R.B. 21/JAN/16 "O que já estava ruim em 2015 vai ficar péssimo em 2016"


"O que já estava ruim em 2015 vai ficar péssimo em 2016"

 

São Paulo, 21 de janeiro de 2016 (QUINTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve seguir em queda, afetada pela "tempestade perfeita" que se agiganta no Brasil diante (1) da derrocada dos preços das commodities, (2) da falta de capacidade técnica e política do governo Dilma e (3) da desaceleração da economia chinesa e (2) o DÓLAR pode subir, com "boas chances" de fechar o dia acima dos R$ 4,20, seguindo os mesmos motivos que devem derrubar a bolsa brasileira e também influenciado pela decisão irresponsável de BC brasileiro de manter a Selic em 14,25%.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu -1,1%, ampliando as perdas acumuladas no ano (-13,2%), acompanhando a nova piora do "humor" nas principais bolsas mundiais e o recuo das commodities, principalmente o Petróleo (-6,7%), e mais uma vez pressionada pela forte queda das ações da Petrobrás (-4,9% no dia e -33,9% em 2016) e (2) o DÓLAR subiu 1,0% à R$ 4,10, tentando romper a ''resistência'' dos R$ 4,10, diante da redução das "apostas" de alta da taxa básica de juros e também seguindo a trajetória internacional da moeda norte-americana.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão -3,7%, para o menor patamar desde 31/OUT/14, pressionada por temores de que a continuidade da queda do petróleo atinja economias e companhias intimamente ligadas à indústria de energia, como a exploradora de petróleo Inpex (-6,2%) e a Nippon Yusen K.K. (-6,6%) e China -1,0%, retornando à sua trajetória de queda após 2 pregões seguidos de ganhos, desta vez prejudicada pelo anuncio de que em DEZ/15 o investimento estrangeiro direto no país caiu 5-,8% na comparação com DEZ/14, (2) da EUROPA, recuando para os menores patamares desde OUT/14, Inglaterra -3,5%, França -3,4% e Alemanha -2,8%, acompanhando as perdas das bolsas asiáticas e novamente com destaques negativos para as empresas petrolíferas, como Shell (-7,2%), BP (-4,2%) e Glencore (-9,8%), prejudicadas pela queda contínua do petróleo, que aliás bateu novas mínimas de 12 anos em NY e (3) dos EUA, seguindo os mesmos motivos que levaram a piora do "humor" das demais bolsas mundiais, S&P –1,2%, DJ –1,6% e NASDAQ –0,2%, também afetadas negativamente pelo anúncio de que no ano passado a inflação do país ficou em 0,7%, um nível muito aquém da meta de 2% e que pode ser interpretado como um sinal de fragilidade da maior economia do mundo.

 

Confirmando sua enorme irresponsabilidade e sua perigosa falta de independência, ontem o Copom, mesmo com a inflação do ano passado atingindo 10,67% e a inflação projetada deste já passando dos 7,0%, surpreendeu o "mercado" e decidiu manter a taxa básica de juros da economia brasileira em 14,25%, usando como "desculpa" a elevação das incertezas domésticas e, principalmente, externas, o que certamente abalará ainda mais a confiança no país.

 

Deixando claro, para bom entendedor, que o Copom não elevaria a Selic no final do dia, inclusive por orientação sua, na tarde de ontem o ex-presidente Lula afirmou que o governo Dilma adotaria mudanças para justificar a saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda, ressaltando inclusive que a tentativa de ganhar simpatia do mercado não deu resultado.

 

Convocado por Dilma para defender o indefensável, Nelson Barbosa, ministro da Fazenda que participa do Fórum econômico de Davos no lugar da referida presidenta do Brasil, afirmou ontem que a CPMF é um imposto necessário para o país atravessar essa fase de turbulência econômica, ressaltando que sem ele vai demorar mais tempo para a economia brasileira se recuperar, o que obviamente é um enorme contrassenso.

 

Já esperando, após as sinalizações do ministro da Fazenda tupiniquim, que o Copom mantivesse inalterada a taxa básica de juros, ontem o mercado de juros futuros de prazo mais longo (a partir de 2018) disparou, o que obviamente elevará os custos dos financiamentos de longo prazo, desestimulando os investimentos no setor produtivo e prejudicando ainda mais a economia brasileira.

 

Indicando que, "o que já estava ruim em 2015 vai ficar péssimo em 2016", segundo estimativas (1) da consultoria LCA, o Brasil deve perder cerca de -1,4mi de postos formais de trabalho até o fim deste ano, o que representará o segundo ano seguido com fechamento líquido de empregos, algo que não ocorria desde 1999 e (2) do Instituto de Finanças Internacionais, neste ano de 2016 os investimentos em títulos e ações de mercados emergentes devem registrar um saldo negativo de US$ –448bi.

 

Dando mais um claro sinal de retração da economia brasileira, em DEZ/15 o valor médio dos novos aluguéis residenciais na cidade de SP apresentou a sétima queda nominal (sem descontar a inflação de 10,5% registrada pelo IGP-M em 2015) consecutiva, desta vez de -0,2% na comparação com NOV/15 e de -2,5% na comparação com DEZ/14, o que representa o pior resultado desde que esta pesquisa começou a ser feita, em 2005.


Política:
 
Tornando publico cada ação que realiza, o que obviamente é uma estratégia para se proteger, o vice-presidente Michel Temer alertou à presidenta Dilma que o governo "precisa ouvir mais do que falar" e adotar "outra postura", mostrando que "está disposto a ser mais servo" do que dar ordens.

 

Para responder ao seu vice, a presidenta Dilma decidiu que vai convocar em FEV/16 o seu Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, que é formado por empresários e outras lideranças da sociedade, e seguir seu conselho de ser mais ouvinte.

 

Apontado como o chefe do clube das empreiteiras que atuou no esquema de corrupção da Petrobras, Ricardo Pessoa, dono da UTC, Ricardo Pessoa, afirmou aos investigadores da Lava Jato que foi pressionado de maneira "sutil" pelo ministro Edinho Silva, da Comunicação Social, a fazer doações para a campanha à reeleição da presidenta Dilma.

 

Prejudicando suas pretensões de ser candidato à presidente do Brasil em 2018, Alckmin, governador tucano de SP, ficou bastante preocupado com as projeções desoladoras sobre a economia do estado que chegaram ontem à mesa dele e que apontam que os paulistas enfrentarão 3 anos consecutivos de recessão (2015, 2016 e 2017), inclusive com explosão do desemprego.

 

-    Diante da insatisfação com a atuação do ministério da saúde, comandada por um peemedebista falastrão que atualmente não pode ser demitido, a Casa Civil assumirá a coordenação das ações federais contra a epidemia de dengue que assola o Brasil.

-    Hoje adormecida, a possibilidade de rompimento com o governo Dilma na convenção de MAR/16 ainda anima alas do PMDB, que apostam no aprofundamento da recessão para inflamar os descontentes.


Crítica:
 
Confirmando que, ao menos como comediante, é melhor que Tiririca e Serginho Malandro juntos, ontem o ex-presidente Lula, que tem mais de 90% das pessoas próximas a ele presas ou indiciadas pela justiça, teve a cara de pau de dizer que não existe no Brasil uma pessoa mais honesta do que ele.
 
Com a maior "cara de pau", ontem, cerca de 6 anos após o evento, a CVM anunciou que identificou "deficiências" no processo de capitalização da Petrobras, ocorrido em 2010 e que levantou cerca de R$ 120bi com o objetivo de financiar investimentos no pré-sal.

PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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