R.B. 30/JUL/15 "Quebraria a cara"


R.B.

"Quebraria a cara"

 

São Paulo, 30 de julho de 2015 (QUINTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, para fechar em território positivo pelo terceiro pregão consecutivo, ainda em um movimento de recuperação de perdas recentes que segue a valorização das principais bolsas mundiais e a recuperação dos preços das commodities e (2) o DÓLAR pode cair, devolvendo parte das fortes altas recentes e desta vez também influenciado pela elevação da Selic, que em tese atrai recursos externos para lucrar com os juros do país.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 1,3%, dando sequencia ao movimento de recuperação iniciado no pregão anterior, acompanhando a melhora do "humor" nas principais bolsas mundiais e com destaques de alta para as ações da Petrobras (7,5%) e da Vale (1,7%), diante da valorização tanto do petróleo quanto do minério de ferro e (2) o DÓLAR caiu –2,28% à R$ 3,34, em um  "ajuste técnico" após fechar o pregão anterior no maior valor desde 21/MAR/03, influenciado pelas expectativas de elevação da taxa básica de juros brasileira, que se confirmou após o fechamento do pregão.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão 0,1% e China 3,4%, em mais um dia de recuperação de perdas recentes, porem com baixo volume de negócios já que os investidores aguardavam uma atualização sobre a política monetária do Fed ("BC" dos EUA), (2) da EUROPA, Inglaterra 1,1%, França 0,8% e Alemanha 0,3%, beneficiadas pela divulgação de bons resultados financeiros, em especial os da Bayer (3,9%) e os da Peugeot (3,8%), e pelo anúncio de que as expectativas de renda alemã continuam subindo,  (3) dos EUA, S&P 0,7%, DJ 0,7% e NASDAQ 0,4%, influenciadas pela decisão do Fed ("BC" local) de manter inalterada a taxa básica de juros do país  e também pela contínua recuperação dos preços do petróleo.

 

Mesmo com a economia encolhendo, com o desemprego aumentando e com a ciência de que a inflação é oriunda dos preços administrados e não da demanda, ontem o Copom elevou a taxa básica de juros da economia brasileira, também conhecida como Selic, pela 7ª vez seguida, desta vez de 13,75% para 14,25%, o que representa o maior patamar desde AGO/06, porem em nota a autoridade monetária tupiniquim disse que os juros devem permanecer nesse novo patamar "por período suficientemente prolongado" para garantir a convergência da inflação para a meta no fim de 2016.

 

Criticando a elevação da taxa básica de juros, Roberto von der Osten, presidente da Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, afirmou que o governo Dilma parece não ter entendido os protestos das centrais sindicais, notadamente os da CUT, que têm apontado que a prática de uma taxa de juros tão elevada está na contramão do desenvolvimento, da retomada do crescimento e da continuidade do processo de inclusão iniciado no governo Lula.

 

Conforme já se esperava, ontem o Fed ("BC" dos EUA), anunciou a manutenção da taxa de juros norte-americana próxima de zero, ainda que tenha reconhecido um avanço no mercado de trabalho, cujo desemprego recuou de 10% em 2009 para 5,3% atualmente, ressaltando também que o que motivou isto foi a inflação que, segundo a referida autoridade monetária, não apresentou a evolução necessária e continua próxima de zero, principalmente por conta da queda de preços de energia.

 

Segundo Julio Hegedus, economista-chefe da Lopes Filho, a atividade econômica está ruim, o desemprego está aumentando e, com o abandono da meta fiscal para este ano, cresceu o risco de rebaixamento da "nota" do Brasil, já que para piorar a crise política dificulta a aprovação de medidas de ajuste fiscal e força o BC a manter o rigor na condução da política monetária, aumentando a Selic.

 

-    Diante do fraco desempenho da arrecadação neste ano, o governo tem buscado formas de reforçar seu caixa e melhorar seus resultados fiscais e a ideia mais recente nesse sentido é tributar empresas do setor de internet.

 

Em 19/OUT/14, durante a campanha presidencial, o dólar estava cotado a R$ 2,43 e Mantega, então ministro da Fazenda, alertou que quem apostasse na alta da moeda norte-americana temendo a reeleição de Dilma "quebraria a cara", porem ontem, com o dólar cotado a R$ 3,34, Armando Monteiro, atual ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, afirmou que o cenário de "dólar mais caro veio para ficar" e que o câmbio elevado ajudará a compensar outras dificuldades enfrentadas pelos exportadores brasileiros.

 

-    Mesmo com o preço de todos os produtos agropecuários mais vendidos pelo Brasil em queda na comparação com o mesmo período do ano passado, a participação do agronegócio nas exportações brasileiras subiu de 43% em 2014 para 46% atualmente.

 

Ontem, após o fechamento do pregão, o Facebook seu balanço do segundo trimestre, que teve como ponto negativo um lucro -9,26% inferior ao período correspondente no ano passado, principalmente por causa de despesas em desenvolvimento em áreas como aplicativos e realidade virtual, e como ponto positivo ter atingido 1,49 bilhão de usuários ativos, o que representa uma expansão de 13% na mesma base de comparação.


Política:
 
Como tem outras prioridades, como fazer propaganda no Facebook e pagar o salário dos seus 39 ministérios, ontem a presidenta Dilma "avisou" que vai vetar a regra de correção do salário mínimo a todos os beneficiários da Previdência Social e que não deve apresentar uma proposta alternativa em relação ao texto aprovado pelo Congresso.
 
Fiel aliado do PT, já que o atual ministro da Justiça inclusive o defendeu perante o governo dos EUA, ontem Paulo Maluf afirmou ontem que é contrario a decisão do seu partido de lançar Datena como candidato à prefeito de SP em 2016, ressaltando inclusive que vai apoiar a candidatura à reeleição do petista Fernando Haddad.

 

Tentando mostrar que lidera o país, o que aliás nunca aconteceu, hoje a presidenta Dilma vai se reunir com todos os governadores dos estados brasileiros no Palácio do Planalto para discutir a reforma do ICMS e dividir com eles a responsabilidade de evitar a aprovação das chamadas pautas-bomba no Congresso.

 

Revelando mais uma forma de corrupção, a campanha da presidenta Dilma à reeleição pagou R$ 6,2mi a uma gráfica que não tem nenhum funcionário registrado e cujos documentos apontam como presidente o motorista Vivaldo Dias da Silva, que em 2013 recebia R$ 1.490.

 

Os governadores vão hoje a Brasília para a reunião com Dilma com um pé atrás, já que incomoda a sensação de que a presidenta repetirá a cena de 2013, quando, após os protestos, os chamou a Brasília para, nas palavras de um deles, assistirem a "um discurso sem pé nem cabeça".

 

Ainda no esforço de conter o anunciado incêndio no Congresso na volta do recesso, a presidenta Dilma abrirá na segunda-feira as portas do Alvorada para uma "boca livre", às custas do dinheiro publico, com líderes da Câmara e do Senado e presidentes de partidos da base.


Crítica:

 

Mostrando mais uma vez que é um político de coragem e que se preocupa com a região mais pobre e violenta do mudo, desde que desembarcou na África na semana passada para uma visita de 7 dias, Obama, presidente dos EUA, (1) afirmou que os países africanos precisam abraçar os princípios da igualdade, meritocracia e oportunidade para todos, (2) declarou que opositores políticos não podem ser tratados como terroristas, (3) ressaltou que jornalistas não devem ser detidos, (4) criticou governantes que prolongam sua estadia no poder e (5) garantiu que os EUA não carregarão consigo aliados africanos que se distanciem do caminho da democracia.


PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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