R.B. 11/FEV/16 "O pessimismo renovado"


"O pessimismo renovado"

 

São Paulo, 11 de fevereiro de 2016 (QUINTA-FEIRA).


Mercados e Economia:
 
Hoje (1) a BOVESPA deve seguir em queda, para fechar o dia abaixo dos 40.000pts, acompanhando a manutenção do "humor negativo" nas principais bolsas mundiais, prejudicada pelo recuo das commodities e ainda influenciada negativamente pela crescente degradação econômica, política e moral do Brasil e (2) o DÓLAR pode subir, dando sequencia à sua trajetória rumo aos R$ 4,00, embalado pelos mesmos fatores que devem derrubar a bolsa brasileira.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu -0,7%, , "ajustando-se" às perdas registradas pelas principais bolsas mundiais e ao novo recuo das commodities durante o feriado de Carnaval, se somaram às perspectivas e aos dados cada vez piores da economia brasileira e (2) o DÓLAR subiu 0,5% à R$ 3,94, retornando sua trajetória rumo aos R$ 4,00, acompanhando a piora do "humor" na bolsa brasileira e também se ajustando ao aumento da turbulência externa durante o Carnaval, quando a divisa norte-americana avançou ante várias divisas de países emergentes e/ou exportadores de commodities.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, China permaneceu fechada por conta do feriado de ano novo e Japão -2,3%, em meio a preocupações com a desaceleração da economia e a tendência de fraqueza do petróleo, que mantiveram as ações de energia e do setor financeiro pressionadas, (2) da EUROPA, tentando uma recuperação após 7 pregões consecutivos de queda, Inglaterra 0,7%, França 1,6% e Alemanha 1,5%, com destaques de alta para as ações do setor financeiro, como Prudential (4,4%), Société Générale (8,9%), BNP Paribas (4,9%) e Deutsche Bank (10,2%), este último após relatos de que a instituição considera a recompra de vários bilhões de euros em títulos da dívida do próprio banco e (3) dos EUA, sem uma tendência única, S&P –0,1%, DJ –0,6% e NASDAQ 0,3%, devolvendo quase todos os ganhos da abertura, após declarações de Yellen, presidente do FED ("BC" local), que destacou os riscos para o crescimento do PIB norte-americano diante da turbulência dos mercados globais, da queda persistente dos preços do petróleo e da debilidade de outras economias.

 

Com "o pessimismo renovado" após o anúncio de que o IPCA de JAN/16 atingiu o maior patamar dos últimos 13 anos para um mês de janeiro, o "mercado" (1) elevou ainda mais, desta vez de 7,26% para 7,56%, suas "apostas" para a inflação oficial do Brasil em 2016, e (2) reduziu, agora de -3,01% para -3,21%, suas previsões para o PIB do país em 2016.

 

Mesmo com cada dia menos credibilidade, já que 9 entre 10 analistas "apostam" quem em 2016 o Brasil ficará pelo quarto ano seguido sem gerar superávit primário para reduzir sua dívida, o governo Dilma deve anunciar até amanhã um corte efetivo de gastos entre R$ 25bi e R$ 30bi, patamar bem menor do que o previsto inicialmente (R$ 50bi).

 

Contrariando o discurso oficial do governo Dilma de que o pior da crise já passou, segundo as projeções dos representantes dos principais setores da economia, após o Brasil perder -1,5 milhão de empregos formais em 2015, a perspectiva é de que 2016 não deve trazer dados melhores e para a maioria dos consultados uma repetição do resultado do ano passado já seria motivo para comemoração.

 

Padecendo, como a maioria das empresas brasileiras, com a baixa qualidade de sua gestão e também atingidas pelo cenário de recessão econômica, escândalos de corrupção em companhias abertas e uma série de fechamentos de capital em curso no País, no ano passado 34% das 50 maiores corretoras de valores do Brasil ficaram no vermelho e 13 amargaram prejuízo na casa dos milhões, com destaques negativos para Gradual (R$ -18,9mi), Novinvest (R$ -17,7mi), SLW (R$ -17,6mi), Souza Barros (R$ -17,4mi) e Coinvalores (R$ -15,5mi).

 

Dando 3 novos sinais negativos da economia brasileira, (1) no 4º trimestre de 2015 a produção de veículos da Nissan no Brasil caiu -38,2% na comparação com o 3º trimestre de 2015, (2) segundo dados publicados no fim de JAN/16 pelos governos estaduais brasileiros, a queda de receita com impostos registrada em 2015 foi de -4,2% o que, em termos reais, foi a maior dos 10 anos anteriores, superando até à ocorrida em 2009, quando o País sofreu os efeitos da crise internacional provocada pelo estouro da bolha imobiliária nos EUA e (3) a famosa rede de choperias Pinguim desativou 1 de suas 3 unidades de Ribeirão Preto alegando baixo fluxo de clientes.

 

Segundo 4 destacados e respeitados representantes do setor industrial brasileiro, que é um dos mais afetados pela atual depressão econômica brasileira, está muito difícil achar a luz no fim do túnel tupiniquim diante (1) da deterioração fiscal, (2) das incertezas políticas, (3) da queda na confiança do investidor e do consumidor, (4) da retração da produção e (5) do descontrole inflacionário.

 

Mesmo sem conseguir entregar a pavimentação de uma rodovia que promete revolucionar o escoamento de grãos do País, a BR-163 que após vários atrasos deveria estar pronta desde o final de 2015, o governo Dilma decidiu prometer agora algo bem mais complicado, que é construir uma ferrovia de 1.140 quilômetros, estimada em R$ 10bi, bem ao lado do traçado da estrada, com isto, no país dos sonhos da presidenta, o produtor rural, que hoje não tem nada, passaria a ter duas opções para escoar sua safra.


Política:
 
Fungando no cangote de Lula, ontem o juiz federal Sergio Moro decidiu que os documentos vindos da Suíça cujo trâmite foi considerado irregular, mas não ilícito, devem ser usados nas ações penais contra a Odebrecht, o que contraria a opinião do advogado de defesa da empreiteira, Dora Cavalcanti, havia dito em petição e comunicado à imprensa que o uso desses papéis equivale a "rasgar a Constituição".
 
Mantendo mais um bandido na cadeia, Teori Zavascki, ministro do Supremo Tribunal Federal e relator na corte dos casos derivados da Operação Lava Jato, negou decisão liminar para libertar da prisão o ex-deputado federal Luiz Argolo (ex-SD-BA), condenado pelo juiz federal Sergio Moro a 11 anos e 11 meses de reclusão por ter recebido pelo menos R$ 1,4mi do esquema de corrupção instalado em vários setores da Petrobras.

 

Ainda sem prender banqueiros, ontem um juiz do RJ que cuida do caso de suposto pagamento de propina por empreiteiras na obra da usina nuclear Angra 3 mandou prender o executivo Otávio Azevedo, que é ex-presidente da Andrade Gutierrez e que fechou um acordo de delação no qual se compromete a (1) pagar R$ 1bi em multa e (2) revelar fatos ilícitos envolvendo a campanha de 2014 da presidenta Dilma e suborno na construção de estádios da Copa.

 

Confirmando mais uma vez que os tucanos, com o ego muito maior que a moral, não se entendem e se auto-destroem, ontem o vereador do PSDB Adolfo Quintas, que é aliado de Andrea Matarazzo, pré-candidato do partido à prefeito de SP, acusou o empresário João Doria, que também é tucano e quer a vaga, de "cooptar" militantes do partido por meio de ofertas de R$ 2.000 mensais.

 

Lutando para manter Lula fora da cadeia, petistas apostam que, quando a Operação Lava Jato finalmente chegar ao fim, os únicos "companheiros" que restarão presos serão o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro João Vaccari e o ex-deputado federal André Vargas.


Crítica:
 
Torrando dinheiro público para comprar apoio de empresas de comunicação, como emissoras de TV, rádios e sites de notícia na internet, e assim tentar manter a presidenta Dilma no poder, nos 4 primeiros anos do primeiro mandato da referida petista o governo e suas estatais gastaram em média R$ 1,5bi em propaganda por ano, o que representa um crescimento de cerca de 60% na comparação a média anual dos últimos 4 anos do governo FHC, com destaque a Caixa Econômica Federal, feudo do petista André Vargas, hoje preso, que só em 2014, ano da reeleição, gastou R$ 238mi em propaganda, o triplo do último ano de Lula.

PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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