R.B. 16/OUT/15 "Enquanto o mercado de capitais tupiniquim encolhe a cada dia"


R.B.

"Enquanto o mercado de capitais tupiniquim encolhe a cada dia"

 

São Paulo, 16 de outubro de 2015 (SEXTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve cair, devolvendo os ganhos registrados no pregão anterior, influenciada pelo recuo das commodities e pela crescente piora dos cenários politico e econômico no Brasil e (2) o DÓLAR pode subir, em um movimento de cautela antes do final de semana, recuperando uma parte das perdas acumuladas no mês e influenciado pela esperada piora do "humor" na bolsa brasileira.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 1,0%, após um pregão com alguma volatilidade, já que na mínima recuou –0,8% e na máxima avançou 1,0%, e bom volume de negócios (R$ 15,7bi), na qual fechou o dia acompanhando a valorização das bolsas de NY e a alta das commodities e (2) o DÓLAR caiu –0,5% à R$ 3,80, seguindo a melhora do "humor" na bolsa brasileira e a trajetória internacional da moeda norte-americana, mesmo diante do rebaixamento da "nota" do Brasil pela agência de classificação de risco Fitch.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão 1,1%, impulsionada pela crescente especulação de que autoridades japonesas deverão adotar medidas de estímulo adicionais e China 2,3%, em meio a novos sinais de reformas em estatais do país, (2) da EUROPA, Inglaterra 1,1%, França 1,4% e Alemanha 1,5%, já que a divulgação de que em SET/15 ocorreu uma deflação de –0,1% na zona do euro reforçou as perspectivas de manutenção de juros zero na região por um longo período e (3) dos EUA, recuperando perdas registradas após 2 pregões consecutivos de baixa, S&P 1,5%, DJ 1,3% e NASDAQ 1,8%, com os investidores apostando que o Fed ("BC" local) não vai elevar as taxas de juros este ano e destaques de alta para as ações do setor financeiro, como Goldman Sachs (3,0%) e Citigroup (4,4%), que divulgaram resultados melhores do que o esperado.

 

Apontando como motivos o maior endividamento do governo, além do aumento dos desafios para a consolidação fiscal e a piora da perspectiva de crescimento econômico, ontem a agência de classificação de risco Fitch rebaixou sua "nota" de crédito para o Brasil, para um degrau antes da perda de grau de investimento, e colocou esta "nota" sob perspectiva negativa.

 

Desconstruindo o principal argumento daqueles que defendem a permanência de Dilma no poder, que é manter a estabilidade política do país, ontem Shelly Shetty, diretora sênior de ratings soberanos da Fitch, afirmou que seria mais prejudicial para o Brasil e afetaria mais negativamente sua classificação de risco a não aprovação do ajuste fiscal do que o impeachment da presidenta.

 

Ontem à noite, na mesma hora em que Lula fritava o ministro Joaquim Levy, o Ministério da Fazenda emitiu uma nota na afirmando confiar na capacidade de recuperação da economia brasileira após a aprovação do orçamento de 2016 no Congresso Nacional, ressaltando que isto será uma sinalização positiva ao mercado, com um maior compromisso do governo junto ao desempenho fiscal.

 

Apesar da promessa oficial de que a União economize 0,10% do PIB (ou R$ 5,8bi) neste ano, o governo Dilma, revelando mais uma vez sua enorme incapacidade administrativa e gerencial, já avalia que em 2015 ocorrerá um rombo nas contas públicas superior a R$ -60bi, o que representa cerca de 1% do PIB.

 

Piorando ainda mais as contas publicas tupiniquins, por conta das condições adversas do mercado, a abertura de capital do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil) não deverá ocorrer neste ano como inicialmente esperado pelo governo, o que reduz em R$ –4,0bi a expectativa de receita da União.

 

Ressaltando que o modelo econômico neoliberal adotado pelo Brasil já deu o que tinha que dar, o economista José Gabriel Palma, da Universidade de Cambridge, afirmou que agora é preciso ao país mais ambição, copiando o que fez a Ásia, (1) reindustrializando o setor exportador, (2) diversificando mais a economia, (3) regulando de verdade as finanças e (4) dando transparência às instituições e à política.

 

Após ressaltar que o rebaixamento da "nota" do Brasil pela Fitch não surpreende e pouco muda o cenário, o economista Otaviano Canuto, representante brasileiro no FMI, o "imbróglio político" precisa ser resolvido para se evitar mais cortes na nota de crédito de risco do país.

 

"Enquanto o mercado de capitais tupiniquim encolhe a cada dia", ontem, no mesmo dia em que a Souza Cruz pagou R$ 9,4bi para tentar fechar seu capital, tirando suas ações da Bovespa, a multinacional norte-americana de meios de pagamento First Data levantou US$ 2,6bi em sua estreia na Bolsa de NY, o que representa o maior IPO do ano nos EUA.

 

Por falta de demanda, já que ofereceu aos investidores uma taxa de remuneração muito menor do que o necessário para atrair a atenção, ontem a Petrobras anunciou que decidiu suspender a oferta de R$ 3bi em debêntures.

Política:

 

Colocando Dilma em uma situação ainda mais delicada, ontem, durante uma reunião com a bancada de deputados do PT, o ex-presidente Lula defendeu a troca do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e pediu aos parlamentares petistas uma adoção de uma política de não agressão ao presidente da Câmara, o peemedebista Eduardo Cunha.

 

Mostrando que o esquema era unificado, segundo informações enviadas pela polícia da Suíça, a principal conta atribuída ao presidente da Câmara dos Deputados, o peemedebista Eduardo Cunha, foi aberta com ajuda do mesmo operador usado pelo ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para movimentar seu dinheiro no exterior.

 

Indicando o motivo de Lula defender tanto Eduardo Cunha, o lobista Fernando Soares, delator da Lava Jato e atualmente preso, afirmou que fez um pagamentos (1) de R$ 2mi a um amigo do referido ex-presidente, ressaltando que o montante que seria destinado a uma nora do petista e (2) em dinheiro vivo de ao menos R$ 1mi ao também referido presidente da Câmara.

 

Como se ainda fosse advogado do PT, ontem Dias Toffoli, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, pediu que a presidenta Dilma se manifestem sobre a eventual indicação do ministro Gilmar Mendes para a relatoria dos pedidos de cassação contra ela mesma que estão em análise na corte.

 

Secretário-geral do PSDB e aliado próximo do governador Alckmin, o deputado Sílvio Torres encaminhará nota ao comando do partido defendendo que a oposição não condicione suas ações às "reduzidas chances de sobrevida" do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, ressaltando que o processo de impeachment, se tiver respaldo jurídico e político, seguirá curso próprio.

 

Sem medo de represarias, o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, afirmou ontem que uma forma "não traumática" para o país superar a crise é a "renúncia coletiva" da presidenta Dilma, do seu vice Michel Temer e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ressaltando que o mal maior, a crise econômica, está sendo deixado "em segundo plano" por "interesses políticos e pessoais".

 

Contrariando as ordens de Lula, a segunda maior tendência do PT, a Mensagem ao Partido, divulgou ontem uma nota em que exige que a cúpula da sigla trabalhe pela cassação do mandato do presidente da Câmara, o peemedebista Eduardo Cunha.


Crítica:

 

Terroristas bancados pelo governo e à serviço do PT, os integrantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) estão apoiando ativamente a greve dos bancários, que hoje completa 11 dias, já que fazem piquetes na porta das agências e auxiliam os grevistas, atuando como vigilantes.

 

Cada dia mais capitalista, na China, que ao menos oficialmente ainda é comunista, este ano o número de donos de fortunas superiores a 1bi de dólares superou pela primeira vez a quantidade de bilionários registrada nos EUA, e isto ocorreu apesar da desaceleração na segunda maior economia mundial.


PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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