R.B. 18/NOV/14 ''Abrindo o bico''


R.B.

"Abrindo o bico"

 

São Paulo, 18 de novembro de 2014 (TERÇA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, acompanhando o desempenho positivo das principais bolsas mundiais, em um movimento de ''caça de barganhas'' para tentar reduzir as perdas acumuladas no mês (-6,2%) e no ano (-0,5%) e (2) o DÓLAR pode cair, pressionado pelos leilões de venda do BC e principalmente em um ''ajuste técnico'' após fechar o pregão anterior no maior patamar desde 18/ABR/05.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA caiu –1,0%, devolvendo os ganhos da abertura, quando na máxima chegou a avançar 0,8%, pois foi pressionada novamente pelo forte recuo das ações da Petrobrás (-4,5%), já que a teleconferência feita por sua diretoria não conseguiu afastar  desconfiança dos investidores com o futuro da empresa, e da Eletrobrás (-9,1%), que anunciou que seu prejuízo da estatal aumentou 199% do terceiro trimestre do ano passado para igual período deste ano e (2) o DÓLAR subiu 0,3% à R$ 2,61, novamente influenciado pelas incertezas em relação à equipe econômica do próximo governo Dilma, mesmo diante do forte volume de vendas do BC.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão –2,0%, a segunda maior queda percentual do ano, diante do anúncio de números mais fracos que o esperado do PIB país no terceiro trimestre deste ano e China 0,1%, realizando lucros no primeiro dia de conexão entre os mercados de Xangai e Hong Kong, (2) da EUROPA, revertendo uma abertura negativa, Inglaterra 0,3%, França 0,5% e Alemanha 0,6%, à espera de mais medidas de estímulo à economia da zona do euro, após Mario Draghi, presidente do BC Europeu, afirmar que compras de bônus soberanos serão uma alternativa se a instituição decidir adotar medidas adicionais para estimular a economia do bloco e evitar a ameaça de deflação e (3) dos EUA, próximas da estabilidade, S&P 0,1%, DJ 0,1% e NASDAQ –0,2%, com os dados negativos da economia japonesa contrabalançando a reação positiva do mercado ao noticiário sobre fusões e aquisições, como a compra do fabricante do antirrugas Botox, Allergan, pelo laboratório Actavis.

 

Confirmando o péssimo momento da economia tupiniquim, segundo um estudo divulgado ontem pela consultoria Economatica, o lucro líquido acumulado pelas 355 empresas brasileiras cotadas na Bovespa no terceiro trimestre deste ano foi -40,4% menor do que o contabilizado no mesmo período do ano passado, com destaque positivo para o setor bancário e destaque negativo para o setor de mineração.

 

Mostrando um crescente pessimismo com o futuro da economia brasileira, agora principalmente diante da demora da presidenta Dilma em definir quem será o ministro da Fazenda, o ''mercado'' elevou, desta vez de 6,39% para 6,40%, sua estimativa para a inflação oficial calculada pelo IPCA neste ano.

 

Superando levemente as expectativas do ''mercado'', segundo os cálculos divulgados ontem pelo BC, a economia brasileira parou de encolher, mas está estagnada no acumulado do ano, já que a atividade econômica teve expansão de 0,6% no terceiro trimestre, na comparação com os três meses anteriores, mas não chegou a compensar a queda de -0,8% medida entre MAR/14 e JUN/14.

 

Diante de uma indústria interna sucateada, atrasada, improdutiva e cara, o brasileiro está comprando cada vez mais bens importados, já que no terceiro trimestre deste ano 21,9% dos produtos industrializados consumidos no país vieram de fora, o que representa o maior valor desde 2007, quando esta série estatística começou.

 

Muito próxima de rebaixar sua ''nota'' para a empresa, a agência de classificação de risco Fitch disse ontem que os recentes escândalos envolvendo a Petrobras podem atrasar o crescimento da produção da companhia, com impacto negativo nas negociações da empresa com fornecedores de equipamentos, já que agora seus executivos adotarão uma posição mais cautelosa ao assinar ou alterar contratos.

 

Enquanto o governo brasileiro se preocupa em fazer negócios com baseados apenas nas suas ideologias políticas, ontem a China e a Austrália anunciaram que, após cerca de 10 anos de negociação, fecharam um acordo de livre-comércio que derruba tarifas e barreiras e que certamente dificultará as exportações de carne bovina do Brasil para o mercado chinês.

 

Na contramão da monopolista Bovespa, que recentemente elevou suas tarifas, ontem a Nasdaq anunciou as 14 ações que farão parte do programa da Bolsa de Valores norte-americana para testar os efeitos de redução de suas taxas de negociação e descontos a partir de 2/FEV/14.


Política:
 
Apesar de todos saberem que a presidenta só faz aquilo que quer, Dilma será aconselhada por sua equipe a tomar medidas para mudar a agenda do governo, como anunciar o mais rápido possível sua nova equipe econômica, para mudar o foco e assim evitar ficar presa ao escândalo da Petrobras.
 
''Abrindo o bico'' mais rápido do que o esperado, Erton Fonseca, diretor de Óleo e Gás da construtora Galvão Engenharia, afirmou ontem à Polícia Federal que aceitou pagar propina ao esquema do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef após ser extorquido pelos dois, ressaltando inclusive que o destino do dinheiro foi para o Partido Progressista.

 

Brigando por interesses petistas, o ministro José Dias Toffoli, que já foi advogado do PT e hoje é presidente do Tribunal Superior Eleitoral, defendeu ontem a mudança do atual sistema de financiamento de campanhas eleitorais com o fim das doações por empresas e o financiamento publico.

 

Fazendo uma oposição vigiante e ativa, Marina Silva, que pela segunda vez seguida foi a terceira colocada na disputa pela Presidência, cobrou da presidenta Dilma a aplicação da Lei Anticorrupção no Brasil que, segundo a ex-senadora, ainda está "engavetada" no Palácio do Planalto.

 

Diante da contundente derrota do PT em SP, com o fraco resultado na disputa presidencial, fiasco da candidatura Alexandre Padilha ao governo, perda de uma vaga no Senado e redução da bancada de deputados, petistas paulistas cobram da presidenta Dilma que o governo federal crie uma agenda específica para o Estado.


Crítica:

 

Enquanto no Brasil ainda estamos discutindo a qualidade das nossas vias publicas, ontem no Japão cerca de 100 passageiros participaram de testes com trens de alta-velocidade maglev, que usam levitação magnética, flutuam sobre os trilhos a chegam a até 500 km/h, superando os famosos trens-bala japoneses, que viajam a uma velocidade de 320 km/h.


PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho

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