R.B. 15/ABR/16 "Neste domingo define seu futuro"


"Neste domingo define seu futuro"

 

São Paulo, 15 de abril de 2016 (SEXTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, na contramão do movimento descendente das principais bolsas mundiais, ampliando os ganhos já acumuladas no mês (4,7%) e no ano (20,9%), diante da "humilhante derrota" do governo no STF e da consolidação das "apostas" de vitória da oposição na votação do impeachment neste domingo e (2) o DÓLAR pode seguir em queda, acompanhando o "humor positivo" na bolsa brasileira e mesmo com os leilões de compra do BC, que aliás segundo "rumores" estão sendo feitos para ajudar a JBS.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu –1,4%, realizando lucros recentes, diante da adoção de uma postura um pouco mais cautelosa em relação ao cenário político, já que a Advocacia-Geral da União entrou com 5 ações no Supremo Tribunal Federal tentando barrar o processo de impeachment e (2) o DÓLAR –0,3% à R$ 3,48, revertendo uma abertura positiva, na qual chegou a avançar 1,3%, diante dos leilões de compra do BC, para fechar em terreno negativo pelo quinto pregão consecutivo, influenciado pelo fluxo positivo de recursos externos.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão 3,2%, a maior alta em 1 mês e acumulando ganhos pelo terceiro pregão consecutivo, após o chefe do BC local prometer mais relaxamento monetário, se preciso for, e China 0,5%, acompanhando o desempenho positivo da bolsa de Tóquio, (2) da EUROPA, após alguma volatilidade, Inglaterra 0,1%, França 0,5% e Alemanha 0,7%, com investidores pesando as expectativas a respeito da reunião de grandes produtores de petróleo no domingo, em Doha, além de balanços mistos e (3) dos EUA, próximas da estabilidade e sem uma tendência única, S&P 0,1%, DJ 0,1% e NASDAQ –0,1%, com destaques de alta para as ações das empresas do setor bancário, que apresentaram balanços melhores do que o esperado, porem com as fracas perspectivas de crescimento global dificultando um avanço além do patamar atual.

 

Afetando diretamente o Brasil, já que o país é o principal destino das exportações tupiniquins, ontem a China anunciou que sua economia cresceu "apenas" 6,7% nos primeiros três meses de 2016 na comparação com o mesmo período do ano passado, resultado que ficou dentro da meta estabelecida por Pequim no início do ano e que também é o mais fraco desde o começo de 2009.

 

Em um alerta ao país, que "neste domingo define seu futuro", Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI, afirmou ontem que a situação econômica no Brasil é "muito preocupante", sobretudo pelo efeitos da recessão no desemprego e na inflação, porem ressaltou que se houver uma solução para a crise política, o país rapidamente voltará a ter crescimento e confiança.

 

Aumentando a lista de líderes empresariais que já tem coragem de dizer abertamente "fora Dilma e Lula na cadeia", o empresário Cristopher Vlavianos, presidente da Comerc, maior gestora de energia e maior comercializadora independente do país, afirmou ontem que existe um entendimento geral entre o empresariado de que o PT é incapaz de colocar o Brasil nos trilhos e de que Temer é atualmente a melhor opção para trazer a mudança de humor, recobrar o investimento e a confiança.

 

Como o "mercado" vê com bons olhos a saída de Dilma, diante da avaliação de que isso poderia colocar um ponto final no impasse político que paralisou a economia e aprofundou a recessão, já existe quem "aposta" que a cotação do dólar pode recuar para algo entre R$ 3,20 e R$ 3,30 na próxima semana caso o impedimento da presidenta passe na Câmara dos Deputados.

 

Confirmando a falta de capacidade administrativa do atual governo, cuja credibilidade junto ao "mercado" está "na lama", na média os 25 economistas consultados pelo Ministério da Fazenda estimam que as contas publicas do Brasil apresentarão déficits superiores a R$ –100bi neste e no próximo ano.

 

Concorrendo cada dia mais com os bancos, que se aproveitam da baixa competitividade no setor e da falta de educação financeira da população, as cooperativas de crédito, que representam uma parcela de apenas 3% do total de empréstimos no país, planejam investimentos superiores a R$ 400mi para expandir suas redes de atendimento neste ano para, dentro de 5 anos, chegarem a uma participação de 2 dígitos.

 

Dando 2 novos sinais negativos da economia brasileira, (1) ampliando o desemprego no país, ontem a Arno anunciou que vai fechar sua fábrica na capital paulista, deixando sem emprego mais de 2.000 trabalhadores diretos e indiretos e (2) por conta da baixíssima procura, alugar um imóvel no litoral paulista para o feriado de Tiradentes pode ficar até -67,7% mais barato nesse ano do que em 2015.


Política:
 
Seguindo o desembarque do PMDB, partidos menores, como PP, PTB e PRB, também retiraram o apoio ao governo, com isso, segundo a contagem extraoficial da imprensa, o número de votos favoráveis à saída de Dilma já estaria em 338, faltando apenas 4 para os 342 necessários, enquanto que os votos contra estão em 127 e existem ainda 48 deputados indecisos ou que não responderam.

 

-    Covarde, inútil e também com o rabo preso, o senador tucano Aécio Neves, alegando que tem medo de ser chamado de golpista, recusou a oferta do PMDB para ser o relator da comissão do impeachment no Senado.

-    A militância pressiona para que Lula esteja com Dilma em evento no sábado, mas como o referido ex-presidente costuma abandonar "companheiros em dificuldades" ele obviamente recusou o convite.

-    Após cumprir sua obrigação de bater em Dilma, ontem, no seu programa na TV, o DEM, covarde e como o PT é de esquerda, defendeu a manutenção dos programas assistencialistas e se esquivou de pregar a privatização das estatais.

 

"Colocando sua toga à serviço do PT", Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal, alertou que, apesar de não serem eleitos, os integrantes da corte têm legitimidade para "rever" atos dos outros Poderes da República, ressaltando inclusive que até os atos políticos, como um processo de impeachment, podem ser anulados pelo Judiciário.

 

Humilhando no Supremo Tribunal Federal, inclusive sem o apoio total dos petistas de Toga, que são os ministros Fachin e Lewandowski, ontem o petista José Eduardo Cardozo, ministro da Advocacia-Geral da União, "tomou pau" em todas as 5 ações que mandou ao STF para tentar barrar o processo de impeachment.

 

Impondo mais uma derrota ao governo Dilma, uma sessão longa de mais de 6 horas e marcada às pressas, o STF também validou uma norma do regimento interno da Câmara utilizada por Eduardo Cunha que prevê a votação do processo de impeachment de Dilma começando por deputados do Norte para o Sul, de forma intercalada.

 

Ciente de que na Câmara sua vaca já foi para o brejo, a presidenta Dilma já se prepara para 180 dias de resistência caso a abertura do impeachment seja confirmada pelo Senado e sua "esperança" é que o ajuste fiscal proposto por Michel Temer, a pressão de movimentos sociais e, finalmente, desdobramentos da Lava Jato permitam que ela retome o mandato ao fim do julgamento.

 

Vendido ao governo, o peemedebista Renan Calheiros, presidente do Senado, tem alertado para o risco do "já ganhou" da oposição e ressaltado que o Senado aceitará o impeachment, mas que o julgamento do mérito pode ser mais favorável ao governo do que se imagina na oposição.


Crítica:
 
Confessando, como já se suspeitava, a picaretagem dos institutos de pesquisa tupiniquins, a construtora Andrade Gutierrez afirmou ontem que usou um contrato com o instituto Vox Populi para compara, por R$ 10 milhões, pesquisas usadas e não declaradas pela equipe de comunicação da campanha da reeleição da presidenta Dilma em 2014.
 

Usando pela presidenta Dilma para espionar juízes e adversários políticos, o Serviço de Inteligência Brasileiro anunciou ontem, obviamente com o objetivo de criar insegurança antes da votação do impeachment na Câmara, que um terrorista que tinha conta no Twitter alertou que o Brasil poderá ser alvo do Estado Islâmico.


PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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