R.B. 24/JUN/15 "Diplomacia anã e acéfala"


R.B.

"Diplomacia anã e acéfala"

 

São Paulo, 24 de junho de 2015 (QUARTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve seguir em queda, influenciada pela provável realização de lucros nas principais bolsas mundiais e reduzindo uma parte da valorização acumulada no mês (1,9%) e no ano (7,5%), diante do aumento dos "rumores" de rebaixamento da "nota" do Brasil e (2) o DÓLAR pode voltar a subir, acompanhando a esperada piora do "humor" na Bovespa e também seguindo a trajetória internacional da moeda norte-americana.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu –0,2%, revertendo uma abertura positiva, na qual chegou a avançar 0,9%, para fechar na mínima do dia, pressionada principalmente pelo recuo das ações da Petrobrás (-1,7%) e (2) o DÓLAR 0,1% à R$ 3,08, devolvendo no final do pregão quase toda a alta registrada no dia, diante do alivio causado pela declaração de Joaquim Levy, ministro da Fazenda, que afirmou ser precipitado querer fazer qualquer movimento em relação à meta fiscal.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão 1,9%, novamente no maior patamar em 15 anos, com destaques de alta para as empresas que exportam para os EUA, como a Toyota (2,1%) e China 2,2%, beneficiada pela divulgação de dados positivos do PMI industrial do país, (2) da EUROPA, Inglaterra 0,1%, França 1,2% e Alemanha 0,7%, com destaques de alta para as ações de bancos, em mais um dia de otimismo dos mercados com a Grécia, já que Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, classificou a proposta de última hora apresentada por Atenas como "um grande passo" e (3) dos EUA, com o NASDAQ superando o maior patamar da história pela 2ª sessão seguida, S&P 0,1%, DJ 0,1% e NASDAQ 0,1%, acompanhando o otimismo nas bolsas europeias e com destaque de alta para as ações da Green Dot (40,6%), após a empresa anunciar que renovou por mais 5 anos seu contrato para gerir os cartões de débito da Wal-Mart.

 

Após alguma tensão, já que convocou uma coletiva de imprensa de forma inesperada, Joaquim Levy, ministro brasileiro da Fazenda, afirmou ontem que a economia tupiniquim vive desde o início do ano uma "ressaca" marítima que tem abalado as receitas do governo, mas que ainda é cedo para reduzir a meta de superávit primário, ressaltando inclusive que tem alternativas na manga para aumentar a arrecadação, como abrir o capital do Instituto de Resseguros do Brasil.

 

Causando bastante desconfiança no "mercado", segundo "rumores" existe uma ala do governo Dilma, comandada pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy, que discute mudar a meta de inflação para 2017, reduzindo a banda de tolerância de 2 pontos percentuais (para cima e para baixo) para 1,5 ponto, o que supostamente seria uma estratégia para aumentar a credibilidade da política econômica e garantir a convergência do IPCA para o centro da meta (4,5%).

 

Ajustando-se aos poucos à realidade, ontem o BC brasileiro reduziu, desta vez de 11% para 9%, sua expectativa para a o crescimento do saldo das operações de crédito no Brasil em 2015, o que se confirmado será o pior resultado desde 2003, quando aliás começou o governo Lula.

 

Prejudicada pela elevação da taxa básica de juros para 13,75% e pelo aumento da inflação, em MAI/15 o custo médio da dívida pública federal brasileira, que espelha a remuneração paga pelo Tesouro Nacional aos investidores nos títulos públicos, atingiu 12,58% ao ano, o que representa o maior patamar desde meados de 2011.

 

Por conta da alta da Selic, mas principalmente por culpa da enorme falta de educação financeira do brasileiro, que consome muito mais do que pode pagar e ignora as opções de financiamento disponíveis no mercado, em MAI/15 na média a taxa de juros do cheque especial ficou em 232% ao ano, o que representa o maior valor desde DEZ/95, e a taxa média de juros no rotativo do cartão de crédito alcançou 360% ao ano, contra 306% em MAI/14.

 

Apresentando a quarta queda mensal consecutiva, segundo um estudo recém-divulgado pelo SPC Brasil e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, em MAI/15 a capacidade dos brasileiros em pagar as suas dívidas recuou -8,72% na comparação com MAI/14.

 

Com uma "diplomacia anã e acéfala", o Brasil, que nos últimos 5 anos foi incapaz de fechar ao menos 1 novo acordo comercial, vem ficando para trás no acesso aos grandes mercados mundiais, já que atualmente o país governado pela presidenta Dilma é um dos que menos possui acertos tarifários e de facilitação de comércio entre os membros do G-20, que é o grupo das maiores economias do mundo.

 

-    A Petrobrás caiu –1,7%, diante de "rumores" de que, no plano de negócios que será divulgado na próxima segunda-feira, o conselho de administração da empresa vai propor uma redução de até –30% nos investimentos previstos para os próximos 5 anos.


Política:
 
Cada dia mais perturbada mentalmente, ontem, durante quase 20 minutos de discurso por ocasião da abertura dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, a presidenta Dilma teve a insanidade de faz um cumprimento especial "à mandioca", de dizer que a bola é um símbolo da evolução humana e de criar uma nova raça: as "mulheres sapiens".
 
Apesar de ressaltar que respeita o ex-presidente Lula, o deputado petista José Guimarães, que também é vice-presidente do PT e líder do governo na Câmara, garantiu que o seu partido está muito forte no Nordeste e que nas eleições municipais do ano que vem a sigla se sairá muito bem.

 

Com potencial para piorar o que já estava péssimo, o Senado vai dar início à análise das propostas de reforma política na semana que vem com a promessa de ampliar as mudanças já aprovadas na Câmara e rediscutir temas que foram mantidos praticamente sem alterações pelos deputados, como o atual modelo do financiamento das campanhas eleitorais, e incluir outros que não chegaram a ser analisados na Câmara, como a adoção do parlamentarismo, o voto facultativo e a proibição para que deputados e senadores disputem mais que uma reeleição.

 

-    Insatisfeito com a inércia do Planalto, um dirigente do PT disse a um ministro que, caso Lula seja preso, tem dúvidas se a cúpula do partido e a militância da sigla teriam energia para sair às ruas e defende-lo.

 

Como, diante dos exemplos do executivo, os políticos brasileiros perderam totalmente a vergonha na cara, o ex-deputado Carlos Magno Ramos, que é do PP de Roraima e que é um dos políticos investigados no Supremo Tribunal Federal por suspeita de envolvimento com a corrupção na Petrobras, alegou em depoimento à Polícia Federal que "perdeu parte da memória" depois de uma encefalopatia provocada por hepatite C.


Crítica:
 
Com a justiça finalmente fazendo justiça, ontem a 5ª Vara Federal em Presidente Prudente condenou José Rainha Júnior, ex-líder do grupo anarco-terrorista MST, a 31 anos e 5 meses de prisão pelos crimes de extorsão, formação de quadrilha e estelionato, ressaltando na sentença que o referido meliante utilizava seus comandados como "massa de manobra" para invadir terras e exigir dos proprietários o pagamento de contribuições para o movimento.

PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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