R.B. 23/JUL/15 "Cada dia mais desequilibrada e distante da realidade"


R.B.

"Cada dia mais desequilibrada e distante da realidade"

 

São Paulo, 23 de julho de 2015 (TERÇA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, tentando uma recuperação após 4 pregões consecutivos de queda, nos quais recuou –4,1%, acompanhando a valorização das commodities e a alta das principais bolsas mundiais e (2) o DÓLAR pode cair, reduzindo uma pequena parte da forte valorização acumulada no mês (3,8%) e no ano (21,5%), influenciado pela esperada melhora do "humor" na bolsa brasileira e pelas expectativas de novo aumento da taxa básica de juros na reunião do Copom da próxima semana.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu –1,1%, influenciada negativamente pela confirmação da redução da meta do superávit primário brasileiro em 2015, que pode ameaçar do grau de investimento do país, e acompanhando as perdas das principais bolsas mundiais e (2) o DÓLAR subiu 1,9% à R$ 3,22, retornando à sua trajetória de alta após o "ajuste técnico" do dia anterior, acompanhando a valorização internacional da moeda norte-americana e também influenciado pela redução da meta de superávit primário.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, sem uma tendência única, Japão –1,2%, realizando lucros, principalmente entre as exportadoras, após uma sequência de 6 pregões de valorização e China 0,2%, em alta pelo 5º pregão seguido, diante das expectativas de novas medidas do governo para estimular o mercado acionário, (2) da EUROPA, em um dia de agenda macroeconômica esvaziada, Inglaterra –1,5%, França –0,5% e Alemanha –0,7%, pressionadas pelo desempenho fraco dos papéis de tecnologia, como Infineon Technologies (-6,3%) e Dialogic Semicondutor (-5,2%), ARM Holdings (-6,6%) e (3) dos EUA, realizando lucros recentes, S&P –0,2%, DJ –0,4% e NASDAQ –0,7%, prejudicadas pela forte queda das ações da Apple (-4,2%), cujo balanço do terceiro trimestre apresentou resultados piores do que o esperado, com destaque negativo para as vendas do iPhone abaixo das expectativas.

 

Apesar de já esperada pelo "mercado", a redução da meta fiscal, de 1,15% para 0,15% do PIB, (1) indica que Joaquim Levy, ministro da Fazenda, está fracassando em implementar seu ajuste fiscal, (2) surpreendeu economistas, que viram um pessimismo preocupante do governo em relação à trajetória das contas públicas nos próximos anos, indicando a possibilidade da existência de algum "esqueleto" ou "pedalada" ainda desconhecida que precisará ser desfeita e (3) causará a redução da "nota" do Brasil pelas agencias internacionais de classificação de risco.

 

Mostrando como é crescente a preocupação do "mercado", segundo o economista Mansueto de Almeida, especialista em contas públicas, o Brasil caminha para ter o maior endividamento entre os países emergentes, superando a Índia, já que a dívida bruta do setor público poderá passar de 67% do PIB neste ano.

 

Dando novos sinais negativos da economia brasileira, (1) no primeiro semestre deste ano o consumo de gasolina recuou –5,0% na comparação com o mesmo período de 2014, (2) em ABR/15 a indústria de materiais de construção de SP fechou 5,8% de seus postos de trabalho nas comparação com ABR/14 e (3) os gastos de turistas brasileiros no exterior recuaram -20,2% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2014.

 

Apesar do elevado patamar da taxa de juros e da retração da economia, o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial brasileira e pressionado pelos preços administrados pelo governo, subiu 9,25% no acumulado dos últimos 12 meses, o que representa o maior nível para o intervalo desde DEZ/03 (9,86%).

 

-     O Banco do Brasil caiu –4,8%, e pode recuar muito mais, prejudicado pelo anúncio de que, de forma irresponsável e temerária, passou a oferecer uma nova linha de crédito para compra da casa própria, financiando até 90% do valor do imóvel novo ou usado, no valor de até R$ 400mil, em até 30 anos e com taxa de juros de 9% ao ano, patamar abaixo da taxa básica de juros.


Política:
 
"Cada dia mais desequilibrada e distante da realidade", ontem a presidenta Dilma afirmou, após cantarolar o grito de guerra do XV de Piracicaba, que seu governo vai continuar adotando medidas microeconômicas para garantir o reequilíbrio das contas públicas, a retomada do crescimento e a expansão da classe média.
 
Como, com Aécio e Alckmin na disputa para ser o nome do partido à Presidência da República em 2018, as chances de Serra sair novamente como o candidato da legenda são muito remotas, Eduardo Paes, prefeito RJ, convidou o referido senador tucano de SP a ir para o PMDB, que por sua vez terá candidato próprio a presidente nas próximas eleições.

 

Ontem, no mesmo dia em que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, "garantiu" que não blinda ninguém e que apoia as investigações, ressaltando que no Brasil a lei é para todos, o Conselho Nacional do Ministério Público abriu investigação sobre a conduta do procurador Valtan Timbó Mendes Furtado, responsável pela abertura de inquérito contra o ex-presidente Lula por tráfico de influência internacional.

 

Ao entregar as explicações pedidas pelo Tribunal de Contas da União sobre as contas do governo de 2014, Luís Inácio Adams, o advogado-geral da União, teve a cara de pau de dizer que Dilma, a presidenta da República, não responde pelas contas publicas do país que governa desde 2011.

 

Coincidentemente 1 dia após a divulgação de uma pesquisa indicando que ele perderia as eleições para qualquer um dos 3 principais candidatos tucanos, ontem o ex-presidente Lula autorizou amigos em comum a procurarem o também ex-presidente FHC para propor uma conversa entre os dois sobre a crise política e tentar conter as pressões pelo impeachment da presidenta Dilma.

 

Certamente, na volta do recesso, a CPI da Petrobras vai votar todos os requerimentos que estão na gaveta e, complicando cada vez mais a vida do governo Dilma, as convocações dos ex-ministros Antonio Palocci e José Dirceu e dos ministros Aloizio Mercadante, da Casa Civil, e Edinho Silva, da Secom, são dadas como certas pela cúpula da comissão.


Crítica:

 

Comprando, obviamente com dinheiro publico, apoio dos "companheiros", o governo Dilma, apesar da necessidade de reduzir gastos públicos, inclusive cortando investimentos em programas sociais como o Minha Casa, Minha Vida, está acelerando pagamentos às centrais sindicais e, segundo dados obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, apenas nos 4 primeiros meses deste ano já transferiu R$ 166,6mi às 6 entidades habilitadas, montante que é 66% maior que o pago no mesmo período de 2014.


PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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