R.B. 10/AGO/11 ''Bem distante do Brasil''


R.B.

"Bem distante do Brasil"

 

São Paulo, 10 de agosto de 2011 (QUARTA-FEIRA).


Mercados:

 

HOJE

-    A BOVESPA deve seguir em alta, dando sequência à recuperação das perdas ainda acumuladas no mês (-13,1%), acompanhando a provável nova melhora do ''humor'' nas bolsas de NY e ainda em um movimento de ''caça de barganhas'', que aliás não faltam na bolsa brasileira.

-    O DÓLAR pode voltar a cair, mantendo sua ''trajetória natural'', ainda diante do ''crescente e constante'' fluxo positivo de recursos externos oriundos de exportações, captações e ''investimentos'', que aliás no final da história deve se intensificar com o rebaixamento da ''nota'' dos EUA.

 

ONTEM

-    BOVESPA 5,1%, já abriu em alta e, recuperando parte das perdas do pregão anterior (-8,1%), manteve a trajetória ascendente ao longo de toda sessão, novamente com ótimo volume de negócios (R$ 10,3bi), acompanhando a recuperação dos principais mercados mundiais e das commodities.

-    DÓLAR -1,4% à R$ 1,59, abriu em alta e, em um pregão marcado pela forte volatilidade, na máxima chegou a atingir R$ 1,66 e na mínima bateu R$ 1,58, dividido entre a pressão compradora do BC e as fortes vendas de exportadores aliada à promessa do Fed (''BC'' dos EUA) de que os juros norte-americanos serão mantidos perto do zero até meados de 2013, pelo menos.

-    Na ÁSIA, seguindo as perdas das bolsas de NY no dia anterior, JAPÃO -1,7%, a terceira queda seguida, nas quais recuou -7,4%, com o maior volume de negócios desde 23/MAR/11 e com destaques de queda para as ações ligadas ao petróleo, como Inpex (-5,5%) e Marubeni (-4,9%), CHINA -5,7%, no pior patamar desde JUL/09 e acumulando uma baixa de -16,7% nas ultimas 6 sessões, prejudicada pelo anuncio de alta da inflação ao consumidor em JUL/11 e CORÉIA -3,6%, a sexta queda consecutiva, ainda pressionada pelas agressivas vendas de investidores estrangeiros, desta vez principalmente em ações de bancos, como Korea Exchange Bank (-6,3%) e Woori Finance Holdings (-7,2%).

-    Na EUROPA, sem uma tendência única, após um dia de pregões com grandes volatilidades, INGLATERRA 1,9%, FRANÇA 1,6% e ALEMANHA -0,1%, com algumas praças rompendo uma série de 7 sessões seguidas de perdas, à medida que os investidores finalmente começaram a procurar ações cujos preços despencaram depois das recentes grandes quedas, como a montadora alemã BMW (6,3%) e a companhia francesa do setor de telecomunicações Alcatel-Lucent (9,2%).

-    Nos EUA, tentando iniciar um movimento de recuperação das perdas recentes, com elevados volumes de negócios, S&P 4,7%, DJ 3,9% e NASDAQ 5,3%, após o Fed (''BC'' local) prometer que irá manter taxas de juros quase nulas até meados de 2013.


Economia:
 
Dando seus ''pitacos'', Lula, após ''garantir'' que o Brasil tem uma situação "confortável" por causa do seu forte mercado interno, da dívida pública relativamente pequena e do acúmulo de reservas, afirmou que a crise mundial está se tornando mais política do que econômica, ressaltando que os países do ''primeiro mundo'' deveriam seguir o que escreveram na cartilha do FMI e se mirar em exemplos latino-americanos e africanos para resolver a crise.
 
Ressaltando que não se deve dar liberdade para os mercados financeiros, já que na sua avaliação foi a liberdade dada para especulação financeira que quase levou os EUA à bancarrota, Mantega, ministro da Fazenda, defendeu as medidas tomadas pelo governo para deter a valorização do real, como a cobrança de taxas no mercado de dólar futuro, e disse ainda que o governo trabalha para proteger a economia brasileira da competição desleal de outros países e das guerras cambial e comercial, que também na sua avaliação poderá se agravar nos próximos anos.
 
Segundo Alessandro Teixeira, secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as agências de classificação de risco demoram muito para fazer a reavaliação da situação econômica dos países ao redor do mundo e o Brasil já apresenta fundamentos para receber uma nota de crédito maior.
 
Na opinião de Carlos Geraldo Langoni, ex-presidente do BC e atualmente diretor do Centro de Economia Mundial da FGV-RJ, mesmo com a provável recessão nos EUA, o crescimento do Brasil será pouco afetado pela crise e deve ficar em cerca de 4% neste ano e em 2012.
 
Criando uma enorme oportunidade de compra, o pessimismo dos investidores nas últimas semanas, intensificado pelo rebaixamento da nota de crédito dos EUA, fez o valor de mercado das empresas de capital aberto derreter, sendo que das 61 companhias listadas no Ibovespa, 22 estão com o preço abaixo do patrimônio líquido (ativos menos passivos).
 
Acreditando que a crise mundial ficará ''bem distante do Brasil'', a Fiat anunciou que sua nova unidade em Pernambuco será instalada na cidade de Goiana, na zona da mata, terá 440 hectares aonde serão investidos R$ 3bi, ao menos inicialmente, e serão gerados 3.500 empregos diretos.
 
Com o objetivo de ter mais recursos para investir no desenvolvimento dos projetos em águas profundas, segundo ''rumores'' a Petrobrás está considerando vender parte das ações da refinaria japonesa Nansei Sekiyu KK.
 
-    A subiu BM&FBovespa subiu 5,7%, após anunciar que seu lucro liquido no segundo trimestre foi de R$ 294,2mi, queda -3,8% em relação ao ganho apurado em igual período de 2010, porem acima da média das ''apostas do mercado'', que estavam em R$ 272mi.
-    A América Latina Logística subiu 0,2%, mesmo após anunciar que teve alta de 20% no lucro líquido do segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2010, impulsionado por maiores volumes transportados e incrementos de tarifas.
-    O Banco do Brasil subiu 7,1%, após anunciar que, impulsionado principalmente pela sua carteia de crédito, seu lucro líquido foi de R$ 6,2bi no primeiro semestre, o que representa um expansão de 23,4% ante igual período no ano passado e é um recorde para o maior banco do país no primeiro semestre.

Política:
 
Mostrando quais critérios usou para escolher o substituto de Jobim no ministério da Defesa, Dilma afirmou que Celso Amorim é um patriota, um homem talhado para essa fase do Brasil, que é um País de cabeça erguida, consciente da sua soberania.
 
Em reuniões políticas ao longo do dia de ontem, parlamentares experientes e integrantes do chamado baixo clero manifestaram preocupação de que uma onda de denúncias abata ministros e gestores públicos, indiscriminadamente, originando uma bola de neve da qual ninguém escape.
 
Aumentando a crise política, ontem a Polícia Federal prendeu o secretário-executivo do Ministério do Turismo, Frederico Silva da Costa, o secretário de Programas e Desenvolvimento, Colbert Martins, e mais 33 pessoas acusadas de desviar dinheiro destinado ao treinamento de profissionais de turismo no Amapá.

Crítica:
 
Cada dia mais ''cansada'' de ter de resgatar seus ''companheiros'' europeus, a Alemanha ''avisou'' que quer punir governos que não cumprirem metas fiscais e, para continuar ''pagando o pato'', quer também ter o poder de impor reformas àqueles que desejam usar o euro.

PAZ, amor e bons negócios;

Alfredo Sequeira Filho


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