RB 24/AGO/15 ''Está longe do fundo do poço''


R.B.

"Está longe do fundo do poço"

El Colorado, 24 de agosto de 2015 (SEGUNDA-FEIRA).


Mercados e Economia:

Hoje (1) a BOVESPA deve seguir em queda, com ''boas chances'' de fechar o dia abaixo dos 45.000pts, acompanhando a piora do ''humor'' externo e também prejudicada internamente pelo crescente aumento da tensão política e deterioração da economia brasileira e (2) o DÓLAR pode subir, rumo aos R$ 3,60, influenciado pelos mesmos motivos que devem prejudicar bolsa brasileira e ainda seguindo a trajetória internacional da moeda norte-americana.

Sexta-feira, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu -2,0%, para fechar semana registrando baixa de -3,5%, acompanhando o recuo das commodities, seguindo as perdas das principais bolsas mundiais e com os investidores ainda não vendo motivos para compras diante de um cenário externo incerto e de perspectivas internas cada dia mais negativas e (2) o DÓLAR subiu 1,0% à R$ 3,49, em sintonia com a piora do ''humor'' na bolsa, já que também é influenciado pela crescente piora das perspectivas para o Brasil.

Também sexta-feira, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, em mais um dia de fortes perdas, Japão -3,0%, no menor patamar desde 8/MAI/15, influenciada por preocupações com a China e com a perspectiva econômica dos EUA e China -4,3%, após um indicador fraco sobre a atividade manufatureira do país reforçar temores relacionados ao ritmo mais fraco da segunda maior economia do mundo, (2) da EUROPA, registrando os piores desempenhos semanais dos últimos 4 anos, Inglaterra -2,8%, França -3,1% e Alemanha -3,0%, também prejudicas por incertezas políticas envolvendo a Grécia e (3) dos EUA, com o DJ registrando a maior baixa diária desde 2011, S&P -3,2%, DJ -3,1% e NASDAQ -3,5%, fechando a semana de um intenso movimento global de aversão ao risco provocado pelos temores envolvendo as principais economias mundiais e com destaques de queda para as ações de grandes empresas de tecnologia, como Apple (6,1%), Microsoft (-5,7%) e Facebook (-5,0%).

Ressaltando que é absolutamente prematuro falar de uma crise na segunda maior economia do mundo, Carlo Cottarelli, diretor-executivo do FMI, afirmou que a desaceleração econômica da China e a forte queda do mercado acionário chinês são "ajustes necessário" causados por políticas monetárias muito expansivas nos últimos anos.

Tentando mostrar otimismo, apesar de ser constantemente criticado pelos petistas e até por ministros de Dilma, Joaquim Levy, ministro da Fazenda, defendeu a ''política econômica de retalhos'' de voltar a usar os bancos públicos para estimular a atividade, ressaltando que o país "não pode parar".

Finalmente falando uma parte da verdade, só que infelizmente para um jornal alemão e novamente colocando a culta no exterior, na sexta-feira a presidenta Dilma afirmou que o Brasil vive uma crise econômica grave e que a recessão no país ainda deve persistir por cerca de 12 meses.

Dando mais um ''forte e claro'' sinal negativo da economia brasileira, que aliás segundo Armínio Fraga, ex-presidente do BC, ''está longe do fundo do poço'', em  JUL/15 o mercado de trabalho com carteira assinada no Brasil fechou 157.905 vagas, o que representa o pior desempenho desde 1998.

Causando ainda mais desemprego e aprofundando a crise econômica, a redução dos investimentos em exploração da Petrobras já afeta de forma significativa as embarcações de apoio às plataformas de petróleo, que é um segmento que teve crescimento expressivo nos últimos anos e que, após um primeiro semestre de retração, agora projeta desempenho ainda pior no segundo semestre.

Apesar de dizer que a prioridade do seu governo é atuar para as classes menos abastadas da sociedade, desde 22/AGO/13, quando o dólar bateu R$ 2,44 e o BC brasileiro anunciou aquele que se tornaria o maior programa brasileiro de intervenções no câmbio, a autoridade monetária tupiniquim acumula perda de R$ 86 bilhões, o equivalente a 3 anos de pagamentos do Bolsa Família.

-    A Petrobrás caiu -5,1%, já que, alem dos casos de corrupção envolvendo a empresa, com o petróleo abaixo dos US$ 40 por barril, o que representa o menor patamar desde 2009, cada vez mais analistas começam questionar a viabilidade do pré-sal.


Política:

Mostrando que a elite brasileira está satisfeita com o governo Dilma, o banqueiro Roberto Setubal, herdeiro do Banco Itaú e uma das vozes mais influentes do empresariado brasileiro, uma defesa contundente da permanência de Dilma no poder ao afirmar que (1) a presidenta permitiu que a corrupção fosse investigada, (2) as pedaladas fiscais podem "merecer punição", mas não são motivo para impeachment e (3) a queda da presidenta criaria uma instabilidade ruim para a democracia brasileira.

Como Dilma é mandona, desconfiada e centralizadora, conforme já se esperava o vice-presidente Michel Temer, que aliás também tem inúmeros defeitos, vai deixar a articulação política do governo e, segundo caciques peemedebistas, caminha para se consolidar como alternativa de poder em caso de uma interrupção do mandato da atual presidenta do Brasil.

Segundo um grupo de peemedebistas próximos a Eduardo Cunha, presidente da Câmara e desafeto declarado de Dilma, a possibilidade de que o PT assine em peso o manifesto pelo seu afastamento é o ingrediente que pode unificar a bancada do PMDB para deflagrar uma "guerra" contra a presidenta.

Querendo levantar um velho fantasma, Eduardo Cunha quer convocar Marcos Valério para depor na CPI da Petrobras, já que o referido ex-publicitário do PT, atualmente condenado pelo mensalão, disse ao Ministério Público que usou recursos da Petrobrás para abafar investigações do caso Celso Daniel, prefeito de Santo André assassinado em 2002.

Partindo definitivamente para o ataque, a oposição, com um reforço de alguns peemedebistas, deve voltar a se reunir com juristas amanhã, no Congresso, para discutir caminhos para um pedido de impeachment da presidenta Dilma.


Crítica:

Finalmente tomando uma atitude positiva, porem como sempre sem planejamento necessário, Fernando Haddad, prefeito de SP, divulgou na sexta-feira um decreto dado 50% de desconto no IPVA de veículos elétricos, movidos a hidrogênio ou híbridos emplacados na cidade.


PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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