R.B. 2/JUL/14 "Mundo paralelo"


R.B.

"Mundo paralelo"

 

São Paulo, 2 de julho de 2014 (QUARTA-FEIRA).


Mercados e Economia:

 

Hoje (1) a BOVESPA deve subir, beneficiada pela divulgação de dados positivos da economia chinesa, seguindo o bom desempenho das principais bolsas mundiais e impulsionada pelas "apostas" de nova queda de Dilma na pesquisa que será divulgada hoje e (2) o DÓLAR pode seguir em queda, acompanhando a esperada melhora do "humor" na Bovespa e também beneficiada pela divulgação de queda da inflação brasileira, o que torna ainda mais atraente a taxa real de juros da economia tupiniquim.

 

Ontem, no BRASIL, (1) a BOVESPA subiu 0,1%, com mais uma desvalorização das ações da Petrobrás (-0,6%) ofuscando o bom desempenho da Vale (1,4%) e da Ambev (1,7%), em um dia de baixo volume de negócios (R$ 4,3bi) por conta das expectativas antes da divulgação de mais uma pesquisa de intenções de voto para presidente e (2) o DÓLAR caiu –0,3% à R$ 2,20, seguindo a trajetória internacional da moeda norte-americana e influenciado pelos leilões de venda do BC.

 

Também ontem, nas principais bolsas (1) da ÁSIA, Japão 1,0% e China 0,2%, beneficiadas pela divulgação de dados econômicos positivos em ambos os países, como o crescimento do índice de confiança das grandes companhias manufatureiras japonesas e o avanço do índice oficial de atividade manufatureira chinesa, (2) da EUROPA, Inglaterra 0,9%, França 0,9% e Alemanha 0,7%, com destaques de alta para as ações dos bancos, como o BNP Paribas (3,6%) que anunciou ter fechado acordo sobre sanções nos EUA, e para as mineradoras, como a Rio Tinto (3,1%), diante da divulgação de positivos sobre a atividade industrial na China e (3) dos EUA, com o S&P e o DJ superando o maior patamar da história, S&P 0,7%, DJ 0,8% e NASDAQ 1,1%, diante do anuncio de que a atividade industrial do país voltou a acelerar em JUN/14.

 

Provavelmente vivendo em um "mundo paralelo", no qual apenas a reeleição de Dilma importa, Alexandre Tombini, presidente do BC brasileiro, afirmou ontem que está mais preocupado com a recuperação da economia mundial e mais otimista em relação à inflação no Brasil, que segundo ele tende a entrar em trajetória de convergência para a meta (de 4,5%) até JUN/16.

 

Dando uma notícia boa, que é fruto de dois dados preocupante, em JUN/14 a balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 2,4bi, o que representa o melhor resultado para o mês desde JUN/11, porem no mesmo período as exportações de produtos básicos, que tem menor valor agregado, representaram 50,8% das vendas externas tupiniquins, o maior patamar desde 1980 e as importações somaram US$ 18,1bi, registrando uma queda de –3,8% na comparação com JUN/13.

 

-    Finalmente apresentando um dado positivo da economia brasileira, em JUN/14 o IPC subiu apenas 0,04%, com destaque para a deflação dos preços de Alimentação.

-    Como atualmente no Brasil um pedreiro muitas vezes ganha mais do que um advogado, em JUN/14 os custos da construção civil paulista com mão de obra registraram alta de 4,14% na comparação com MAI/14.

 

Mesmo com as contas publicas em situação "complicada", diante da decisão de prorrogar até o fim deste ano descontos de imposto ao setor industrial, obviamente para impulsionar artificialmente a economia em um ano de eleições, o governo federal deixará de arrecadar R$ 962mi apenas no segundo semestre deste ano.

 

Confirmando pela enésima vez que a Copa do Mundo de Futebol, diferentemente das promessas do governo Dilma, causou muito mais prejuízos do que lucros ao Brasil, em JUN/14 o Índice de Confiança de Serviços caiu 0,7% na comparação com MAI/14 e ficou em 106pts, o que representa o menor patamar desde ABR/09.

 

-    A Ambev subiu 1,7%, diante do anuncio de que em JUN/14 a produção brasileira de cerveja subiu 6,1% sobre um ano antes.

-    A Vale subiu 1,4%, depois de dados terem mostrado o fortalecimento da indústria da China, que é maior destino de suas exportações.

-    A Petrobrás caiu –0,6%, mesmo após Graça Foster, presidente da empresa, afirmar, durante a cerimônia de comemoração da produção de diária de 500 mil barris no pré-sal, que o recente acordo com a União está alinhado com o planejamento estratégico de 2030, aprovado em FEV/14 pelo conselho de administração.


Política:

 

Com o objetivo de atrair os votos da "elite branca", a coordenação da campanha da presidenta Dilma excluiu do programa de governo da sua candidatura à reeleição bandeiras tradicionais do PT, como a democratização da mídia e a adoção do financiamento público de campanhas políticas.

 

Em protesto contra a retenção, obviamente com fins políticos, de um empréstimo federal, o governo do Paraná, que é comandado pelo tucano Beto Richa, pediu ontem a prisão em flagrante do secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, e do subsecretário do órgão, Eduardo Guerra, por crime de desobediência.

 

Certamente se preparando para declarar apoio a algum candidato da oposição, o que deve ajudar a prejudicar ainda mais a candidatura de Dilma, Joaquim Barbosa, agora ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, afirmou ontem que deixa a Corte com o sentimento de dever cumprido e "a alma leve", ressaltando que agora é absolutamente livre para tomar posições que entender necessárias e apropriadas.

 

Com o objetivo de aumentar suas intenções de voto em uma região onde Dilma e Eduardo Campos são mais conhecidos, o tucano Aécio Neves decidiu que fará uma "caravana" pelo Nordeste no início de sua campanha ao Palácio do Planalto, em AGO/14.

 

Pressionados pelos "nobres deputados federais", os ministros do Tribunal Superior Eleitoral decidiram ontem, por unanimidade, manter para a eleição deste ano o mesmo número de parlamentares nas bancadas dos Estados na Câmara dos Deputados.

 

Populista, como sempre, o deputado Anthony Garotinho, do PR, anunciou ontem que, como o PEN desistiu de apoiar sua candidatura para se juntar ao candidato peemedebista Fernando Pezão, o vice na sua chapa de campanha para o governo do RJ será o vereador e bombeiro Márcio Garcia, também do PR, ressaltando que isto representará, simbolicamente, o descaso do ex-governador Sérgio Cabral com o funcionalismo público.


Crítica:

 

Apesar de serem reconhecidos pela solidez e pela lucratividade, os grandes bancos brasileiros, como dependem da desqualificada e desmotivada mão de obra tupiniquim, também aparecem no topo do ranking das instituições financeiras mais ineficientes e com o maior custo do mundo.

 

Mais uma vez por conta da falta de educação financeira do brasileiro, em MAI/14 e JUN/14, que foram os dois primeiros meses com as novas regras para transferência de dívidas entre bancos, houve queda no número destas operações, que atingiram o menor patamar desde 2009.


PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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