R.B. 9/SET/15 "Mais uma lei estúpida"


R.B.

"Mais uma lei estúpida"

 

São Paulo, 9 de setembro de 2015 (QUARTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve seguir em alta, acompanhando o movimento ascendente das principais bolsas mundiais, porem deve-se ressaltar que a tendência de curto prazo ainda é de baixa, já que no Brasil as contas públicas estão desequilibradas e o governo não consegue chegar a um ajuste fiscal efetivo e (2) o DÓLAR pode voltar a cair, ainda em um "ajuste técnico" diante das fortes altas recentes e também acompanhando trajetória internacional da moeda norte-americana e a momentânea melhora do "humor" na bolsa brasileira.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 0,6%, acompanhando o movimento ascendente das principais bolsas mundiais, beneficiada pela recuperação dos preços das commodities e com destaques de alta para Petrobrás (1,5%) e Vale (4,3%) e (2) o DÓLAR caiu –0,7% à R$ 3,81, influenciado por uma atuação mais intensa do BC na ponta vendedora e seguindo a melhora do "humor" na bolsa brasileira.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, sem uma tendência única, Japão -2,4%, diante da inesperada queda do índice de confiança do setor de serviços do pais, que atingiu o menor nível desde JAN/15 e China 2,9%, beneficiada pelas expectativas de novas medidas de estímulo por parte do governo do país, (2) da EUROPA, Inglaterra 1,2%, França 1,1% e Alemanha 1,6%, com os investidores animados com a divulgação de números positivos do PIB da região e de dados animadores da balança comercial alemã e (3) dos EUA, S&P 2,5%, DJ 2,4% e NASDAQ 2,7%, beneficiadas pela valorização das commodities e pelas expectativas de mais medidas de estímulos na China.

 

Acalmando os mercados globais e ajudando a segurar a desvalorização do real e a queda da bolsa brasileira, segundo Kaushik Basu, economista-chefe do Banco Mundial, o Fed ("BC" dos EUA) corre o risco de causar "pânico e tumulto" nos mercados emergentes caso opte por elevar os juros na reunião de SET/15 e por este motivo deveria segurar o fogo até que a economia mundial esteja em posição mais firme.

 

Cada dia mais pessimista com o futuro do país, Shelly Shetty, diretora sênior de ratings soberanos da agencia de classificação de risco Fitch, afirmou ontem que o mau desempenho do Brasil está se tornando estrutural e que o seu foco de atenção está na dinâmica de crescimento e na dívida.

 

Como frutos das dificuldades crescentes do governo em relação ao compromisso de melhorar as contas públicas, o "mercado" reduziu novamente suas expectativas para o desempenho do PIB brasileiro em 2015, desta vez de –2,26% para -2,44%, e também piorou suas "apostas" para a inflação medida pelo IPCA deste ano, de 9,28% para 9,29%.

 

Confirmando a forte queda da confiança no futuro da economia brasileira, segundo Luciano Coutinho, presidente do BNDES, é preocupante a redução de -47% no número de consultas de empresas que buscam financiamentos no referido banco de fomento no primeiro semestre deste ano frente ao mesmo período de 20014.

 

Cobrando o preço da incompetência administrativa da presidenta Dilma, a demora do governo em lançar licitações para os terminais portuários públicos brasileiros está forçando a migração, para outros países como México e Panamá, de investimentos antes programados para o Brasil.

 

-    Pressionando a inflação, os consumidores da Celg, empresa de distribuição de energia elétrica que atende 2,7 milhões de casas, escritórios e indústrias em Goiás, terão um aumento médio de 6,89% no preço da energia.

-    Dando mais um sinal negativo da economia brasileira, no segundo trimestre deste ano as vendas de smartphones caíram -13% ante o mesmo período do ano passado.

 

-    A Gerdau subiu 3,3%, após ter anunciado aos seus clientes reajuste de 15% nos preços de aços longos.

-    A CCR caiu -6,8%, já que uma decisão da Justiça antecipou o fim da concessão do sistema Anhanguera-Bandeirantes para 2018 e o governo Alckmin cogita uma nova licitação que pode baixar o valor do pedágio.


Política:
 
Em defesa de sonegadores, traficantes e bandidos, o governo Dilma, com o apoio do deputado peemedebista Eduardo Cunha, presidente da Câmara, decidiu apresentar um projeto de lei, com urgência constitucional, que autoriza a repatriação de recursos não declarados depositados no exterior e cuja previsão é arrecadar entre R$ 30bi e R$ 100bi em impostos.
 
Conforme já se esperava, diante da falta de articulação política do governo Dilma, a manifestação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de que o governo estuda elevar o Imposto de Renda com o objetivo de aumentar a arrecadação foi criticada ontem pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, pelo presidente do Senado, Renan Calheiro, por toda a oposição e até por líderes de bancadas governistas.

 

Se afastando cada dia mais da presidenta Dilma, o vice-presidente Michel Temer defendeu ontem que uma eventual proposta de criação de receita para evitar um déficit das contas públicas no ano que vem deve partir do governo federal, não do Congresso Nacional.

 

Contrariando a presidenta Dilma e seus ministros, ontem o ex-presidente Lula defendeu a manutenção de todas as despesas do governo em programas sociais, ressaltando que a expansão da economia durante seu mandato (2003-2010) deveu-se às políticas que incentivaram o consumo das camadas mais pobres da sociedade.

 

Criando "mais uma lei estúpida" e que só existe no Brasil, ontem o Senado aprovou, em segundo turno, a proposta de emenda à Constituição que institui cotas para mulheres (começando com 10% em 2016 e terminando com 16% em 2020) na Câmara dos Deputados, nas Assembleias Legislativas e nas Câmaras municipais.

 

Aécio Neves, principal derrotado nas eleições presidências de 2014 e presidente do PSDB, foi consultado ontem por líderes de 4 partidos de oposição sobre o lançamento do movimento pró-impeachment da presidenta Dilma, porem, apesar de concordar com o tema, deixou claro que não quer assumir a dianteira do grupo.


Crítica:

 

Deixando cada dia mais claro que a reeleição da presidenta Dilma foi um enorme estelionato eleitoral, ontem (1) Joaquim Levy, ministro da Fazenda, afirmou que o aumento do imposto de renda é uma possibilidade em estudo dentro do governo e (2) Ricardo Berzoini, Ministro das Comunicações, admitiu que o governo deve cortar gastos em programas sociais, como o Minha Casa, Minha Vida.


PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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