R.B. 7/ABR/16 "Nem tudo são flores na maior democracia do mundo"


"Nem tudo são flores na maior democracia do mundo"

 

São Paulo, 7 de abril de 2016 (QUINTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve voltar a cair, ainda prejudicada pelos "temores" de que o governo conseguirá comprar os votos necessários para barrar o impeachment e desta vez também acompanhando o movimento de realização de lucros nas principais bolsas mundiais e (2) o DÓLAR pode subir, devolvendo a queda registrada no pregão anterior, influenciado pelo retorno dos leilões de compra do BC e também pela esperada piora do "humor" na bolsa brasileira.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu –1,9%, com baixo volume de negócios (R$ 5,8bi), ainda realizando lucros acumulados em MAR/16, na contramão do movimento ascendente das principais bolsas mundiais diante a redução das "apostas" de queda do governo Dilma e (2) o DÓLAR –1,1% à R$ 3,64, devolvendo parte das altas recentes, influenciado pela ausência do BC na ponta compradora e principalmente acompanhando a valorização internacional da moeda norte-americana.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, sem uma tendência única, Japão –0,1%, em queda pelo 7º pregão seguido, ainda com as exportadoras prejudicadas pela valorização da moeda local (o iene) frente ao dólar e China 0,5%, animada com o anúncio de que o índice de gerentes de compras de serviços do país avançou de 51,2pts em FEV/16 para 52,2pts em MAR/16, (2) da EUROPA, após uma sessão volátil, Inglaterra 1,1%, França 0,8% e Alemanha 0,6%, beneficiadas pelo avanço do petróleo (5,5%), que impulsionou as ações das petrolíferas, como Shell (1,2%) e Total (1,4%), diante dos sinais de que a demanda norte-americana por energia está se recuperando e (3) dos EUA, S&P 1,1%, DJ 0,6% e NASDAQ 1,6%, também influenciadas na parte da manhã pelo forte avanço do petróleo (5,5%) e na parte da tarde impulsionadas pela divulgação da ata da reunião de política monetária de março do Fed ("BC" local), que reiterou uma maior cautela no processo de alta dos juros país.

 

Segundo uma pesquisa feita em um fórum sobre investimentos feito pelo Bradesco BBI, em SP, os estrangeiros seguem interessados no país, mas a ressalva feita pela grande maioria dos empresários "gringos" é que absolutamente nada andará até que a crise política se resolva.

 

Os brasileiros, cuja esmagadora maioria (mais de 99%) não tem nenhuma educação financeira, ainda tem mais de R$ 600bi na poupança, algo surreal para uma aplicação que perde até da inflação, porem em MAR/16, diante do aumento do desemprego e da queda na renda, as retiradas da caderneta superaram os depósitos em R$ 5,4bi, o que representa o segundo pior desempenho para o mês na série histórica do BC, iniciada em 1995.

 

Dando novos sinais negativos da economia tupiniquim, (1) entre os brasileiros, 76% acreditam que o desemprego no país vai subir em 2016, (2) cerca de 60% das linhas de produção de automóveis e de 81% caminhões e ônibus estão paradas, (3) a produção de automóveis baixou uns 40% desde o pico histórico de 2013 e (4) o Índice de Expansão do Comércio, que é um indicador antecedente de investimentos e contratações medido pela FecomercioSP, atingiu em MAR/16 o seu pior patamar desde MAR/11, quando teve início a série histórica da pesquisa.

 

Como fruto amargo da crise de confiança que se alastra como pólvora na economia tupiniquim, segundo a associação dos fabricantes de veículos no primeiro trimestre deste ano os contratos de financiamento de automóveis atingiram o patamar mais baixo desde 2005, o que obviamente influenciou diretamente nas vendas das montadoras.

 

Mostrando que ao menos alguém está se beneficiando da crise, (1) diante da forte retração nas vendas de veículos novos no país, no primeiro bimestre deste ano o volume de serviço em oficinas mecânicas de SP cresceu 26,3% na comparação com o mesmo período de 2015 e (2) também nos 2 primeiros meses deste ano foram abertos 409 postos de trabalho no setor de recuperação de crédito, já que a demanda e a dificuldade de efetuar cobrança também aumentaram.

 

-    A Cesp despencou -6,3%, a Cemig caiu -5,8% e CPFL recuou -4,3%, já que, mostrando como é nocivo um governo que faz pacto até com o capeta para se manter no poder, são cada dia maiores os "rumores" de que o comando do Ministério de Minas e Energia será entregue ao PP como moeda de troca para barrar o impeachment.


Política:
 
Apresentando novas razões para a queda de Dilma, a Andrade Gutierrez, segunda maior empreiteira do país, admitiu ontem de forma oficial que fez doações às campanhas da referida presidenta e de seus aliados em 2010 e 2014 utilizando propinas oriundas de obras superfaturadas da Petrobras e do sistema elétrico.

 

Sem admitir traições, o PMDB avisou ontem que, seguindo seu estatuto, vai expulsar todos os deputados do partido que votarem contra o impeachment de Dilma ou faltarem à sessão que definirá o futuro da referida presidenta, porem mesmo assim o governo continua acreditando que terá 25 dos 67 votos peemedebistas.

 

Escancarando a corrupção no governo do tucano Alckmin, Jéter Rodrigues, investigado no esquema de desvios na merenda em SP e ex-assessor do presidente da Assembleia Legislativa, o também tucano Fernando Capez, afirmou que foi procurado por um subordinado do referido deputado e por outro ex-assessor, também investigado, para combinar o que dizer em seu depoimento em troca de R$ 50mil.

 

Com o objetivo de evitar traições, a presidenta Dilma determinou à sua equipe certar com PP, PR e PSD até o fim desta semana os novos postos que eles irão ocupar no governo federal, porem ressaltou que só fará as nomeações após a votação do impeachment no plenário da Câmara dos Deputados.

 

Complicando ainda mais a vida do bandido que atualmente comanda o Congresso Nacional brasileiro, o doleiro Leonardo Meirelles, parceiro de negócios de Alberto Youssef, fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República e novas provas sobre a transferência de US$ 5 milhões para contas secretas de Eduardo Cunha.

 

Ainda acreditando que será ajudado pelos "petistas de toga" do supremo, o empreiteiro Marcelo Odebrecht faria um exame de sangue na sexta-feira desta semana, porem preferiu adiar a data do teste para a semana que vem na esperança de sair da prisão no julgamento de seu habeas corpus.

 

Filhote da ditadura e parceiro político de Maluf, Delfim Netto, que após a primeira eleição de Lula virou amigo dos petistas, inclusive atuando como conselheiro do governo, foi acusado em delação premiada por Flávio Barra, alto executivo da Andrade Gutierrez, de receber uma propina de R$ 15 mi por ajudar nas negociações para a construção da usina de Belo Monte, em 2010.

 

Com o objetivo de moralizar um pouco a bagunça, ontem o Senado aprovou por unanimidade um projeto de lei, de autoria dos senadores Aécio Neves (PSDB) e Ana Amélia (PP), que visa profissionalizar e evitar o aparelhamento político dos conselhos e diretorias do Postalis, Previ, Petros e Funcef, que aliás fecharam 2015 com um déficit de R$ –46bi, proibindo que conselheiros e diretores exerçam atividades político-partidárias durante o mandato e exigindo que eles cumpram uma quarentena antes e depois de assumirem as funções.


Crítica:
 

Dando "uma esperança a racionalidade", a derrota de ontem do empresário Donald Trump nas prévias partidárias de Wisconsin, que aliás foi sua pior performance até agora na corrida pela candidatura republicana, reduziu o espaço de manobra do magnata para tornar-se o nome do partido nas eleições norte-americanas de 8/NOV/16.

 

Mostrando que "nem tudo são flores na maior democracia do mundo", seguindo o pensamento ignorante de países como o Irã e a Arábia Saudita, o estado norte-americano do Mississippi aprovou uma lei que determina que funcionários públicos não são mais obrigados a selar casamentos homossexuais, que empresas podem demitir funcionários por eles serem gays e que instituições religiosas (como escolas e igrejas) têm o direito de negar atendimento a essa comunidade.


PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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