R.B. 4/SET/15 "As fronteiras do mundo devem cair"


R.B.

"As fronteiras do mundo devem cair"

 

São Paulo, 4 de setembro de 2015 (SEXTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve cair, para provavelmente zerar os ganhos acumulados no mês (1,6%) e ampliar a baixa registrada no ano (-5,3%), acompanhando as perdas das principais bolsas mundiais e em um movimento de cautela antes do final de semana e (2) o DÓLAR pode seguir em alta, rumo aos R$ 4,00, influenciado pela esperada piora do "humor" na bolsa brasileira e seguindo a trajetória internacional da moeda norte-americana, diante do aumento das "apostas" de que a taxa básica de juros dos EUA vai subir neste mês de SET/15.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 1,9%, para fechar em território positivo pelo segundo pregão consecutivo, em uma sessão marcada pela volatilidade, já que na máxima avançou 2,3% e na mínima recuou –0,4%, pelo bom volume de negócios (R$ 7,7bi) e com destaque de alta para as ações da Vale (3,4%) e das demais exportadoras, que são beneficiadas pela alta do dólar e (2) o DÓLAR subiu 0,1% à R$ 3,76, devolvendo no final do pregão a forte alta que registrou na parte da manhã, quando na máxima atingiu R$ 3,81, diante da "garantia" de que Joaquim Levy permanecerá no comendo do Ministério da Fazenda.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, China permaneceu fechada por conta de feriado nacional e Japão 0,5%, acompanhando a recuperação dos mercados acionários de NY no dia anterior e com destaques de alta para as ações de empresas voltadas para o mercado doméstico, como a seguradora MS&AD (4,9%) e a operadora móvel NTT (4,4%), (2) da EUROPA, Inglaterra 1,8%, França 2,2% e Alemanha 2,7%, impulsionadas pela sinalização de Mario Draghi, presidente do BC Europeu, de que os estímulos à economia europeia poderão continuar por um período maior do que o inicialmente previsto e (3) dos EUA, devolvendo no final do dia os ganhos registrados na abertura, S&P 0,1%, DJ 0,1% e NASDAQ –0,3%, em um movimento de cautela antes da divulgação dos dados do nível de emprego no país em AGO/15, que deve ser o fator mais importante para definição do rumo da taxa de juros norte-americana.

 

Apesar do PT já ter programado uma reunião para criticar a política econômica do atual ministro da Fazenda, ontem Mercadante, ministro da Casa Civil, "garantiu" que Joaquim Levy permanece no cargo, ressaltando que ele tem compromisso com o Brasil e sabe da importância que seu trabalho tem para o país.

 

Opositor, assim como Mercadante, das políticas econômicas de Joaquim Levy, Nelson Barbosa, ministro do Planejamento, afirmou ontem que o setor público precisa convergir para um superávit primário de 2% do PIB para manter a estabilidade fiscal do Brasil, ressaltando ser necessário uma readequação das receitas, o que indica que ele apoia novos aumentos de impostos.

 

Os mercados emergentes expressaram preocupação com a possibilidade e o momento da alta de juros nos EUA, mas o comunicado do G20 em reunião de chefes de Finanças na Turquia não vai pedir ao Fed ("BC" dos EUA) para segurar este aumento, o que aliás pode ocorrer este mês se a taxa de desemprego norte-americana que será divulgada hoje apresentar retração.

 

Como este ano não tem eleições presidenciais e as empresas "queridinhas do governo" ou estão na operação Lava Jato ou estão investigadas por outros casos de corrupção, no primeiro semestre de 2015 o BNDES aprovou apenas R$ 43,1bi em novos financiamentos, o que representa metade dos R$ 86bi liberados do mesmo período do ano passado.

 

Como fruto da desvalorização do real, das turbulências nos mercados globais e principalmente do caos político e da crise na econômica que crescem a cada dia mais no Brasil, as ações das empresas brasileiras atingiram ontem os menores preços em mais de 10 anos, quando apenas começava o último ciclo de alta nos preços das commodities, o que indica que, para quem tem disposição para investir à longo prazo, o patamar é muito bom para compras.


Política:
 
Muito provavelmente elevando os custos bancários, já que como não tem concorrência as instituições repassarão este aumento para seus clientes, ontem a Câmara aprovou a medida provisória 675, que eleva de 15% para 20% a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido dos bancos até 1º de janeiro de 2019, quando em tese retorna a taxação anterior.
 
Permitindo que o presidente da Câmara, o peemedebista Eduardo Cunha, possa retomar uma articulação para tentar abrir caminho para análise das contas da presidenta Dilma de 2014, ontem o Supremo Tribunal Federal deixou em aberto para que o Congresso defina o sistema de votação dos balanços de presidentes.

 

Defendendo as obras bancadas pelo BNDES em países da América Latina, como Cuba e Venezuela, e na África, que segundo ele geram emprego e renda no Brasil, o economista Demian Fiocca, ex-presidente do BNDES de 2006 a 2007, durante o governo Lula, garantiu que não há, na sociedade, um sentimento de corrupção em relação ao referido banco de fomento.

 

Fazendo uma excelente proposta, que infelizmente é difícil de se concretizar com Dilma na presidência, a ala do PMDB ligada ao vice-presidente Michel Temer decidiu blindar Joaquim Levy e pressionar a presidenta a demitir Aloizio Mercadante, ressaltando que o referido titular da Casa Civil é o responsável pelas  "intrigas" para desestabilizar o ministro da Fazenda.

 

Senadores e deputados ligados à cúpula do PMDB calculam que até o congresso do partido, em 15/NOV/15, a crise econômica terá se agravado, levando às ruas as classes C e D, e que este será o momento certo para o partido anunciar a ruptura com o governo e o apoio oficial da sigla à saída de Dilma, via impeachment ou renúncia.

 

-    Segundo o peemedebista Eduardo Cunha, presidenta da Câmara, o financiamento de empresas aos partidos e às campanhas, suspenso pelo Senado em votação na noite de quarta-feira, será retomado pela Câmara.

-    O vice-presidente Michel Temer afirmou ontem, em mais uma rodada de conversas com empresários de SP, que será difícil Dilma chegar até o fim do mandato se permanecer com índices tão baixos de popularidade.

-    Com incentivo do ex-presidente Lula e o copatrocínio do PT, movimentos sociais, como CUT, MST e UNE, lançam amanhã um manifesto pedindo mudanças na política econômica.


Crítica:

 

Certamente a maioria das pessoas vive e morre onde nascem se as condições são boas, pois o humano é um ser avesso a mudanças, porem é inadmissível que um pássaro possa cruzar uma fronteira livremente e uma humano seja proibido de morar no país que quiser, as culturas devem ser respeitadas, quem chega deve se adaptar aos costumes locais, mas "as fronteiras do mundo devem cair".


PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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