R.B. 10/MAR/15 "Sem encontrar uma solução mágica"


R.B.

"Sem encontrar uma solução mágica"

 

São Paulo, 10 de março de 2015 (TERÇA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve seguir em queda, mesmo após acumular baixa de –4,7% no mês e fechar o pregão anterior no menor patamar desde 11/FEV/15 (aos 49.181pts), acompanhando a piora do cenário político e desta vez também seguindo as perdas das principais bolsas mundiais e (2) o DÓLAR pode seguir em alta, mesmo após fechar o pregão anterior no maior patamar desde 28/JUN/04, acompanhando o "humor negativo" na Bovespa e a valorização internacional da moeda norte-americana.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu –1,6%, na contramão das principais bolsas mundiais, para fechar em baixa pelo quarto pregão seguido, pressionada pela deterioração da situação política do País e com destaques negativos para as ações das estatais, como Petrobras (-3,3%) e Banco do Brasil (-3,9%) e (2) o DÓLAR subiu 2,4% à R$ 3,12, também afetado pela piora do clima político no Brasil e com os investidores também testando até onde o BC deixará a moeda norte-americana flutuar livremente sem intervir para conter a escalada.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, sem uma tendência única, Japão –0,9%, acompanhando as perdas registradas nas bolsas de NY na última sexta-feira e com destaques de queda para as distribuidoras de energia, como Tokyo Electric (-3,5%) e Chugoku Electric Power (-2,7%) e China 1,9%, sustentada pelo bom desempenho das ações dos bancos, após notícias de que o órgão regulador de títulos vai permitir que o setor bancário atue em corretagem com ações, (2) da EUROPA, também sem uma tendência única, Inglaterra –0,5%, França –0,5% e Alemanha 0,3%, com parte dos investidores voltando suas atenções para a Grécia, após o BC Europeu iniciar seu programa de compra de bônus governamentais e (3) dos EUA, recuperando as perdas de sexta-feira, com as notícias corporativas norteando as operações, em um dia de agenda fraca de indicadores, S&P 0,4%, DJ 0,8% e NASDAQ 0,3%, com destaque positivo para as ações da General Motors (3,1%), depois que a montadora anunciou que fará uma recompra de ações no valor de US$ 5bi.

 

Cada dia mais pessimista, o "mercado" reduziu, desta vez de –0,58% para –0,66%, suas previsões para o crescimento do PIB brasileiro em 2015 e, mesmo diante da alta da Selic, elevou, agora de 7,47% para 7,77%, suas "apostas" para a inflação medida pelo IPCA também neste ano, o que se confirmado será o pior resultado deste 2003, quando este índice de inflação chegou a 9,3% no fechamento do ano.

 

Tentando por um pouco de racionalidade em um governo dominado por irracionais que acreditam que crescimento econômico só é possível com endividamento publico e privado, ontem Joaquim Levy, ministro da Fazenda, defendeu o papel da poupança individual do brasileiro, que só se amplia com educação financeira, como motor para investimentos no país e como forma de garantir a sustentabilidade previdenciária.

 

"Sem encontrar uma solução mágica" para a questão, o governo Dilma já avalia internamente que precisa resolver "urgentemente" a crise política para evitar que a economia tupiniquim seja afetada gravemente pelo clima de instabilidade que domina a relação entre o Palácio do Planalto e sua base aliada no Congresso e que tem potencial para fazer a cotação da moeda norte-americana subir ainda mais, pressionando a inflação, diante do cenário de descrença de investidores na viabilidade do ajuste fiscal do governo.

 

Indicando que, mesmo com a alta da taxa básica de juros, a inflação segue elevada, a primeira prévia do IGP-M de MAR/15, pressionado pela alta dos preços administrados e pela dispara do dólar, teve alta de 0,74%, patamar bem superior ao auferido no mesmo período de 2014  (0,09%).

 

Confirmando que, mesmo com a alta do dólar, os exportadores brasileiros estão perdendo cada dia mais mercados, a China anunciou que em FEV/15 suas importações caíram -20,5% na comparação com FEV/14, patamar superior ao previamente esperado pelos analistas (-19,9%).


Política:
 
Como uma criança imatura que corre para o colo da mãe em qualquer situação de perigo, a presidenta Dilma, assustada com a crise política, marcou um encontro com o presidente Lula para discutir o que deve fazer diante do ato contra o seu governo marcado para o dia 15/MAR/15.
 
Acusando o golpe, nitidamente cada dia mais perdida e sem apoio político, ontem a presidenta Dilma afirmou, em referencia ao panelaço ocorrido durante seu pronunciamento de domingo na TV, que um pedido de impeachment do seu mandato causaria uma "ruptura democrática" no país.

 

Com o objetivo de evitar a derrubada do veto à correção de 6,5% na tabela do Imposto de Renda, o governo federal deflagrou ontem uma operação para tentar restabelecer o diálogo, que está seriamente abalado após a divulgação da lista de investigados da Operação Lava Jato, com os presidentes da Câmara, do Senado e com a sua própria base aliada no Congresso.

 

-    Podendo complicar ainda mais sua situação, que se deteriora a cada dia, para tentar sair das cordas, a presidenta Dilma decidiu que manterá a agenda intensa de compromissos públicos nesta semana, sem reduzir a exposição para evitar vaias.

-    Para tentar um meio termo, o governo estuda propor ao Congresso o reajuste escalonado da tabela do Imposto de Renda, no qual os trabalhadores com renda menor teriam reajuste de 6,5% e a faixa maior ficaria com um reajuste de 4,5%.

-    Velhos aliados políticos, que se aproximam cada dia mais, PSDB e PMDB agora articulam um acordo para marcar o depoimento de Renato Duque, ex-diretor da Petrobras que era ligado ao PT, para quinta-feira na CPI.

-    Com mais da metade da bancada de deputados federais do seu partido investigada pela operação Lava Jato, o deputado Jerônimo Goergen, do PP do Rio Grande do Sul, afirmou ontem que o Partido Progressista "acabou".

 

Indicando porque a referida estatal está em uma situação extremamente delicada e colocando as investigações cada vez mais próximas de Dilma, o doleiro Alberto Youssef afirmou em delação premiada que o Palácio do Planalto era o responsável final pela escolha dos diretores da Petrobras quando surgiam divergências entre os partidos políticos em torno da indicação de nomes para os cargos.


Crítica:
 
Mostrando que, apensar de alertar sobre a necessidade de corte de gastos, Dilma não serve nem para dar exemplos, segundo dados oficiais da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o pronunciamento de 15 minutos da presidenta exibido no último domingo custou R$ 99,7 mil aos cofres públicos.

PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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