R.B. 1/ABR/15 "Enorme falta de conexão com a realidade"


R.B.

"Enorme falta de conexão com a realidade"

 

São Paulo, 1 de abril de 2015 (QUARTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, acompanhando a melhora do "humor" nas principais bolsas mundiais, diante da divulgação de dados econômicos positivos da Europa, para ampliar a valorização acumulada no ano (2,3%), também beneficiada pela recuperação internacional das commodities e (2) o DÓLAR pode cair, acompanhando a esperada valorização da bolsa brasileira e seguindo a trajetória internacional da moeda norte-americana.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu -0,2%, com alguma volatilidade, já que na mínima recuou -1,2% e na máxima avançou 0,5%, e razoável volume de negócios (R$ 6,7bi), seguindo as perdas das principais bolsas mundiais e pressionada principalmente pela desvalorização das ações da Vale (-3,7%) e (2) o DÓLAR caiu -0,6% à R$ 3,20, ainda em um ''ajuste técnico'' diante da forte alta acumulada nos últimos pregões e também influenciado pelo aumento do fluxo positivo de recursos externos.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, realizando lucros recentes, Japão -1,1%, com destaques de queda para as ações das ações de farmacêuticas, que tiveram forte desempenho recentemente e China -1,0%, com destaques de queda para as ações dos bancos, (2) da EUROPA, com o índice que representa as principais bolsas da região acumulando alta de 16,5% nos 3 primeiros meses do ano, Inglaterra -1,7%, França -1,0% e Alemanha -1,0%, pressionadas (a) pela redução menor do que o esperado do desemprego na zona do euro, (b) pelo impasse nas negociações sobre a dívida da Grécia e (3) por ajustes de posições no final do mês e (3) dos EUA, S&P -0,9%, DJ -1,1% e NASDAQ -0,9%, influenciadas por ''rumores'' de que a temporada de balanços do primeiro trimestre será desanimadora e em compasso de espera antes da divulgação dos dados de emprego (payroll) de MAR/15, que saem na sexta-feira.

 

Confirmando mais uma vez a urgência da aprovação do pacote fiscal de Joaquim Levy, o ministro brasileiro da Fazenda, ontem o Tesouro Nacional informou que em FEV/15 (1) o Governo Central registrou o pior resultado para o mês desde 1997, com um déficit de R$ -7,4bi, patamar bem pior do que o esperado pelo ''mercado'' e (2) o setor público consolidado apresentou déficit primário de R$ -2,3bi, marcando o pior resultado para o mês desde 2013.

 

Ressaltando que o Brasil pode perder o grau de investimento, ontem, durante a audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Joaquim Levy, ministro da Fazenda, (1) alertou que o ajuste fiscal é necessário não só para evitar os problemas atuais, mas para "pavimentar o caminho para frente, em que se valorize as conquistas sociais" e (2) indicou que não descarta eventual criação de novos impostos pelo governo como forma de aumentar a arrecadação.

 

Como fruto dos decepcionantes resultados das contas públicas nos primeiros meses de 2015, o governo Dilma avisou ontem que já avalia que pode ser obrigado a fazer um corte de gastos do Orçamento de até R$ –80bi, patamar bem maior do que o previsto inicialmente e que certamente prejudicará ainda mais o desempenho da economia brasileira neste ano.

 

Dando novos sinais negativos da economia brasileira, (1) a empresa aérea Azul já cortou voos para 11 cidades brasileiras e se prepara para demitir 700 pessoas e interromper rotas para outros 12 municípios, (2) nos primeiros meses deste ano, o fluxo de passageiros que viajam a negócios teve queda de até -30% na comparação com o mesmo período de 2014, (3) nos 3 primeiros meses de 2015 as vendas de veículos novos caíram –17% na comparação com o primeiro trimestre de 2014, (4) em FEV/15 os investimentos totais do governo federal somaram R$ 3,5bi, cifra -18,8% menor do que em FEV/14, (5) em MAR/15 o Índice de Confiança da Indústria brasileira caiu -9,2% na comparação com FEV/15 e atingiu o menor nível desde JAN/09 e (6) em FEV/15 o volume de crédito imobiliário foi –27% menor que em FEV/14.

 

Coberto de razão, Hussein Kalout, pesquisador do Weatherhead Center for International Affairs de Harvard, afirmou ontem que o Brasil precisa enfrentar o problema de não ter uma política externa sendo formulada para o longo prazo e planejar o que espera para daqui 30 anos.

 

-    A Sabesp subiu 5,9%, ''comemorando'' mais um reajuste de preços.


Política:
 
Reforçando os "rumores" de que trabalha nos bastidores para derrubar o governo Dilma e surgir como o "salvador da pátria", ontem, em resposta às críticas das centrais sindicais à condução da economia, o ex-presidente Lula afirmou que a presidenta cometeu "equívocos" ao ter reduzido a conta de luz em 2013 e que a demora no reajuste da gasolina afetou negativamente as contas da Petrobras.
 
Como a corda sempre estoura do lado mais fraco, Fernando Thompson, responsável pela comunicação do Ministério da Fazenda, pediu demissão do cargo e deixou a pasta ontem mesmo por conta das repetidas divulgações de frases consideradas fora de contexto por Joaquim Levy.
 
Colocando mais uma vez o PT no centro dos casos de corrupção, ontem, em um novo depoimento prestado no âmbito da Operação Lava Jato, o doleiro e delator do esquema de pagamento de propina na Petrobras Alberto Youssef afirmou que um de seus funcionários levou cerca de R$ 400 mil em propinas à sede do diretório nacional petista, que fica no centro de SP.

 

Mesmo antes de tomar posse oficialmente, Edinho Silva, o novo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social que foi indicado pessoalmente pelo ex-presidente Lula, já foi chamado pela presidenta Dilma para participar da reunião da coordenação política do governo e será responsável por controlar diretamente uma verba publicitária próxima a R$ 200mi ao ano.

 

Apesar da forte oposição dos petistas, que se especializam cada dia mais em defender bandidos, foi aprovada ontem na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, por 43 votos a 21, a proposta de emenda à Constituição que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos.


Crítica:

 

Mostrando mais uma vez sua "enorme falta de conexão com a realidade", ontem a presidenta Dilma "mandou avisar" para Obama, presidente dos EUA, que, como condição para o Brasil reagendar a visita de Estado a Washington, quer a exclusão do nome dela da lista de líderes estrangeiros espionados pela CIA.


PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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