R.B. 2/ABR/15 "Sua essência tem o que existe de pior no PT"


R.B.

"Sua essência tem o que existe de pior no PT"

 

São Paulo, 2 de abril de 2015 (QUINTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve seguir em alta, ampliando a valorização já acumulada no ano (4,6%), influenciada pelo avanço nas negociações sobre o pacote fiscal no Congresso e também acompanhando o movimento ascendente das principais bolsas mundiais e (2) o DÓLAR pode seguir em queda, para fechar em território negativo pelo quarto pregão consecutivo, reduzindo mais uma parte da forte alta ainda acumulada no ano (19,5%), diante da esperada melhora do "humor" na bolsa brasileira e do aumento do fluxo positivo de recursos externos.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 2,3%, para fechar o dia no maior patamar desde 28/NOV/15 (aos 52.321pts), com bom volume de negócios (R$ 8,1bi), impulsionada pela valorização internacional das commodities e com destaque de alta para as ações das Petrobras (5,2%) e (2) o DÓLAR caiu -0,8% à R$ 3,17, para fechar em território negativo pela 3ª vez consecutiva, acompanhando a melhora do ''humor'' na Bovespa e influenciado pela divulgação de dados mais fracos sobre a economia dos EUA, que em tese posterga o inevitável aumento dos juros norte-americanos.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, sem uma tendência única, Japão -0,9%, prejudicada pela divulgação de dados apontando redução da confiança dos empresários e da atividade industrial e China 1,7%, beneficiada pelo resultado do índice de gerentes de compras, que subiu de 49,9pts em FEV/15 para 50,1pts em MAR/15, patamar superior ao esperado (49,8pts), (2) da EUROPA, Inglaterra 0,5%, França 0,6% e Alemanha 0,3%, impulsionadas pelos anúncios de que em MAR/15 o índice dos gerentes de compras do setor industrial atingiu o maior nível em 10 meses e o PMI industrial alemão subiu de 51,1pts em FEV/15 para 52,8 em MAR/15 e (3) dos EUA, revertendo uma abertura positiva, S&P -0,4%, DJ -0,4% e NASDAQ -0,4%, pressionadas pela divulgação de que o setor privado do país gerou bem menos vagas de emprego (189 mil) do que o esperado (225 mil) e de que o índice de atividade manufatureira dos EUA caiu de 52,9pts em FEV/15 para 51,5pts em MAR/15.

 

O mercado financeiro brasileiro começou o mês de ABR/15 com um forte otimismo e os motivos são (1) Joaquim Levy, ministro da Fazenda, tem se mostrado um exímio articulador político e (2) a presidenta Dilma tem enfatizado seu irrestrito apoio ao ajuste fiscal, inclusive com um contingenciamento forte das despesas.

 

Causando um enorme desconforto ao governo Dilma, após atender pedido do ministro Joaquim Levy para adiar a discussão sobre a correção das dívidas dos Estados e municípios, Renan Calheiros, presidente do Senado, afirmou que vai priorizar a discussão sobre a independência do BC.

 

Obviamente sem pensar em reduzir o número de ministérios e as regalias que tem, a presidenta Dilma afirmou ontem que seu governo prepara um "grande corte" nos gastos, que passará por um enxugamento em todas as atividades administrativas e pela racionalização dos gastos.

 

Apresentando retração em 70,2% dos 805 produtos que a pesquisa acompanha, em FEV/15 a produção industrial brasileira foi –9,1% menor que em FEV/14, o que representa o pior resultado na comparação anual desde JUL/09 e foi causado por (1) estoques altos, (2) crédito mais seletivo, (3) juros mais altos, (4) consumo enfraquecido por inflação e (5) desemprego em alta.

 

Como, diante da disparada do dólar e da desaceleração da economia tupiniquim, as importações caíram –18,5% na comparação com o mesmo período de 2014, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior em MAR/15 a balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 458mi, o que representa o primeiro saldo positivo mensal do ano.

 

-    A Petrobras subiu 5,2%, diante (1) dos ''rumores'' de que a empresa apresentará seu balanço auditado ainda neste mês, (2) do anuncio de a estatal conseguiu fechar um empréstimo de US$ 3,5bi com um banco chinês e (3) da alta de 5,2% do petróleo no mercado internacional.


Política:
 
Indicando que, conforme já se esperava, foi um fracasso a tentativa de Dilma para melhorar a comunicação com a população e explicar os ajustes feitos pelo governo, segundo a última pesquisa divulgada 74% dos brasileiros não confiam na presidenta e apenas 12% avaliam seu governo positivamente, o que representa o pior patamar da história da democracia brasileira e certamente dará ainda mais "conforto" para o PMDB sair definitivamente da base aliada.
 
Apresentando mais uma fonte de corrupção do governo Dilma, segundo um e-mail apreendido pela Polícia Federal, Edison Pereira Rodrigues, ex-presidente do Carf, que é um colegiado subordinado ao Ministério da Fazenda e que analisa os recursos de contribuintes autuados pela Receita Federal, garantiu à Ford "95% de chances" de sair vitoriosa em um processo para reduzir ou anular multas da Receita.

 

"Remando em sentido contrário", apesar do esforço do Planalto e da sua equipe econômica para garantir a aprovação do ajuste fiscal, os deputados e senadores já aprovaram propostas de reajustes para servidores com custos que devem facilmente superar os R$ 3,6bi.

 

Em mais um sinal de insatisfação com o governo, o ex-presidente Lula criticou abertamente o desempenho dos ministros mais próximos da presidenta, especialmente Mercadante, do chefe da Casa Civil, ressaltando ainda que Dilma precisa superar problemas no relacionamento com o Congresso e se aproximar dos movimentos sociais em vez de ficar isolada no Palácio.

 

Em mais um ato de "fogo amigo", ontem a ala petista conhecida como PMB, que é a maior força interna do PT, divulgou um documento oficial fazendo críticas ao modelo de ajuste fiscal proposto pela gestão da presidenta Dilma, ressaltando que o peso das medidas econômicas recaiu mais sobre os trabalhadores do que sobre outros setores das classes dominantes.

 

Revelando, logo nas primeiras declarações, que "sua essência tem o que existe de pior no PT", Edinho Silva, homem de confiança de Lula e "escolhido" por Dilma para comandar a Secretaria de Comunicação Social, "garantiu" que (1) a presidenta não se assustará diante de protestos contra sua administração e (2) adotará critérios técnicos na distribuição de verbas publicitárias, sem privilegiar veículos de comunicação alinhados com o Planalto.


Crítica:

 

Desde o fim da ditadura, que transformou direita em palavrão, o espectro político partidário brasileiro praticamente só oscilou do centro à esquerda, tanto é que um dia Lula chegou a comemorar o extermínio da direita, porem este é mais um legado do ex-presidente que Dilma desmontou, já que as recentes pesquisas mostram um consistente e cada vez maior apoio das massas a valores conservadores e sua posição à direita da prática política nacional dos últimos 20 anos.


PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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