R.B. 12/FEV/15 "Piorando a democracia brasileira"


R.B.

"Piorando a democracia brasileira"

 

São Paulo, 12 de fevereiro de 2015 (QUINTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve seguir em queda, para fechar em território negativo pelo terceiro pregão consecutivo, diante da manutenção das incertezas externas e do aumento da certeza interna de que o Brasil em breve vai perder a classificação de grau de investimento e (2) o DÓLAR pode seguir em alta, mesmo após fechar o pregão anterior no maior patamar desde 25/OUT/04, influenciado pelos mesmos motivos que devem derrubar a Bovespa.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu –0,6%, com bom volume de negócios (R$ 7,1bi) e desta vez afetada por resultados corporativos ruins, como o da BM&FBovespa (-3,5%) e o da Even (-7,3%), e pelo exterior conturbado diante do aumento da possibilidade de saída da Grécia da zona do euro e (2) o DÓLAR subiu 2,0% à R$ 2,88, para fechar em território positivo pelo quarto dia seguido, acompanhando a trajetória internacional da moeda norte-americana mas também influenciado pela falta de suporte político da presidenta Dilma para levar adiante o ajuste fiscal necessário para colocar as contas públicas em trajetória sustentável.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão não teve pregão por conta de feriado local e China 0,5%, ainda esperando o anuncio de medidas de estímulo econômico, (2) da EUROPA, Inglaterra –0,2%, França –0,3% e Alemanha –0,1%, diante da preocupação dos investidores de que o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, não chegará a um acordo sobre novos termos de resgate na reunião com os demais ministros da zona do euro em Bruxelas e (3) dos EUA, próximas da estabilidade, S&P –0,1%, DJ –0,1% e NASDAQ 0,3%, com os investidores na expectativa de notícias sobre as negociações entre a Grécia e os demais países da zona do euro e com destaque de alta para as ações da Apple (2,3%), depois que o megainvestidor Carl Icahn afirmou que a empresa na realidade vale US$ 216 por ação.

 

-    Depois de cerca de 6 horas de conversa, os ministros das Finanças da zona do euro e o novo governo grego não conseguiram sequer chegar a um acordo de como avançar as negociações sobre o pacote de resgate da Grécia.

 

Preocupado com a enorme falta de apoio politico à presidenta Dilma no Congresso Nacional, Joaquim Levy, ministro da Fazenda, voltou a defender as medidas de ajuste nos gastos do governo federal ao afirmar que o reequilíbrio fiscal "é crucial para preservar as conquistas no campo da inclusão social já alcançadas".

 

Apesar de pressionar a inflação, a valorização do dólar frente ao real é um fator importante para ajudar a indústria e os exportadores brasileiros, pois torna os produtos importados mais caros e barateia o preço dos produtos brasileiros destinados à exportação.

 

Começando a colocar "a vaca brasileira no brejo", ontem, ressaltando a forte piora das contas do governo, a consultoria e agência de classificação de risco britânica Economist Intelligence Unit decidiu a retirar o grau de investimento que havia concedido ao Brasil em JAN/12, o que significa que o país tem um maior nível de dar calote e assim voltou para a categoria considerada mais arriscada.

 

Dando mais um sinal negativo da economia brasileira, em 2014, diante da alta dos juros, das incertezas futuras e da inflação, as vendas do comércio varejista tupiniquim tiveram alta de apenas 2,2% na comparação com 2013, o que representa o pior desempenho dos últimos 12 anos.

 

Se o governo Dilma não conseguir implementar as medidas propostas por Joaquim Levy, seu ministro da Fazenda, e assim resgatar a confiança dos investidores, o Brasil corre o risco de ter sua nota de crédito rebaixada neste ano pelas agências de classificação de risco internacionais, o que aumentará ainda mais a percepção negativa sobre o País, levando a moeda norte-americana facilmente para patamares acima dos R$ 3,00.

 

Reduzindo ainda mais a confiança dos investidores com o país, a possibilidade de racionamento de energia e de água também preocupa, pois os cortes podem afetar o desempenho das empresas e prejudicar ainda mais a produtividade da economia brasileira, em um cenário em que os analistas já preveem crescimento zero em 2015.

 

Provando pela enésima vez a total falta de capacidade estratégica e até cognitiva do governo Dilma, para tentar elevar as exportações brasileiras, que em 2014, mesmo com a disparada do dólar, registraram o valor mais baixo desde 2010, Mauro Veira, ministro das Relações Exteriores, foi para a Argentina, que está praticamente falida e com sua economia estagnada, tentar acertar um novo acordo para o comércio de veículos.

 

-    A ALL subiu 13,8%, após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica aprovar por unanimidade a fusão das transportadoras ALL e Rumo Logística, controlada pela Cosan Logística.


Política:
 
"Piorando a democracia brasileira" e complicando a vida do eleitor tupiniquim, que teria que escolher no mínimo 7 candidatos para cargos diferentes em um único dia, o deputado peemedebista Marcelo Castro, relator da reforma política na Câmara, vai priorizar a aprovação, antes de OUT/15, da coincidência de eleições, que ocorreriam apenas 1 vez a cada 4 ou 5 anos.

 

Colocando o governo Dilma como refém de suas vontades, com 11 dias na presidência da Câmara, o deputado peemedebista Eduardo Cunha não só impôs derrotas ao Palácio do Planalto, como conseguiu emplacar aliados no comando da bancada do PMDB e na comissão da reforma política, postos chave da Casa.

 

Prejudicando ainda mais a relação do governo Dilma com o legislativo, o deputado peemedebista Leonardo Picciani, que nas eleições presidenciais de 2014 apoiou o tucano Aécio Neves, foi escolhido por seus colegas de partido como o novo líder da bancada do PMDB, que em tese é o principal aliado do Planalto no Congresso.

 

Isolada, e cada dia mais desolada, desde o agravamento da crise no comando da Petrobras e da derrota nas eleições da Câmara, a presidenta Dilma vai se reunir hoje com o ex-presidente Lula para discutir as falhas na condução do governo no início do segundo mandato.

 

Usando a velha tática de atacar para se defender, Siba Machado, líder do PT na Câmara, e um grupo de deputados do partido, entregaram ontem à vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, um pedido para que o Ministério Público investigue casos de corrupção e o pagamento de propina na Petrobras no período em que Fernando Henrique Cardoso foi presidente da República (1994-2002).

 

Impondo mais um derrota ao governo Dilma, ontem a Câmara dos Deputados acelerou a tramitação de um projeto que dificulta a fusão de partidos e que é patrocinado pelo PMDB, já que existe uma articulação patrocinada pelo Planalto para diluir o peso do PMDB dentro da base de apoio ao governo.


Crítica:
 
Agraciada com um empréstimo de R$ 2,3mi concedido pelo Banco do Brasil, que na época era presidido por seu "amigo" Aldemir Bendine, que agora é o novo presidente da Petrobrás, a empresa usada pela socialite Val Marchiori para esta operação nem sequer tinha um endereço formal para informar ao banco, que mesmo assim aprovou o financiamento, com juros de 4% ao ano, driblando um série de regras internas.


PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho

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