R.B. 6/ABR/15 "Do governo Dilma há pouco a esperar"


R.B.

"Do governo Dilma há pouco a esperar"

 

São Paulo, 6 de abril de 2015 (SEGUNDA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve seguir em alta, ampliando a valorização acumulada no mês (3,9%) e no ano (6,2%), acompanhando a valorização das principais bolsas mundiais, impulsionada pela recuperação dos preços das commodities e também beneficiada pela redução das tensões políticas no Brasil e (2) o DÓLAR pode cair, seguindo a esperada desvalorização internacional da moeda norte-americana, diante da divulgação de dados econômicos que podem postergar a elevação dos juros nos EUA.

 

Quinta-feira, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 1,5%, para fechar o dia no maior patamar em 4 meses (aos 53.123pts), com bom volume de negócios (R$ 7,8bi), estimulada por compras generalizadas de investidores estrangeiros e novamente com destaque de alta para as ações da Petrobrás (5,2%) e (2) o DÓLAR caiu –1,4% à R$ 3,12, para fechar em território negativo pelo quarto pregão consecutivo, acompanhando a trajetória internacional da moeda norte-americana e influenciado pela aparente trégua nas tensões políticas entre o governo e a base aliada.

 

Sexta-feira, (1) da ÁSIA, Japão 0,6%, acompanhando o movimento de ganhos no mercado acionário norte-americano e com destaque de alta para as ações da Sony (3,4%), depois que o jornal Nikkei informou no início do dia que a reestruturação bem sucedida na fabricante de eletrônicos levou a empresa a acrescentar pelo menos US$ 500mi na estimativa de seu lucro operacional para o atual ano fiscal.

 

Quinta-feira, nas principais bolsas, (1) da ÁSIA, China 0,4%, apagando perdas da abertura, impulsionada pelo bom desempenho das ações das empresas de metais básicos e de máquinas pesadas, (2) da EUROPA, Inglaterra 0,3%, França 0,2% e Alemanha 0,2%, desta vez beneficiadas pela divulgação de indicadores positivos do setor industrial da zona do euro e também com destaque de alta para as ações da Renault (1,3%), após a empresa informar uma alta forte das vendas em MAR/15 e (3) dos EUA, com baixo volume de negócios, S&P 0,3%, DJ 0,4% e NASDAQ 0,1%, recuperando parte das perdas registradas nos 2 últimos pregões, porem em compasso de espera antes do relatório mensal sobre o mercado de trabalho do país, que foi divulgado na sexta-feira.

 

Pegando os principais mercados globais fechados por conta do feriado de Páscoa, na sexta-feira passada foi divulgado o esperado relatório de criação de empregos dos EUA que, surpreendendo de forma negativa, indicou que a economia norte-americana criou 126 mil postos de trabalho em MAR/15, menos que a metade do ritmo registrado em FEV/15, abaixo do esperado pelo "mercado" (248 mil) e o menor ganho desde DEZ/13, o que certamente vai postergar um aumento da taxa de juros pelo Fed ("BC" dos EUA).

 

Como, diante da forte alta do dólar, a bolsa brasileira está muito barata para os gringos, em MAR/15 o fluxo de recursos estrangeiros para a Bovespa ficou positivo em R$ 3,8bi, também estimulado "vitória" do governo no Congresso, onde o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, conseguiu adiar a votação do indexador da dívida de Estados e municípios e deverá modificar a proposta quando ela voltar a ser apreciada.

 

Agravando a tendência de recessão na economia brasileira, diante do ajuste fiscal do ministro Joaquim Levy, da crise da Petrobras e do impacto da estagnação na arrecadação de impostos, as despesas com obras de infraestrutura e compras de equipamentos caíram no Tesouro Nacional, nas estatais federais e em Estados como SP, MG e RS.

 

Dando novos sinais negativos do setor imobiliário brasileiro, (1) o volume de contratos de compra de imóvel cancelados no ano passado cresceu 14% em relação a 2013 e (2) em MAR/15 o preço médio do metro quadrado dos imóveis no país registrou uma queda real (já descontada e inflação) de –2,87% na comparação com MAR/14.

 

Registrando um recuo de -5,1% no primeiro bimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2014, o segmento de produtos plásticos teve o seu pior primeiro bimestre neste início de 2015, desde a fundação há 47 anos da Abiplast, entidade que representa o setor.

 

Como as economias em desenvolvimento se viram prejudicadas pela perda de competitividade, fuga de capitais e preocupações quanto à política monetária dos EUA, no ano passado as reservas cambiais destes mercados emergentes caíram pela primeira vez em duas décadas.

 

Ressaltando que as autoridades econômicas tupiniquins, como o Ministério da Fazenda e o BC, têm dificuldades para fazer os números se encaixarem, o relatório de Perspectiva Global do banco francês BNP Paribas aponta que o PIB brasileiro se contrairá -2% neste ano, o que representa o dobro da previsão que a entidade fez há 3 meses.

 

Se aproximando dos patamares auferidos na crise de 2008, o nível de confiança dos empresários tupiniquins que comandam pequenas e médias empresas para o segundo trimestre de 2015 recuou -2,2% em comparação com o do período anterior, atingindo 57,7pts, o que representa o menor patamar desde o segundo trimestre de 2009.

 

Com o objetivo de aumentar a arrecadação em R$ 2,7bi neste ano e ajudar a melhorar o resultado das contas públicas, o governo federal anunciou na sexta-feira que vai retomar a cobrança de PIS/Pasep e Cofins sobre as receitas financeiras de cerca de 80 mil empresas a partir de 1º/JUL/15.


Política:
 
Se aproximando cada dia mais da presidenta Dilma, segundo as investigações da Polícia Federal na Operação Zelotes, as empresas que se recusavam a pagar propina a integrantes de uma quadrilha que agia no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais eram punidas com "castigo" de até R$ 1 milhão por mês.

 

Até outro dia braço direito da presidenta Dilma, a ex-ministra Erenice Guerra está de volta ao noticiário, já que provavelmente será incluída no rol de investigados da Operação Zelotes, pois a Polícia Federal encontrou documentos que revelam que ela defendeu os interesses de uma empresa chinesa que questionava no tribunal da Receita multas de R$ 705,5mi, o que supostamente lhe rendeu um prêmio de 5% do valor que a empresa deixou de entregar ao fisco.

 

Ressaltando que "do governo Dilma há pouco a esperar", o ex-presidente FHC, que aliás é estimulado pelos tucanos a comandar pessoalmente a oposição ao governo no Congresso Nacional, afirmou durante o final de semana que a reconstrução de uma vida democrática saudável e uma saída econômica viável requerem "passar a limpo" o país.

 

Reforçando a mordaça na Polícia Federal, por ordem do governo Dilma a Cúpula da instituição lançou Código de Ética, com restrições de entrevistas à imprensa e de "manifestação política ou ideológica", o que obviamente fere garantias constitucionais como o direito à liberdade de expressão.

 

A base de sustentação do governo Dilma na Câmara dos Deputados está tão desestruturada agora, com o início das investigações de políticos pela Operação Lava Jato, quanto estava a de seu antecessor, Lula, na época em que a crise do mensalão contaminava o Congresso.

 

Em meio a turbulências econômicas e políticas, que levaram o governo federal a amargar uma das mais altas taxas de reprovação popular da história, a Câmara dos Deputados também bateu um recorde neste início de 2015, já que nos 3 primeiros meses do ano o plenário da Casa aprovou o maior volume de projetos legislativos dos últimos 20 anos que não precisam do aval do governo.

 

O grupo do ex-presidente Lula pressiona a presidenta Dilma a fechar, até o final desta semana, a reformulação de seu ministério para pôr fim à guerra entre governo e PMDB, entregando imediatamente a articulação política a um peemedebista para envolver o partido de seu vice, Michel Temer, no comando das negociações do ajuste fiscal.


Crítica:
 
Pode ser considerado um passo importante reduzir a maioridade penal de 18 para 16 ano, porém, como desta forma certamente os bandidos passarão a recrutar crianças de 14 anos, a posição do R.B. com relação a PEC 171/93 é pelo fim total da maioridade penal, assim como já ocorre nos EUA, já que se uma pessoa comete um crime ela deve ser julgada e condenada como criminoso, tenha ela 8, 80 ou 800 anos.

PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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