R.B. 4/DEZ/15 "Um partido de covardes"


R.B.

"Um partido de covardes"

 

São Paulo, 4 de dezembro de 2015 (SEXTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve cair, devolvendo uma parte da forte alta registrada no pregão anterior, em um movimento de cautela antes do final de semana e também acompanhando as perdas das principais bolsas mundiais e o recuo das commodities e (2) o DÓLAR pode subir, retomando sua trajetória de alta, seguindo o movimento internacional da moeda norte-americana e influenciado pela provável piora do "humor" na bolsa brasileira.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 3,3%, mesmo com as perdas das bolsas de NY e da Europa, com ótimo volume de negócios (R$ 7,8bi) e com os investidores reagindo positivamente à aceitação do pedido de impeachment da presidenta Dilma e apostando que isto trará uma melhora no quadro político e econômico do País e (2) o DÓLAR caiu –2,1% à R$ 3,75, acompanhando a melhora do "humor" na bolsa brasileira, diante da avaliação de que uma eventual saída de Dilma pode significar o fim da crise política e a volta da governabilidade.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão 0,1%, sustentada pelo bom desempenho das ações da JX Holdings (2,7%) e da TonenGeneral (1,1%), após as referidas petrolíferas fecharem um acordo para unir suas operações até ABR/17 e China 1,4%, beneficiada pelo rumor de que Pequim poderá reduzir o ritmo de lançamento de novas ofertas públicas iniciais de ações no próximo ano e em meio à expectativa de novos estímulos, (2) da EUROPA, registrando os piores resultados diários em mais de 3 meses, Inglaterra –2,3%, França –3,6% e Alemanha –3,6%, com destaques de queda para as ações das empresas de petróleo, gás e mineração, já que o anúncio de estímulos do BC Europeu ficou muito aquém das expectativas dos investidores e (3) dos EUA, acompanhando as perdas das bolsas europeias, S&P –1,4%, DJ –1,4% e NASDAQ –1,7%, também influenciadas pela divulgação de dados de produção, novos negócios e nível de emprego a subindo a um ritmo mais rápido, o que praticamente consolidou as previsões de que o Fed ("BC" local) vai subir a taxa de juros do país na sua próxima reunião entre os dias 15 e 16/DEZ/15.

 

Provavelmente bem paga pelo governo petista para manter o Brasil como grau de investimento, obviamente apenas até que isto se torne ridiculamente errado, ontem a agencia de classificação de risco Fitch afirmou que a abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma pode prejudicar o ajuste fiscal no país.

 

Segundo o economista Rubens Ricúpero, chefe da economia brasileira durante o lançamento do Plano Real (em 1994) e ex-embaixador brasileiro em Washington, a crise política no Brasil está aumentando as incertezas e aprofundando a recessão econômica e, como a presidenta Dilma perdeu a capacidade de governar, a saída menos dolorida para a economia brasileira seria a sua renúncia.

 

Indicando que a taxa básica de juros da economia brasileira pode voltar a subir, segundo projeções dos atuais 14,25% para até 15,25%, o BC tupiniquim prometeu, na ata da sua reunião da semana passada, que vai atuar "de forma contundente" para evitar que a alta de preços ultrapasse o teto de 6,5% no próximo ano.

 

Dando 2 novos sinais negativos da economia brasileira, (1) em NOV/15 a demanda por energia elétrica no país recuou –2,3% na comparação com NOV/14 e (2) registrando a vigésima baixa consecutiva na comparação anual, em OUT/15 a produção industrial tupiniquim recuou –11,2% na comparação com OUT/14.

 

Buscando novas fontes de recursos, o governo Dilma anunciou que a partir de FEV/15 o governo vai passar a cobrar 1,03% dos bancos em que são depositados os salários, aposentadorias e pensões dos servidores públicos federais, porem como atualmente 88% destes valores são depositados ou Banco do Brasil ou na Caixa Econômica Federal, o que está sendo feito é uma transferência de dinheiro dos acionistas destes bancos para o governo.

 

Como deu um passo muito maior que a sua perna, o BTG, abalado pela prisão do seu presidente e principal executivo, anunciou que, apenas 3 meses depois de incorporar o banco suíço BSI, decidiu colocar a instituição à venda para levantar recursos para reforçar o caixa e enfrentar a crise de confiança pela qual passa.

 

Pagando caro pela corrupção petista que se aprofundou e corroeu a empresa, entre o ano passado e este ano a Petrobrás foi a marca com maior perda de valor em 2015, segundo o ranking das 25 mais valiosas do Brasil, divulgado ontem pela consultoria Interbrand, com um recuo de -39% nos últimos 12 meses.

 

A Cetip, maior central depositária de títulos da América Latina, informou ontem que a oferta de compra da empresa de R$ 39 por ação feita pela BM&FBovespa foi rejeitada pelo conselho de administração da companhia, ressaltando que ela não representa um valor justo.


Política:
 
Acreditando que ainda tem a necessária força politica para se manter no cargo, a presidenta Dilma, aconselhada por seus "geniais" assessores, agora quer acelerar a tramitação no Congresso do seu processo de impeachment, resolvendo a questão antes do recesso parlamentar.

 

Provando mais uma vez que é "um partido de covardes", depois que o governo passou a defender um desfecho o mais rápido possível para o processo de impeachment contra a presidenta Dilma, com a possibilidade de que o recesso parlamentar seja cancelado, o PSDB mudou de opinião e passou a defender que o Congresso mantenha, como é de praxe, as férias de fim de ano.

 

Como se estivessem lidando com um político amador, o que é exatamente o contrário, Ministros do governo Dilma agora trabalham para constranger o vice-presidente Michel Temer a se solidarizar publicamente com a petista durante a tramitação do processo de impeachment.

 

Ontem, em sua primeira declaração depois de o correligionário Eduardo Cunha acatar o pedido de impeachment de Dilma, o vice-presidente Michel Temer evitou fazer uma defesa enfática da presidenta e apenas afirmou que o governo "fornecerá informações que serão analisadas adequadamente pela Câmara", ressaltando que espera que ao final deste processo o país saia pacificado.

 

As primeiras ofensivas deflagradas pela presidenta Dilma para tentar anular a decisão que acolheu o processo de impeachment já sofreram as primeiras derrotas no Supremo Tribunal Federal, pois o ministro Celso de Mello mandou arquivar uma ação e Gilmar Mendes negou um pedido de deputados governistas para a concessão de liminares suspendendo o ato de Eduardo Cunha, presidente da Câmara.

 

Diante de uma combinação entre aumento do desemprego, crise da água e o controverso plano de remodelação do sistema público de educação, o percentual de paulistas que avaliam como bom ou ótimo o governo Alckmin caiu para 28%, o que representa o pior patamar desde que ele foi eleito pela primeira vez e menos da metade do que ele tinha nas vésperas de ser reeleito no ano passado (48%).

 

Assim como em uma briga de lavadeiras á beira do rio, em uma dura reação à presidenta Dilma, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, acusou a petista de ter "mentido à nação" ao ter afirmado que jamais aceitaria qualquer barganha contra o funcionamento das instituições democráticas.


Crítica:

 

Com a crescente humilhação do PT, a rápida decadência de Lula e o desejado fim do governo Dilma, o que está se desconstituindo, para o bem do país, não é apenas um partido político, mas a crença de que um grupo de pessoas detém o monopólio da justiça, da virtude e das boas intenções.


PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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