R.B. 11/AGO/11 ''Fugindo dos problemas em uma ilha''


R.B.

"Fugindo dos problemas em uma ilha"

 

São Paulo, 11 de agosto de 2011 (QUINTA-FEIRA).


Mercados:

 

HOJE

-    A BOVESPA deve seguir em alta, ainda em um movimento de recuperação de perdas recentes e de ''caça de barganhas'', acompanhando a melhora do ''humor'' nas demais bolsas mundiais e o avanço dos preços das commodities.

-    O DÓLAR pode voltar a cair, com ''boas chances'' de fechar a semana abaixo dos R$ 1,60, influenciado pela gradativa melhora do ''humor'' externo e pela cada dia mais atraente taxa real de juros da economia brasileira (cerca de 6,8% ao ano).

 

ONTEM

-    BOVESPA 0,5%, abriu em queda, para na mínima recuar -2,2%, porem, mesmo com o recuo das bolsas de NY, passou a subir na parte de tarde, ainda em um movimento de ''caça de barganhas'', novamente com ótimo volume de negócios (R$ 8,2bi) e também impulsionado pela valorização dos preços das commodities.

-    DÓLAR –0,1% à R$ 1,62, já abriu ''de lado'' e, seguindo a indefinição da trajetória da moeda norte-americana no mercado internacional, apresentou muita volatilidade ao longo de todo pregão, o que indica que ainda não existe uma avaliação conclusiva sobre os efeitos do rebaixamento da ''nota'' dos EUA.

-    Na ÁSIA, seguindo a valorização das bolsas de NY no dia anterior, JAPÃO 1,1%, em uma tênue recuperação das perdas recentes, porem com as exportadoras ainda prejudicadas pela valorização da moeda local (o iene) frente ao dólar, CHINA 0,9%, após o governo local indicar um ponto final no atual ciclo de medidas de aperto monetário e CORÉIA 0,3%, a primeira alta após recuar –17,1% nos 6 últimos pregões, em uma sessão marcada pela volatilidade e com destaques de alta para grandes empresas como LG Electronics (1,8%) e Hynix Semiconductor (4,1%).

-    Na EUROPA, revertendo uma abertura positiva, INGLATERRA –3,0%, FRANÇA –5,4% e ALEMANHA –5,1%, com destaques de queda para ações de bancos, como Société Générale (-14,7%), BNP Paribas (-9,5%), Crédit Agricole (-11,8%), UniCredit (-9,4%), Santander (-8,3%) e Barclays (-8,2%), diante de ''rumores'' sobre a possibilidade de rebaixamento da ''nota'' da França por uma agencia de classificação de risco.

-    Nos EUA, também revertendo uma abertura negativa, novamente com muita volatilidade e elevados volumes de negócios, o que aliás mostra um mercado muito orientado pelo curto prazo, S&P –4,4%, DJ –4,6% e NASDAQ –4,1%, com destaques de queda para ações de bancos, como Bank of America (-10,9%) e Goldman Sachs (-10,1%), diante das preocupações de que a crise na Europa possa golpear bancos franceses e eventualmente contaminar o setor financeiro norte-americano.


Economia:
 
Ainda colocando a culpa nos ''gringos'', já que isto é mais fácil do que reduzir o custo Brasil, o que aumentaria a competitividade das empresas brasileiras no exterior, e os gastos públicos, o que possibilitaria a redução da taxa básica de juros, Mantega, ministro da Fazenda, afirmou que (1) o governo está preocupado com a forte entrada de produtos estrangeiros no Brasil e (2) a crise financeira internacional é o que tem atrapalhado os investimentos no Brasil.
 
Como se fosse ''dono de uma bola de cristal'', Tombini, presidente do BC, afirmou ontem que o Brasil se preparou para um ambiente menos favorável no cenário internacional, já que (1) tem o câmbio flutuante, (2) acumula elevadas reservas internacionais, que aliás subiram cerca de US$ 150bi somente este ano, (3) elevou os depósitos compulsórios, aumentando a solidez e reduzindo a alavancagem do sistema financeiro e (4) o mercado doméstico segue em expansão com uma classe média cada vez maior.
 
Ontem, durante uma reunião no Planalto com os líderes dos partidos da base aliada, Dilma pediu "responsabilidade" e união ao avaliar projetos que aumentem os custos do governo, ressaltando a importância do equilíbrio fiscal do país.
 
Alertando que a medida encarece as operações de proteção cambial dos exportadores e provoca a migração dos negócios para o exterior, Edimir Pinto, presidente da BM&FBovespa, classificou como uma violência as medidas de intervenção no mercado de derivativos de câmbio anunciadas há duas semanas pelo governo.
 
Mostrando que o BC está conseguindo desacelerar o crescimento da economia brasileira, para assim reduzir a inflação, como fruto dos constantes aumentos da taxa básica de juros, em JUL/11 a demanda do consumidor por crédito recuou 1,2% na comparação com o mês anterior, registrando a segunda queda mensal consecutiva.
 
Finalmente ''caindo na real'', a BM&FBovespa, usando como ''desculpa'' o mau desempenho da Bolsa brasileira neste ano, adiou de 2015 para 2018 o prazo para cumprimento da sua ''meta maluca'' de chegar a 5.000.000 de investidores pessoa física no mercado acionário, o que dá um crescimento de quase 10 vezes na comparação com o patamar atual (550.000).
 
Representando uma enorme vergonha para um país que sonhava, ou ainda sonha, em ser o maior produtor de energia renovável do mundo,  como o Brasil vai moer menos cana do que estava previsto e ter menos açúcar e menos álcool nesta safra 2011/12, para não ocorrer desabastecimento o governo vai elevar as importações de etanol.

Política:
 
Mesmo com as crescentes denuncias de corrupção contra membros do seu governo e também com a crise financeira internacional, a avaliação do governo Dilma segue estável, com 48% de ótimo/bom segundo as pesquisas Ibope/CNI e Datafolha feitas na semana passada.
 
Preocupada com a crise na sua base aliada, Dilma procurou Lula, que aconselhou sua ''pupila'' a não esticar mais a corda, para não atiçar o PMDB, e a promover mais encontros com parlamentares aliados.
 
Ontem a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou, por unanimidade, à proposta de emenda constitucional do senador tucano Aécio Neves que altera o rito de tramitação das medidas provisórias e impede o governo e parlamentares de incluir assuntos não correlatos nas medidas em tramitação.
 
Como os ratos que são os primeiros a abandonar os barcos, o PR da Câmara Federal, que tem um ''capital político'' de 40 deputados eleitos na última eleição, se prepara anunciar oficialmente na próxima semana a sua saída da base aliada do governo para seguir um caminho "independente".

Crítica:
 
Mostrando uma enorme irresponsabilidade e dando um péssimo exemplo, Obama, mesmo com seu país, que aliás é o maior e mais influente no mundo, enfrentando uma gigantesca e complexa crise financeira, decidiu que não renunciará às suas férias e vai passear com a família em Martha's Vineyard, ''fugindo dos problemas em uma ilha'' exclusiva na costa do Estado de Massachusetts.
 
Mostrando que a igreja católica não é 100% ruim, diante da pior crise desde a queda do regime da ditadura franquista, mais de cem padres espanhóis uniram ontem para protestar contra os gastos de 60 milhões de euros para organizar a visita do papa Bento XVI ao país na semana que vem, alertando que o dinheiro deveria ser usado para ajudar as famílias mais pobres.

PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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