R.B. 22/JAN/16 "A Grécia da América Latina"


"A Grécia da América Latina"

 

São Paulo, 22 de janeiro de 2016 (SEXTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, recuperando mais uma parte das perdas acumuladas no mês (-13,0%), acompanhando a forte melhora do "humor" nas principais bolsas mundiais e também beneficiada pela valorização das commodities e (2) o DÓLAR pode, cair, em um "ajuste técnico" após 3 pregões consecutivos de alta, acompanhando a trajetória internacional da moeda norte-americana e seguindo a esperada recuperação da bolsa brasileira.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 0,2%, após alguma volatilidade, já que na máxima avançou 1,2% e na mínima recuou -0,4%, e cada vez menor volume de negócios (R$ 4,8bi), sustentada pela leve recuperação das ações da Petrobrás (1,6%), que se beneficiou da alta do petróleo (4,2%), e acompanhando o desempenho positivo das bolsas de NY e (2) o DÓLAR subiu 1,7% à R$ 4,17, para fechar o dia no menor patamar da história do Plano Real, influenciado pela decisão irresponsável de BC brasileiro de, mesmo com a inflação bem acima do teto da meta, manter a Selic em 14,25%, o que obviamente gerou desconfiança de influência política na decisão da autoridade monetária tupiniquim.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão 2,4% e China -3,2%, ainda pressionadas pela tendência de queda do petróleo e pelas preocupações com o crescimento da economia mundial, (2) da EUROPA, revertendo uma abertura negativa, em um movimento de ''caça de barganhas'', Inglaterra 1,8%, França 2,0% e Alemanha 1,9%, impulsionadas pelo discurso do presidente do BC Europeu, Mario Draghi, que indicou que novas medidas de estímulo podem ser anunciadas em MAR/16 e (3) dos EUA, também recuperando uma pequena parte das perdas recentes, S&P 0,5%, DJ 0,7% e NASDAQ 0,4%, beneficiadas pela alta dos preços do petróleo, que impulsionou as ações da Southwestern Energy (19,2%) e da Consol Energy (19,1%), e pelo aumento das "apostas" de que o Fed ("BC" local) manterá a taxa de juros norte-americana inalterada na sua próxima reunião, que ocorrerá em MAR/16.

 

Ajudando o preço do petróleo a se recuperar um pouquinho, após vários pregões consecutivos de queda, (1) o Departamento de Energia dos EUA informou que os estoques da referida commoditie recuaram, (2) ocorreu um ataque terrorista na estatal da Líbia National Oil Corporation e (3) Mario Draghi, presidente do BC europeu, anunciou que poderá adotar novas medidas de estímulos.

 

-    Com o mercado financeiro tupiniquim definhando rapidamente, ontem o prestigiado banco britânico Barclays anunciou que vai encerrar sua cobertura doméstica de mercados no Brasil.

 

Se esforçando para ter uma credibilidade tão baixa quanto a do ex-ministro Mantega, ontem Nelson Barbosa, atual ministro da Fazenda, afirmou, diretamente do Fórum Econômico de Davos, que o Brasil voltará a crescer no quarto trimestre e que a inflação deste ano não passará dos 6,5%.

 

Mostrando coragem para dizer a verdade, algo que é raro entre grandes executivos, Ricardo Villela Marino, vice-presidente executivo e membro do conselho do Itaú, afirmou, diretamente do Fórum econômico de Davor, que se o ajuste fiscal e as reformas não forem mais drásticas neste momento, o Brasil pode se se tornar "a Grécia da América Latina".

 

Resumindo o sentimento do "mercado", Gustavo Loyola, ex-presidente do BC no governo FHC e atualmente sócio da Tendências consultoria, afirmou que as especulações de que a autoridade monetária brasileira possa ter sido influenciada politicamente na decisão de manter a taxa básica de juros inalterada encontram legitimidade em acontecimentos recentes envolvendo a equipe econômica, como a saída de Joaquim Levy do governo, e prejudicam a credibilidade da instituição e a sua capacidade de coordenar expectativas dos agentes econômicos.

 

Como reflexo imediato da decisão do Copom de surpreender o "mercado" e manter a Selic em 14,25%, as expectativas para a inflação para os próximos anos dispararam, já que a  avaliação é que, ao mudar repentinamente a rota da política monetária, o BC reduziu a previsibilidade, prejudicando o combate à alta de preços.

 

Dando novos sinais negativos da economia brasileira, (1) o mercado de trabalho tupiniquim fechou 1.542.371 vagas no ano passado, o que representa o pior resultado desde 1992, quando começou esta série estatística do governo, (2) diante do amento do desemprego e da retração da atividade econômica, em 2015 a arrecadação federal em 2015 de impostos recuou -5,6% na comparação com 2014 e atingiram o menor patamar desde 2010 e (3) economistas ouvidos pelo Ministério da Fazenda nesta semana elevaram de R$ –53,1bi para R$ –68,2bi suas "apostas" para o rombo das contas publicas brasileiras em 2016.

 

Atravessando a pior crise de seus quase 25 anos de história no país, no ano passado o mercado brasileiro de TV por assinatura perdeu meio milhão de assinantes em apenas 4 meses, de JUL/15 a NOV/15, e as previsões para 2016 são ainda mais pessimistas.

 

Já que, atolada em dívidas causadas pela corrupção petista na empresa, a Petrobrás não abaixa seus preços, mesmo com o Petróleo no menor patamar desde 2003, em 2015 as importações de combustíveis pelos grandes consumidores, como a Vale, cresceram 13% na comparação com 2014.

 

Para se protegerem dos caloteiros, o que certamente reduzirá as taxas de juros cobradas de algumas linhas de crédito, os 5 maiores bancos brasileiros anunciaram ontem a criação de uma gestora de inteligência de crédito com o objetivo de formar um banco de dados que permitirá ao setor bancário e outras instituições de crédito aprimorar a capacidade de análise e gestão de suas carteiras de empréstimos, tanto de pessoas físicas como jurídicas.

Política:
 
Dominado por petistas de toga, o Supremo Tribunal Federal esconde em suas gavetas à exatos 1.096 dias uma denúncia da Procuradoria-Geral da República acusando o senador peemedebista Renan Calheiros pelos crimes de peculato, falsidade ideológica e uso de documentos falsos.

 

Com medo do panelaço, por decisão da cúpula do partido as principais estrelas petistas, como o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma, não aparecerão nos comerciais que o PT levará ao ar nas duas primeiras semanas de FEV/16.

 

Apesar do referido ministro estar atolado de denuncias de corrupção, a presidenta Dilma decidiu escalar Jaques Wagner, da Casa Civil, para procurar líderes da oposição diante das dificuldades de aprovar no Congresso as medidas que o governo acha que são necessárias para recuperar a economia do país, como a estúpida volta da CPMF.

 

"No bolso" do governo, ocupando ministérios e cargos em estatais, o PDT, que atualmente tem como principais expoentes os ex-ministros Ciro Gomes e Carlos Lupi, vai ressaltar hoje, no encontro preparatório para a reunião do Diretório Nacional, seu posicionamento contrário ao impeachment da presidenta Dilma e à favor do afastamento de Eduardo Cunha da Presidência da Câmara.

 

Cada vez mais enrolado e quiçá também mais perto da cadeia, o ex-presidente Lula foi intimado a depor novamente, desta vez na próxima segunda-feira, em Brasília, no âmbito da Operação Zelotes, que investiga compra de medidas provisórias durante seu governo.


Crítica:
 
Como, para os petistas, o PT é maior que o Brasil, mais honesto que o Brasil, mais solidário que o Brasil e a culpa sempre é dos outros, está claro que Lula já decidiu que, para sobreviver e ganhar votos neste ano eleitoral, o partido precisa, novamente, gastar nosso dinheiro, mesmo que não o tenhamos, com propaganda na TV e compra de parlamentares, militares, blogueiros, jornalistas e empresários.

PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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