da comissão que aprovou a autorização para o impeachment de Dilma, surge como o principal cotado para a presidência da Câmara Federal.

 

-    Já que a medida afetaria outros deputados da legenda,  o PP refuta, por ora, expulsar Waldir Maranhão por ter votado contra o impeachment, o que forçaria novas eleições na Câmara.

 

Como os músicos do Titanic, que continuavam tocando enquanto o navio estava afundando, hoje a presidenta Dilma, cada dia mais mentalmente perturbada, vai anunciar a contratação de pelo menos 30 mil novas unidades que serão construídas dentro do programa Minha Casa, Minha Vida.

 

Ontem, ao defender a covarde da presidenta Dilma pela segunda vez na comissão especial que analisa o processo de impeachment no Senado, o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, reafirmou sua tese lunática de que o caso é um golpe mesmo que a petista tenha o direito de defesa garantido.


Crítica:
 

Podendo acabar com as arbitrariedades cometidas por juízes ignorantes e que querem aparecer, a minuta do decreto que regulamentará o Marco Civil da Internet prevê que as teles e os aplicativos não precisem mais entregar à Justiça dados cadastrais de seus usuários quando não armazenarem esse tipo de informação, que é o que acontece com o WhatsApp, que por sua vez já teve o serviço bloqueado 2 vezes por não entregar dados protegidos de usuários solicitados via judicial.

 

Falando de forma republicana e sem levar em consideração as pessoas envolvidas, Eloísa Machado, professora do curso de direito da FGV, afirmou ontem, com toda a razão, que o Supremo Tribunal Federal interferiu em um poder independente e assim fugiu dos "parâmetros constitucionais" ao "inovar" afastando da Câmara o deputado Eduardo Cunha sem que ele tenha sido apanhado cometendo um crime inafiançável em flagrante.


PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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