R.B. 20/AGO/15 "O retorno da política econômica de retalhos"


R.B.

"O retorno da política econômica de retalhos"

 

São Paulo, 20 de agosto de 2015 (QUINTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve seguir em queda, ampliando a desvalorização acumulada no mês (-8,4% e no ano (-6,8%), acompanhando as perdas das principais bolsas mundiais e influenciado pela piora das perspectivas políticas e econômicas no Brasil, porem deve-se ressaltar que o patamar começa a ficar muito interessante para compras para quem aposta na queda do governo Dilma e (2) o DÓLAR pode seguir em alta, com "boas chances" de fechar o dia acima dos R$ 3,50, seguindo a esperada piora do "humor" na bolsa brasileira.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu –1,8%, para fechar o pregão no menor patamar desde MAR/14 (aos 46.588pts), diante da análise de que o governo Dilma, em meio à crise política, cometeu um grande engano ao anunciar que usará os bancos públicos para subsidiar crédito ao setor automotivo, retomando à "política econômica de retalhos" que vigorou na gestão Mantega e que foi responsável pela crise atual e (2) o DÓLAR subiu 0,4% à R$ 3,48, seguindo a piora do "humor" na bolsa brasileira, apesar da ata da ultima reunião do Fed ("BC" dos EUA) ter indicado que o aperto monetário norte-americano não começará em SET/15.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão –1,6% e China –1,2%, ainda prejudicadas pelas preocupações sobre a desaceleração econômica chinesa, (2) da EUROPA, Inglaterra –1,9%, França –1,7% e Alemanha –2,1%, pressionadas pelas incertezas no mercado acionário da China e pela cautela com os movimentos do Fed ("BC" dos EUA) e com destaques de queda para as ações das empresas petrolíferas, como como BP (-1,7%) e Shell (-2,4%), diante do recuo dos preços do petróleo (-4,1%) e (3) dos EUA, S&P –0,8%, DJ –0,9% e NASDAQ –0,8%, afetadas negativamente pelos mesmos motivos que derrubaram as bolsas europeias e com destaques de queda para as ações do setor de energia, como ExxonMobil (-2,2%), Chevron (-3,0%) e Transocean (-3,0%).

 

Infelizmente confirmando "o retorno da política econômica de retalhos", ontem, apenas 1 dia após anunciar que vai ajudar o "queridinho" setor automotivo, o governo Dilma avisou que usará o Banco do Brasil para ampliar os financiamentos e reduzir os juros para empresas do setor agrícola.

 

Além de enfraquecer Joaquim Levy, sinalizando uma mudança de direção na política econômica, a decisão da presidenta Dilma de voltar a usar os bancos públicos para liberar crédito com taxas mais baixas para setores em crise trouxe uma preocupação sobre o impacto da medida na inflação, comprometendo o ajuste fiscal.

 

Apresentando novos sinais negativos da economia brasileira, (1) nos 6 primeiros meses deste ano o indicador de atividade econômica IBC-Br apresentou queda de -2,49% na comparação com o semestre anterior, (2) o emprego na indústria acumulou uma redução de -5,2% no primeiro semestre deste ano, frente ao mesmo período do ano passado, o que representa o pior resultado dos últimos 14 anos e (3) diante da forte desaceleração no fluxo de passageiros, somente nesta semana 5 lojas fecharam suas portas no aeroporto de Guarulhos.

 

Em um ciclo vicioso que vai prejudicar ainda mais a economia brasileira, em crise financeira e com dificuldades até para pagar salários, os secretários da Fazenda dos Estados marcaram uma  reunião em Brasília para discutir saídas conjuntas e pressionar o Ministério da Fazenda a aliviar a suspensão da concessão de novos empréstimos e até um aumento conjunto das alíquotas do ICMS e de outros tributos.

 

Dando sequencia a um movimento que deve se intensificar bastante nos próximos meses, principalmente diante do aumento da oferta e da forte retração na demanda, os novos contratos de aluguel residencial assinados em JUL/15 na cidade de SP tiveram uma queda média de -1,8% em termos absolutos e –11,1% em termos reais (quando a inflação é colocada na conta) na comparação com JUL/14.

 

-    A Toshiba disparou 7,7% na bolsa de Tóquio, após a fabricante de eletrônicos nomear uma nova diretoria, formada majoritariamente por executivos de fora, em mais uma tentativa de superar um escândalo contábil que provocou a renúncia de seu presidente, no mês passado.

-    O Banco do Brasil caiu -6,2%, prejudicado pelos temores de aumento da inadimplência após o anúncio de que o governo Dilma usará os bancos públicos para subsidiar crédito ao "queridinho" setor automotivo.

-    A Petrobrás recuou -2,3%, acompanhando a forte baixa do petróleo nos mercados internacionais (-4,1%), que por sua vez foi pressionado pelos temores de excesso da oferta global da commodity.


Política:
 
Enquanto, por falta de recursos em caixa, segura a antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas, governo federal pagou, no mês passado, metade da remuneração extra de servidores da União, o que obviamente inclui a presidenta Dilma e sua equipe econômica.
 
Partindo definitivamente para o ataque, líderes dos partidos de oposição na Câmara (PSDB, DEM, SD, PPS, PSC e PSB) preparam um documento em que afirmam que a crise que aflige o atual governo é "gravíssima" e indicam que não enxergam mais uma saída com a presidente Dilma à frente do Planalto.
 
Diante de rumores de que a Procuradoria-Geral da República deve denuncia-lo por envolvimento na Operação Lava Jato até o final desta semana, Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, afirmou que (1) está "tranquilo e sereno", (2) permanecerá no cargo, (3) os poderes têm que ser respeitados e (4) a ausência de petistas na denuncia é uma prova de que ocorreu um acordão para prejudica-lo e pressiona-lo.

 

Legislando em causa própria, e como sempre ocorre neste caso de forma eficiente e rápida, ontem a comissão especial do Senado que analisa a proposta de reforma política já aprovada pela Câmara retirou a regra que colocava um teto de R$ 20 milhões para doações empresariais.

 

Batendo forte na presidenta, em um artigo publicado ontem Marina Silva, que ficou em terceiro lugar nas eleições presidenciais do ano passado, afirmou que Dilma não é mais reconhecida como líder "pelas forças políticas tradicionais, entre as quais parte de seu próprio partido" e foi "saída pelas lições que insiste em não querer aprender".


Crítica:

 

Como se o carteiro reclamasse do e-mail ou como se a datilografa reclamasse do computador, as operadoras de telecomunicações no Brasil, que aliás são grandes financiadoras das campanhas políticas, pretendem entregar às autoridades tupiniquins em 2 meses um documento com embasamentos econômicos e jurídicos contra o funcionamento do aplicativo WhatsApp, controlado pelo Facebook.

 

Já que vagabundo patrocinado e sustentado pelo governo não precisa trabalhar, foi marcado para hoje um protesto para defender o governo Dilma, porem os organizadores deste ato esdrúxulo chegarão às ruas divididos, já que grupos mais radicais, como os ligados ao MST, querem bater no ajuste fiscal de Joaquim Levy, ministro da Fazenda.


PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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