R.B. 5/NOV/14 ''Programado para gastar''


R.B.

"Programado para gastar"

 

São Paulo, 5 de novembro de 2014 (QUARTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, acompanhando a melhora do ''humor'' nas principais bolsas mundiais e também beneficiada pelos ''rumores'' de que a Petrobrás recebeu autorização do governo para aumentar o preço dos combustíveis e (2) o DÓLAR pode cair, seguindo a trajetória internacional da moeda norte-americana e também influenciado pelo aumento do volume dos leilões de venda do BC.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 0,8%, revertendo uma abertura negativa, quando na mínima recuou –1,0%, com bom volume de negócios (R$ 7,4bi) e sustentada pela recuperação das ações dos bancos, como Itaú (2,0%), Banco do Brasil (5,0%) e Santander (14,3%) e (2) o DÓLAR subiu 0,4% à R$ 2,51,  influenciado pelas tensões internas antes da definição do novo ministro da Fazenda, mesmo diante dos leilões de venda do BC.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão 2,7%, no maior patamar em 7 anos, desta vez com destaque de alta para as exportadoras e China 0,1%, atingindo o maior patamar desde 8/FEV/13 e acumulando um ganhos de 6% nos 5 últimos pregões, (2) da EUROPA, Inglaterra –0,5%, França –1,5% e Alemanha –0,9%, desanimadas após a Comissão Europeia reduzir as projeções de crescimento econômico para a zona do euro em 2014 e 2015 e diante do relato de que integrantes do BC Europeu estão insatisfeitos com a liderança de Mario Draghi, o que poderia dificultar a aplicação de medidas mais ousadas de estímulo e (3) dos EUA, S&P –0,3%, DJ –0,1% e NASDAQ –0,3%, realizando lucros recentes, com os investidores focados na contínua queda dos preços do petróleo, que ontem recuou –2,1%, e aguardando o resultado das eleições parlamentares do país.

 

Diante da falta de confiança dos empresários com o futuro da economia tupiniquim, em SET/14 a produção industrial brasileira recuou -0,2% na comparação com AGO/14, elevando assim o resultado negativo acumulado nos 9 primeiros meses do ano para -2,9% na comparação com o mesmo período de 2013.

 

Certamente com potencial para prejudicar o desempenho da economia brasileira, o Operador Nacional do Sistema avisou que, para manter os reservatórios em nível seguro e evitar apagões nos horários de pico, as distribuidores e geradoras farão cortes seletivos de energia para garantir o fornecimento durante os horários de pico, entre JAN/15 e FEV/15.

 

Além da concentração cada vez maior das exportações em produtos agrícolas e com pouco ou nenhum valor agregado, outro dado impressionante do comércio externo brasileiro é o rápido colapso das importações, principalmente as compras externas de insumos da indústria e, em particular, de bens de capital, que são as máquinas e os equipamentos necessários para a renovação ou a construção de novos negócios.

 

Indicando que o brasileiro, que na média já tem uma péssima educação financeira, é ''programado para gastar'', segundo (1) o SPC no Natal deste ano o brasileiro pretende gastar 30% mais do que gastou em 2013 e (2) o Serasa, um em cada quatro brasileiros tem dívida superior a R$ 200.

 

Enquanto no mundo todo a produção cai, ontem a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis anunciou que em SET/14 a produção de petróleo do país alcançou 2,358 milhões de barris diários, o que representa um recorde mensal histórico e uma forte alta de 12,6% em relação a igual período do ano passado.

 

-    O Itaú subiu 2,0%, após anunciar que registrou lucro líquido de R$ 5,4bi no terceiro trimestre deste ano, resultado melhor que o esperado pelo mercado (R$ 5,0bi) e 35,3% maior que no mesmo período de 2013.

-    A Petrobras caiu -0,2%, porem após o pregão, que aliás foi marcado por uma forte volatilidade, aumentaram os ''rumores'' de que a estatal recebeu o aval de Mantega para reajustar os combustíveis em 5%, patamar abaixo do pretendido pela empresa (8%).

-    A ALL caiu –0,5%, após anunciar que seu lucro líquido no terceiro trimestre deste ano (de R$ 37,6mi) foi -55,5% menor que no mesmo período de 2013.


Política:
 
Ontem, na primeira reunião do Planalto com líderes da base governista depois de sofrer a derrota na Câmara, o ministro Ricardo Berzoini, da Relações Institucionais, pediu aos aliados que tenham "calma" na discussão sobre para a Presidência da Casa.
 
Atendendo, ao menos em parte, a demanda dos tucanos, ontem o Tribunal Superior Eleitoral decidiu, por unanimidade, liberar os dados requisitados pelo PSDB para que o partido possa realizar uma auditoria do resultado das eleições presidenciais deste ano.

 

Cercado por militantes e aliados políticos, ontem, após passar 1 semana esfriando a cabeça em MG, o senador tucano Aécio retornou à cena política prometendo ser o principal líder da oposição no Congresso e ressaltando que não pretende dialogar com o governo federal se não houver mudanças na postura da presidenta Dilma.

 

-    Aliado de Dilma, Cid Gomes, governador do Ceará,  propôs à presidenta a formação de uma frente parlamentar composta por partidos de esquerda que possam apaziguar as diferenças impostas na base, principalmente pelo PMDB.

 

Por falta de quórum, já que os  ''nobres parlamentares'' estão descansando das eleições, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados adiou, pela quarta vez seguida, a análise do processo de cassação do deputado André Vargas, acusado de quebra de decoro devido à ligação com o doleiro Alberto Youssef.

 

A oposição terá um reforço no Congresso no segundo mandato da presidenta Dilma, já que o PSB, ex-aliado que deixou a base de apoio da petista para lançar candidatura própria em 2014, prometeu ontem caminhar de forma "independente" nos próximos 4 anos, com postura de oposição contra o governo petista e reforçando o partido como uma terceira via.

 

-    Hoje Kassab, ex-prefeito de SP que foi derrotado na disputa por uma vaga no Senado, vai ter uma audiência com a presidenta Dilma para negociar sua própria entrada no primeiro escalão do governo da petista.


Crítica:
 
Com a cotação de suas ações atualmente (R$ 15,00) valendo quase 1/3 do que valia antes da descoberta do pré-sal (R$ 42,00), a Petrobrás, mergulhada no período mais turbulento de sua história, em meio a denúncias de corrupção e investigações, além das acusações de tomar decisões desfavoráveis aos acionistas, contratou uma empresa para saber o que os donos de ações da estatal pensam a respeito dos investimentos e negócios da companhia.

PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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