R.B. 28/MAI/15 "O mercado não é tão malvado"


R.B.

"O mercado não é tão malvado"

 

São Paulo, 28 de maio de 2015 (QUINTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve seguir em alta, mesmo com o recuo das principais bolsas mundiais, já que os investidores tupiniquins devem ficar "aliviados" com a aprovação de mais uma parte do ajuste fiscal de Joaquim Levy e (2) o DÓLAR pode cair, acompanhando a esperada melhora do "humor" na bolsa brasileira e também devolvendo parte da forte alta recente.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu %, acompanhando o desempenho positivo nas principais bolsas mundiais e com destaques de alta para as ações dos bancos, como Itaú (2,0%) e Bradesco (2,7%), que haviam sido penalizados nos últimos pregões e (2) o DÓLAR –0,1% à R$ 3,14, seguindo o "humor positivo" da bolsa brasileira e influenciado por uma declaração da presidenta Dilma "garantindo" que a posição de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda é "extremamente estável".

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, realizando lucros recentes, Japão –0,2% e China –0,6%, acompanhando as perdas das bolsas de NY no dia anterior, (2) da EUROPA, recuperando parte das perdas dos pregões anteriores, Inglaterra 1,2%, França 1,9% e Alemanha 1,3%, beneficiadas pela divulgação de dados econômicos positivos, como a alta acima do esperado do índice de confiança do consumidor alemão, e aliviadas com a redução das tensões entre a Grécia e seus credores e (3) dos EUA, nas máximas do dia, S&P 1,0%, DJ 0,7% e NASDAQ 1,5%, recuperando as perdas da sessão anterior e com destaques de alta para as ações de empresas do setor de tecnologia, como Broadcom (21,4%), Apple (1,9%) e Microsoft (2,2%).

 

Aumentado as suspeitas de que em ABR/15 manteve a nota de crédito do Brasil em "BBB", dois níveis acima da faixa considerada especulativa, por "motivos escusos", ontem Rafael Guedes, diretor-geral da Fitch no Brasil, afirmou que a intensificação dos desequilíbrios macroeconômicos recentes levou o país a ter indicadores muito abaixo dos de países com nota de crédito semelhante, como a proporção entre a dívida pública e o PIB, que no país está em cerca de 62%, ante média de 40% de outros países com nota similar.

 

Ressaltando que o senador petista Lindbergh Farias está tentando construir um conflito onde não existe, ontem a presidenta Dilma afirmou, diretamente do México, que os ministros Joaquim Levy e Nelson Barbosa têm uma posição de unidade em torno do ajuste fiscal e "garantiu" que nunca houve nenhum problema entre eles.

 

Mostrando que "o mercado não é tão malvado", o ceticismo quanto ao cumprimento das metas de ajuste fiscal fixadas por Joaquim Levy, o ministro da Fazenda, é generalizado, porem está claro que os investidores e credores da dívida pública acreditam que agora o importante é que o governo Dilma demonstre empenho em reverter as políticas de escalada de gastos públicos, de estímulo ao consumo e de bondades tributárias do primeiro mandato.

 

Diante de um cenário de alta dos juros, retração da atividade economia e aumento do desemprego, (1) em MAI/15 o índice de Confiança da Indústria brasileira caiu -1,6% na comparação com ABR/15, registrando assim sua o quarto mês seguido de queda e o menor patamar da série histórica iniciada em OUT/05, (2) nos 3 primeiros meses deste ano a produção da indústria brasileira recuou –5,9% na comparação com o mesmo período de 2014 e (3) em MAI/15 o Nível de Utilização da Capacidade Instalada da indústria brasileira ficou em 79%, o que representa o menor nível desde MAI/09.

 

Com uma carga tributária altíssima, excesso de burocracia, péssima qualidade e produtividade da mão de obra, uma corrupção endêmica e um governo ineficiente e acéfalo, em 2015 o Brasil caiu, pelo quinto ano consecutivo, para sua pior classificação no ranking mundial de competitividade, chegando ao 56° lugar e ficando à frente apenas de Mongólia, Croácia, Argentina, Ucrânia e Venezuela.

 

-    Se ajustando aos poucos ao pessimismo do "mercado", ontem o governo reduziu, de 1,3% para 1,0%, sua projeção para o crescimento da economia brasileira em 2016.

 

Reduzindo a competição no setor, o que obviamente é ruim para o consumidor, ontem a operadora e agência de viagens CVC informou ter fechado um acordo para comprar 100% da B2W Viagens, que opera a marca Submarino Viagens, por R$ 80mi, se tornando assim um dos principais players do mercado de viagens online brasileiro.

 

Achando "pelo em ovo" para defender os pecuaristas do seu país, ontem o serviço veterinário russo Rosselkhoznadzor anunciou que vai embargar a importação de carne de 10 unidades de frigoríficos brasileiros a partir de 9/JUN/15, incluindo aí abatedouros de bovinos e suínos da JBS, BRF e Marfrig.


Política:
 
Ontem a Câmara Federal aprovou, em primeira instância, o fim da reeleição para prefeito, governador e presidente, porem, mostrando que os "nobres picaretas sempre legislam em causa própria", para vereador, deputado e senador eles ainda podem se reeleger quantas vezes quiserem.
 
-    Representando uma vitória pessoal de Joaquim Levy, ontem o Senado aprovou, com uma boa folga, a medida provisória 664, que altera as leis de acesso a pensão por morte e auxílio-doença e cujo objetivo principal é ajudar a equilibrar as contas públicas.
 
Coincidentemente após a divulgação de que Dilma mandou comprar 10 novos baldes de prata, pela bagatela de R$ 30.000,00, para o Palácio do Planalto, o governo federal publicou uma portaria no Diário Oficial da União limitando as despesas com contratação de bens e serviços e com diárias e passagens de órgãos do Poder Executivo para 2015.
 
Ontem, menos de um dia após sofrer sua primeira grande derrota em plenário, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, conseguiu aprovar constitucionalmente a doação eleitoral de empresas a partidos políticos, o que interessa ainda mais às grandes siglas por favorecer a chamada doação oculta e por controlar o fluxo de caixa das campanhas de forma centralizada.


Crítica:
 
Desdenhando da lei e bancado pelo PT, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto, que obviamente não tem nenhum trabalhador entre seus membros, "avisou" que vai ocupar ao menos 10 agências da Caixa em São Paulo na sexta-feira em protesto contra o ajuste fiscal e cobrando do governo a liberação de recursos para habitação.
 
Desenhando um Poder Judiciário maior, mais caro e menos sujeito a controles de produtividade e eficiência, está em fase de gestação no Supremo Tribunal Federal a nova Lei Orgânica da Magistratura, que estabelece todas as regras para juízes, desembargadores e ministros de tribunais superiores.

PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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