R.B. 19/AGO/15 "Sem medo de bater de frente"


R.B.

"Sem medo de bater de frente"

 

São Paulo, 19 de agosto de 2015 (QUARTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, ainda recuperando perdas recentes, desta vez beneficiada pela valorização das commodities, porem deve-se ressaltar que a tendência de curto prazo ainda é de queda, principalmente diante das "apostas" de piora do cenário político e econômico e (2) o DÓLAR pode cair, ainda influenciado pelos leilões de venda do BC e acompanhando a esperada melhora do "humor" na bolsa brasileira e a trajetória internacional da moeda norte-americana.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 0,5%, revertendo uma abertura negativa, na qual chegou a recuar –1,1%, em um movimento de recuperação após 5 pregões seguidos de queda, com bom volume de negócios (R$ 6,9bi), impulsionada principalmente pelas ações dos bancos, como Banco do Brasil (3,4%), Itaú (1,7%) e Bradesco (1,9%) e (2) o DÓLAR caiu –0,5% à R$ 3,47, em uma sessão marcada pela volatilidade e pelo baixo volume de negócios, reduzindo assim para 1,5% a valorização acumulada em AGO/15, influenciado pelos leilões de venda do BC.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão –0,3% e China –6,2%, diante do aumento das preocupações com a desaceleração da economia chinesas e com seu impacto no restante do mundo, (2) da EUROPA, reduzindo as perdas registradas na abertura, Inglaterra –0,4%, França –0,3% e Alemanha –0,2%, divididas entre o tombo das ações na China, que derrubou as ações das empresas de mineração, e os dados positivos da economia dos EUA e (3) dos EUA, S&P –0,3%, DJ –0,2% e NASDAQ –0,6%, acompanhando as quedas dos mercados globais de ações e também prejudicadas pela perspectiva fraca de lucros da Wal-Mart, cujas ações recuaram –3,1%.

 

Nitidamente perdendo força dentro do governo Dilma, ontem Joaquim Levy, ministro da Fazenda, afirmou que não acredita que a economia brasileira vai encolher também em 2016, como já projeta a maioria do "mercado", e que também não acredita que a inflação possa chegar nos dois dígitos neste ano, ressaltando que a maior parte dos ajustes para evitar isso já foram feitos.

 

Como fruto da forte retração da economia brasileira, nos 7 primeiros meses deste ano, mesmo contando com R$ 10bi em receitas extraordinárias, o governo Dilma arrecadou em impostos e contribuições R$ 729,8bi, o que, em valores corrigidos pelo IPCA, representa o pior resultado para o período desde 2010.

 

Resgatando aos poucos as políticas econômicas da era Mantega, o governo Dilma, com o objetivo de estimular a economia tupiniquim e ao mesmo tempo indicando que Joaquim Levy, atual ministro da Fazenda, está perdendo força, divulgou em JUL/15 um programa de proteção do emprego restrito a setores escolhidos e ontem anunciou que, por sugestão do "brilhante" ministro Aloizio Mercadante, decidiu voltar a usar bancos públicos para conceder crédito a juros baixos para setores da economia em dificuldades, como a "queridinha" indústria automotiva.

 

Escolhendo perder credibilidade junto ao mercado ao invés de perder ainda mais apoio frente aos seus eleitores, o governo Dilma decidiu voltar atrás e manter o adiantamento de metade do 13° salário aos aposentados e pensionistas, pagamento que havia sido suspenso pelo Ministério da Fazenda sob o argumento de falta de fluxo de caixa para bancar a despesa.

 

Segundo uma pesquisa feita pelo SPC Brasil, a alta do desemprego, como consequência da crise econômica que atinge todo o país, se tornou o principal motivo de 33% das famílias brasileiras não conseguirem quitar suas dívidas, contra 24% no mesmo período de 2014.

 

Até bem pouco tempo atrás considerada uma "estrela" da bolsa brasileira, com suas ações cotadas no auge a R$ 10,20, a construtora PDG, que deveria se beneficiada do programa do governo Federal Minha Casa Minha Vida e que hoje tem ações cotadas a R$ 0,17, anunciou ontem que, com dívidas de quase R$ 7bi, vai começar um processo de reestruturação cujo objetivo é renegociar contratos e reduzir o seu endividamento.

 

-    O Banco do Brasil disparou 3,4%, o Itaú avançou 1,7% e o Bradesco subiu 1,9%, após a senadora petista Gleisi Hoffmann, relatora da Medida Provisória 675, recuar de sua proposta que visava revogar a dedutibilidade dos juros sobre o capital próprio pagos a titular, sócios ou acionistas da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica.

-    A Petrobras caiu –1,3%, já que anunciou (1) antes do inicio do pregão que seu Conselho de Administração aprovou, com voto contrário de seu presidente, a venda de ao menos 25% da BR Distribuidora e (2) após o fechamento do pregão que em JUL/15, por conta do início da operação de novos poços de produção em 3 plataformas nas bacias de Campos e Santos, sua produção de petróleo e gás foi 2,3% maior que em JUN/15.


Política:
 
Centralizando cada dia mais as decisões, a presidenta Dilma, conhecida pela sua enorme falta de habilidade política, avisou na semana passada para Temer que arbitrará pessoalmente as disputas entre seus aliados por cargos no governo, atribuição que entregara ao referido vice-presidente em ABR/15, junto com o comando da articulação política do governo com sua base no Congresso.
 
Apesar de já não alimentar expectativa de recompor boas relações com a Câmara, o governo Dilma acredita que uma pauta focada na melhoria do ambiente de investimento empresarial no país é a única que pode permitir ao Planalto sobreviver até o fim do ano legislativo sem derrotas mais significativas.

 

Enquanto parte dos movimentos patrocinados pelos petistas, como CUT e UNE, defende que se saia às ruas em defesa de Dilma, o MTST quer se descolar do apoio ao governo, batendo forte no ajuste fiscal de Joaquim Levy, ministro da Fazenda, e na Agenda Brasil de Renan Calheiros, presidente do Senado.

 

-           Deputados tucanos entusiastas da saída de Dilma viram a declaração de FHC como uma tentativa de melar a aproximação de Renan Calheiros com o governo.

 

Abrindo aos poucos a cabeça para a realidade, uma comissão no Senado que discute a reforma do Código Brasileiro de Aeronáutica aprovou ontem a discussão da viabilidade de aumentar de 20% para 100% a participação das empresas estrangeiras no capital das companhias aéreas brasileiras.


Crítica:

 

Se esquivando de suas responsabilidades, em uma medida provisória divulgada ontem, o governo Dilma resolveu repassar para o bolso do consumidor uma parte do risco que as usinas hidrelétricas enfrentam quando seus reservatórios de água ficam baixos, seja por falta de chuva ou uso exagerado da água.

 

"Sem medo de bater de frente" com cerca de 90% da população e de dividir o país, o PT, apenas 2 dias após os protestos contra o governo Dilma, começou a vincular ontem na TV uma propaganda pedindo para a população sair às ruas amanhã (20/AGO/15) para "defender a democracia".


PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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