R.B. 14/SET/15 "A vaca da Dilma está indo para o brejo"


R.B.

"A vaca da Dilma está indo para o brejo"

 

São Paulo, 14 de setembro de 2015 (SEGUNDA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, tentando um movimento de recuperação, diante do aumento das "apostas" de que Dilma perderá seu mandato e que o PSDB pode se unir ao PMDB para formar um governo de coalizão e (2) o DÓLAR pode cair, em um "ajuste técnico" após as fortes altas da semana passada, acompanhando a esperada melhora do "humor" na bolsa brasileira, influenciado pelos leilões de venda do BC e também beneficiado pelo avanço da proposta de redução de gastos públicos, que inclui o fechamento do até 10 ministérios.

 

Sexta-feira, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu –0,2%, para fechar em território negativo pelo terceiro pregão consecutivo, acompanhando as perdas das principais bolsas mundiais, prejudicada pelo recuo das commodities e com destaque de queda para as ações da Petrobrás (-3,9%) e (2) o DÓLAR subiu 1,2% à R$ 3,88, para fechar o dia no no maior patamar desde 23/OUT/02, diante da ausência de sinais claros de alguma resolução para a atual crise no Brasil.

 

Também sexta-feira, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão –0,2% e China –0,1%, com destaques de queda para as ações das empresas de energia e maquinário, enquanto os investidores aguardam a decisão do Fed ("BC" dos EUA), (2) da EUROPA, Inglaterra –0,6%, França –1,1% e Alemanha –0,8%, pressionadas pela desvalorização das ações de empresas de telecomunicações, depois que a oposição da União Europeia levou a Telenor ASA e a TeliaSonera AB a desfazerem a fusão entre as empresas e (3) dos EUA, recuperando as perdas da abertura, S&P 0,4%, DJ 0,6% e NASDAQ 0,5%, beneficiadas pela divulgação de que o índice preliminar da Universidade de Michigan caiu de 91,9pts em AGO/15 para 85,7pts em SET/15, o que representa o maior declínio mensal desde o final de 2012, indicando que as famílias estão menos otimistas sobre o futuro crescimento do emprego e os salários, o que pode postergar o aumento dos juros na reunião do FED ("BC" local) que ocorre nesta semana.

 

Mostrando um enorme pessimismo com o futuro da economia brasileira, segundo o editorial do prestigiado jornal britânico Financial Times se o Brasil fosse um paciente internado, os médicos da UTI já o teriam diagnosticado como doente terminal, já que (1) a economia está uma bagunça, (2) as contas públicas estão uma confusão, (3) foi a crise política e não a econômica que levou a agência de classificação de risco S&P a rebaixar a nota do país na última semana e (4) o ambiente externo é bastante desfavorável ao país, com a economia da China desacelerando, o colapso nos preços das commodities e a provável alta da taxa de juros nos EUA.

 

Como reflexo da recessão econômica e principalmente da falta de confiança dos empresários na condução do país, segundo previsões da Confederação Nacional da Indústria o setor mais nobre da indústria de transformação, o da manufatura, vai fechar 2015 representando apenas 9% do PIB, depois de encerrar o ano passado com uma fatia de 10,9%, o que representará o nível é o mais baixo registrado desta série histórica, iniciada no ano 2000.

 

Dando novos sinais negativos da economia tupiniquim, (1) em JUL/15 o percentual de inadimplência em escolas particulares de SP atingiu 13,7%, o que representa uma forte alta na comparação com JUL/14 (8,3%) e o maior patamar desde a crise econômica de 2009, (2) em JUL/15 o tempo que os brasileiros passam procurando emprego chegou a 14,4, o que representa o período mais longo para o mês desde 2006, (3) segundo dados preliminares da Receita Federal, em AGO/15 a arrecadação de impostos no país caiu cerca de –10% na comparação com AGO/14 e (4) em JUL/15 os lançamentos de imóveis residenciais na cidade de SP tiveram o nível mais baixo para o mês desde 2005, com as vendas recuando quase -60% sobre JUL/14.

 

Cobrando caro o preço da incompetência e da falta de capacidade administrativa da atual presidenta do Brasil, o valor de mercado das ações da Petrobras encolheu de US$ 228bi em 31/DEZ/10, quando começou o governo Dilma, para US$ 28bi na última sexta-feira, levando a empresa a despencar 7 posições no ranking das maiores petroleiras das Américas.

 

Como fruto da baixa produtividade do trabalhador brasileiro, segundo uma pesquisa feito com 500 empresas brasileiras pela consultoria de recrutamento Page Personnel, 75% dos empregadores estão analisando o desempenho de seus funcionários para fazer substituições.

 

Tentando dar uma resposta ao rebaixamento da "nota" do Brasil pela S&P, a presidenta Dilma, que em breve deve perder o emprego, prepara um corte superior a R$ –22bi nas despesas do governo, valor que equivale a 1,5% da proposta orçamentária para 2016 enviada pelo governo ao Congresso e que deve incluir o fechamento de ao menos 10 ministérios, a redução de gastos nos programas sociais, a venda de terrenos e imóveis, a realização de leilões de apartamentos funcionais, a revisão de contratos, a diminuição de secretarias e diretorias e, ainda, redução de cargos comissionados.


Política:
 
Indicando que "a vaca da Dilma está indo para o brejo", diante do agravamento da crise política, é cada dia mais intenso o contato de membros do PMDB, principalmente os aliados do vice-presidente, com integrantes da oposição, o que já levou inclusive o PSDB a discutir, internamente, o apoio e a participação da sigla, inclusive com ministérios, em um eventual governo do peemedebista Michel Temer.
 
Mostrando que as técnicas de desvio de dinheiro publico dos petistas são muito parecidas com as usadas pelos tucanos, o governo Alckmin, (1) pagou R$ 301 mil à empresa Lumi5, do empresário Paulo Borges, que organiza a São Paulo Fashion Week, por apenas 3 postagens no Facebook, 3 no Instagram, 2 anúncios e 1 banner no site FFW e (2) pagou R$ 1,5 milhão ao empresário João Doria Jr., um dos pré-candidatos do PSDB à prefeitura paulistana, por anúncios veiculados em sete revistas da Doria Editora, entre 2014 e ABR/15.

 

Está quase 100% decidido que a oposição na Câmara escolherá o pedido de impeachment apresentado por Hélio Bicudo, fundador do PT, para dar sequência à tramitação do processo de impedimento da presidenta Dilma, que começará a ser discutido oficialmente na Casa esta semana.

 

Diante do avanço do movimento pró-impeachment no Congresso, a presidenta Dilma montou nos últimos dias uma "força-tarefa" integrada por ministros de sua confiança para mapear os apoios de que o governo dispõe e a intenção é chegar ao número de votos para barrar um processo e para aprovar novas medidas de ajuste fiscal.

 

Apesar da pressão da base aliada, principalmente do PMDB, o PT não quer perder o comando da Casa Civil, hoje nas mãos do petista Aloizio Mercadante, e para reforçar esta posição o Palácio do Planalto divulgou uma nota negando com "veemência" que a presidenta pretenda trocar o comando da Casa Civil.

 

-    Causou uma enorme indignação no PT e complicou ainda mais a situação de José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, o pedido da Polícia Federal para tomar depoimento de Lula.

-    Em mais um esforço para mostrar unidade do partido diante da crise do país, Aécio, Alckmin, FHC e Serra dividirão a tela no próximo programa nacional do PSDB na TV, a ser exibido no fim deste mês.

-    Um dos itens que mais irritaram os comandantes das Forças Armadas no decreto 8515 foi o que transferia ao ministro da Defesa o poder de definir o currículo ministrado em colégios e academias militares.

-    A representação que o Ministério Público de SP recebeu apontando irregularidades na arrecadação com multas de trânsito na cidade diz que, ao invés de serem usados para melhorar o trânsito, os recursos vão para empresas de transporte.


Crítica:
 
Principais beneficiários dos "empréstimos camaradas" do BNDES, os maiores empresários do Brasil, mostrando uma enorme ingratidão, fizeram chegar ao governo a avaliação de que, com a perda do grau de investimento do país, a presidenta Dilma precisa agir rapidamente e mostrar resultados até o final deste mês, caso contrário ficará difícil manter o apoio do setor empresarial, um dos últimos lastros do governo petista.
 
Lembrando o ex-ministro Mantega, que em OUT/14, com o dólar a R$ 2,43, afirmou que iria quebrar a cara quem apostasse na desvalorização do real, hoje alias cotado a quase R$ 3,90, na última sexta-feira Nelson Barbosa, ministro do Planejamento, afirmou que quem deixar de investir no Brasil por conta do rebaixamento da "nota" do país pela S&P "perderá muito dinheiro".

PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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