R.B. 24/MAR/15 "Além de esperar o Papai Noel no Natal"


R.B.

"Além de esperar o Papai Noel no Natal"

 

São Paulo, 24 de março de 2015 (TERÇA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, ampliando a valorização acumulada no mês (0,6%) e no ano (3,8%), aliviada com a notícia de que a agencia de classificação de risco S&P manteve sua ''nota'' para o Brasil, com perspectiva estável e (2) o DÓLAR pode seguir em queda, mesmo após recuar -4,4% nos 2 últimos pregões, ainda acompanhando a trajetória internacional da moeda norte-americana, desta vez influenciada pela notícia de que a China tomará novas medidas para aliviar o controle de capitais.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu -0,1%, devolvendo todos os ganhos da abertura, quando na máxima avançou 0,3%, com baixo volume de negócios (R$ 5,3bi), já que os investidores estão em compasso de espera antes da divulgação de indicadores importantes e com potencial de dar um norte aos negócios e (2) o DÓLAR caiu -2,7% à R$ 3,15, para fechar em território negativo pelo segundo pregão consecutivo, acompanhando a trajetória internacional da moeda norte-americana, diante das ''apostas'' de que o FED (''BC'' dos EUA) deverá subir os juros dos EUA somente no segundo semestre.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão 1,0%, atingindo nova máxima em 15 anos, em meio à forte procura por ações dos setores farmacêutico e automotivo e China 2,0%, em alta pelo nono pregão seguido, desta vez beneficiada por comentários feitos por um porta-voz da comissão reguladora de títulos do país ressaltando que o rali recente do mercado acionário chinês "faz sentido", já que é resultado de fatores como o aprofundamento de reformas, ampla liquidez e melhora nos lucros das empresas, (2) da EUROPA, sem uma tendência única, Inglaterra 0,2%, França -0,6% e Alemanha -1,1%, divididas entre um sentimento de cautela em relação à crise da dívida grega e declarações de Mario Draghi, presidente do BC Europeu, que afirmou que houve uma recuperação da dinâmica do crescimento da zona do euro, ajudada por preços mais baixos do petróleo e um declínio no euro e (3) dos EUA, revertendo uma abertura positiva e realizando lucros, em um dia com baixo volume de negócios, S&P -0,2%, DJ -0,1% e NASDAQ -0,3%, já que os investidores veem poucas razões para rever seus portfólios antes de novas orientações do FED (''BC'' local) ou novidades sobre os lucros das empresas.

 

Representando um enorme alivio para o país e também para o governo Dilma, ontem a agência internacional de classificação de risco Standard & Poor´s manteve sua ''nota'' para o Brasil, que assim segue com o chamado grau de investimento, ressaltando que, "além de esperar o Papai Noel no Natal", acredita que (1) a presidenta Dilma manterá o apoio ao ajuste fiscal promovido pela equipe econômica, (2) as medidas de austeridade serão aprovadas pelo Congresso Nacional e (3) a credibilidade do governo será "gradualmente restaurada", pavimentando o caminho para um crescimento mais robusto da economia a partir do ano que vem.

 

Cada dia mais pessimista, o ''mercado'' elevou, desta vez de 7,93% para 8,12%, suas ''apostas'' para a inflação brasileira em 2015, patamar cada vez mais distante do todo da meta do BC (6,50%), e reduziu pela 12ª semana seguida, desta vez de -0,78% para -0,83%, suas previsões para o desempenho do PIB do país neste ano.

 

Ainda mais pessimista que o ''mercado'', ontem a Fiesp anunciou que prevê uma retração de -1,7% da economia brasileira neste ano, com destaque negativo para a indústria, que segundo estimativas da Federação das Indústrias do Estado de SP vai encolher -4,5% na mesma base de comparação.

 

Mostrando que a presidenta Dilma finalmente está entendendo que ''a privatização é a melhor solução'', ontem Nelson Barbosa, ministro do Desenvolvimento, afirmou que o governo federal vai conceder à iniciativa privada os aeroportos de Salvador (BA), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS).

 

Coberto de razão, Jeffrey Immelt, presidente e CEO mundial da GE, afirmou, após se reunir com a presidenta Dilma para tratar de investimentos da empresa no Brasil nos próximos anos, que o cenário para as concessões públicas deve "ficar mais claro" para que investidores globais tenham interesse de participar da área de infraestrutura no país.

 

Enchendo de esperanças os acionistas da empresa mais importante do Brasil, segundo Patrick Pouyanné, presidente do grupo Total, que tem a quinta maior petrolífera do mundo e é uma das parceiras da Petrobras no projeto Libra, a maior reserva do pré-sal, o governo brasileiro não vai deixar a referida estatal de petróleo quebrar, ressaltando que a empresa tem "imensos" recursos e é suficientemente sólida para enfrentar " esta tempestade".

 

Ajudando a aumentar a liquidez global, ontem a China anunciou que tomará novas medidas para aliviar o controle de capitais, facilitando investimentos de chineses em bolsas internacionais e permitindo investidores globais de operar na bolsa de Hong Kong, a fim de criar condições para que o FMI inclua sua moeda, o yuan, em sua cesta de moedas de reserva.


Política:
 
Prejudicada pelos escândalos de corrupção na Petrobras e principalmente pelo desempenho cada dia pior da economia brasileira, segundo a última pesquisa divulgada, desta vez pela CNT/MDA, a avaliação pessoal de Dilma atingiu neste mês de MAR/15 um percentual de 77,7% de desaprovação, o que representa o pior patamar na história do Brasil e, para piorar ainda mais a situação da atual presidenta brasileira, 59,7% dos entrevistados são favoráveis ao seu impeachment e 82,9% consideram que ela não sabe lidar com a crise.
 
Se aproximando cada dia mais de Lula, que segundo FHC é mais responsável pela corrupção do que Dilma, ontem a Justiça Federal no Paraná aceitou a denúncia do Ministério Público Federal contra o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto e contra o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, acusados de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo obras da referida estatal.
 
Em mais uma de suas intermináveis reuniões de emergência, ontem a presidenta Dilma mobilizou 12 de seus 39 ministros para que estes atuem junto às suas bases parlamentares defendendo a aprovação do ajuste fiscal que, segundo ela, pode salvar as contas públicas.

 

Obviamente sem dar detalhes de como isto será feito sem a redução dos programas sociais, ontem o petista José Guimarães, líder do governo na Câmara dos Deputados, afirmou que o Palácio do Planalto vai "cortar na própria carne", reduzindo o custeio da máquina pública.

 

-    Depois de um período afastada, Marina Silva, que está fundando o partido REDE, confirmou participação em debate organizado por PSB, PPS, PV e SD, nesta terça-feira em Brasília, para discutir caminhos para a crise.

-    Fingindo que ajuda Dilma, o vice-presidente Michel Temer procurou o presidente do PSDB, senador mineiro Aécio Neves, para pedir que a oposição vote contra o projeto que estende a aposentados a política de reajuste do salário mínimo.


Crítica:
 
Segundo um relatório divulgado hoje pela Anistia Internacional, a onda de protestos na Venezuela entre FEV/14 e JUL/14 mostrou que o governo do presidente Nicolás Maduro, apoiado de forma veemente pelo governo Dilma e pelos petistas, não tolera a dissidência nem manifestações críticas a suas políticas de governo, realizando prisões arbitrárias e permitindo violações aos direitos humanos.

PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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