R.B. 16/DEZ/10 ''Desafogar o BNDES''

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R.B.

"Desafogar o BNDES"

Rio de Janeiro, 16 de dezembro de 2010 (QUINTA-FEIRA).
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Mercados:

HOJE
- A BOVESPA pode subir, acompanhando a melhora do ''humor'' nas demais bolsas mundiais e influenciada positivamente pelo pacote de medidas para estimulo dos financiamentos de longo prazo, principalmente em projetos de infraestrutura, lançado ontem pelo governo.
- O DÓLAR deve cair, seguindo a provável valorização da Bovespa e influenciado pelas ''apostas'' de que as medidas anunciadas ontem pelo governo deve atrair ainda mais recursos externos para o setor produtivo da economia brasileira.

ONTEM
- BOVESPA -1,3%, já abriu em queda e, prejudicada pela ''ameaça'' de rebaixamento da ''nota'' das Espanha, manteve-se em território negativo ao longo de todo pregão, anulando, mais uma vez, os ganhos acumulados neste ano.
- DÓLAR 0,3% à R$ 1,70, abriu ''de lado'', para na mínima atingir R$ 1,69, porem definiu a trajetória de alta no final do pregão, pressionado pelos mesmos motivos que levaram à queda na Bovespa, pela elevação do risco-Brasil (3,1%) e pelos leilões de compra do BC.
- Na ÁSIA, sem uma tendência única, JAPÃO -0,1%, realizando lucros recentes, em meio à persistente sensação de que o mercado está superaquecido, CHINA -0,5%, em meio ao temor de que Pequim realize mais um aperto monetário e CORÉIA 0,4%, em alta pelo terceiro dia seguindo, liderada pelos ganhos nos setores químico e de construção naval.
- Na EUROPA, pressionadas pelo aumento dos receios com o endividamento de alguns governos da zona do euro, após a agência de classificação de risco Moody's ter colocado a ''nota'' da Espanha em revisão para possível rebaixamento, citando as necessidades de refinanciamento do país no próximo ano e a pressão para recapitalizar os endividados bancos espanhóis, INGLATERRA -0,1%, FRANÇA -0,6% e ALEMANHA -0,2%, com destaques de queda para as ações do setor financeiro, como Santander (-2,6%), Banco Popular (-1,7%), BNP Paribas (-2,2%) e Société Générale (-1,7%).
- Nos EUA, sofrendo ondas de vendas no final da sessão pelo terceiro dia consecutivo, S&P -0,5%, DJ -0,2% e NASDAQ -0,4%, já que a alta nos rendimentos dos Treasuries deflagrou preocupações de que o crescente aumento dos custos de financiamento poderia brecar a recuperação econômica.
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Economia:

Com o objetivo de ''desafogar o BNDES'', de estimular à recuperação do crédito rural e do crédito pessoal e de incentivar os financiamentos privados de longo prazo, ontem o governo federal anunciou um pacote de medidas como (1) a desoneração de Imposto de Renda para os títulos emitidos para financiamento de projetos de infraestrutura, (2) o incentivo à securitização de créditos imobiliários e (3) a autorização para que empresas criadas para gerir projetos de infraestrutura possam emitir debêntures que terão desoneração do IR sobre o rendimento.

Aparentando ''bom humor e otimismo'', ontem Lula ''avisou'' que, no que depender do trabalho de "Dona Dilma" e "Dom Guido", o Brasil subirá da oitava posição para o posto de quinta maior economia do mundo até 2016.

Antes de saber das medidas anunciadas pelo governo, Armando Monteiro Neto, Senador eleito por Pernambuco e ex-presidente da CNI, afirmou que o BNDES não tem condições de atender toda a demanda da indústria por crédito, com grandes projetos, ressaltando que no Brasil os bancos não costumam adotar linhas de financiamento de longo prazo.

Superando o desempenho do PIB, que deve subir cerca de 7,5% este ano, em 2010 o consumo de combustíveis disparou e fechará o ano com uma expansão média de 9,5%.

Caminhando, a passos de tartaruga, para ser uma economia desenvolvida, entre 2008 e 2009 o Brasil subiu do 37º para o 36º lugar no índice de competitividade da Fiesp que considera 43 países que por sua vez representam mais de 90% do PIB mundial.

Aproveitando o aumento da renda das classes C e D, cuja demanda reprimida por produtos e serviços é enorme, a agencia de turismo CVC está expandindo seus negócios para o ramo da hotelaria investindo no primeiro "resort popular" em área nobre, na praia do Mosqueiro, em Aracaju, que terá apartamentos que, por R$ 200 por dia, poderão abrigar até quatro pessoas no sistema "all inclusive".

Mostrando como defenderá os interesses do Brasil no exterior, ontem, horas antes de ser confirmado no cargo de chanceler do governo Dilma, Antonio Patriota, atual secretário-geral do Itamaraty, fez uma dura crítica ao protecionismo dos países ricos e ressaltou também que apesar de o Brasil não ter multiplicado acordos bilaterais no governo do presidente Lula, foi possível bater recordes no comércio com todos os parceiros já estabelecidos, como a Argentina e os EUA.
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Política:

Legislando em causa própria, o que costuma ocorrer de forma rápida e discreta, ontem, em menos de 5 minutos, o Senado Federal aprovou um projeto de Lei que aumenta o salário dos deputados, senadores, presidente, vice-presidente da República e dos ministros de Estado de R$ 16,5 mil para R$ 26,7 mil.

Divergindo de Serra e se aproximando do que quer Aécio, ontem, no primeiro encontro após o resultado das urnas, os 8 governadores eleitos do PSDB afinaram um discurso de cooperação com o governo federal e com Dilma, a presidente eleita pelo PT, adotando uma postura classificada pelos tucanos como "republicana".

Louco para voltar, ontem, no reencontro de Lula com os ministros que passaram pelo seu governo, Dirceu, o ex-todo-poderoso ministro da Casa Civil, demitido no auge do escândalo do mensalão, foi um dos mais abordados e cumprimentados durante sua primeira solenidade pública no Palácio do Planalto desde que saiu pelas portas dos fundos.
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Crítica:

Mostrando mais uma vez que no Brasil o crime muitas vezes compensa, principalmente para quem tem muito dinheiro, ontem o Tribunal Regional Federal da 2ª Região revogou a prisão preventiva decretada pela 2ª Vara Federal Criminal do RJ contra o ex-banqueiro Salvatore Alberto Cacciola, concedendo a ele um hábeas corpus da pena de 13 anos de reclusão por crimes contra o sistema financeiro.
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PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho
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