R.B. 25/OUT/10 ''Voz sedutora''

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R.B.

"Voz sedutora"

São Paulo, 25 de outubro de 2010 (SEGUNDA-FEIRA).
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Mercados:

HOJE
- A BOVESPA deve subir, tentando recuperar as perdas acumuladas na semana passada (-3,2%), animada pelo desfecho da reunião do G-20 e seguindo o bom desempenho das demais bolsas mundiais, porem ''temendo'' cada dia mais medidas do governo para conter o fluxo positivo de recursos externos.
- O DÓLAR pode cair, seguindo a melhora do ''humor'' na Bovespa para reduzir a valorização acumulada na semana passada (2,5%), porem com o ''mercado'' atento às medidas que o BC pode tomar para conter a valorização do real.

SEXTA-FEIRA
- BOVESPA -0,2%, abriu em alta, para na máxima avançar 0,8%, porem, com bom volume de negócios (R$ 8,1bi), logo passou a cair, mesmo com o desempenho positivo das bolsas de NY, diante do aumento dos ''temores'' de que o governo pode adotar novas iniciativas para restringir o fluxo de capital estrangeiro, um dos maiores "combustíveis" da Bolsa brasileira, e das incertezas sobre a reunião do G20.
- DÓLAR 0,4% à R$ 1,71, abriu em queda, para na mínima atingir R$ 1,69, porem logo passou a subir, também influenciado pelas expectativas de que o governo deve lançar mão de medidas ainda mais ''drásticas'' para conter a valorização do real, como uma possível quarentena para o capital estrangeiro aplicado no país.
- Na ÁSIA, sem uma tendência única, JAPÃO 0,5%, com um volume de negócios relativamente fraco ante um misto de cautela e otimismo em relação às projeções de lucro das empresas locais, CHINA -0,3%, pelo segundo dia realizando lucros em ações de bancos e de petrolíferas e CORÉIA 1,2%, diante da intensa compra por parte de investidores estrangeiros em ações de tecnologia e construção naval.
- Na EUROPA, realizando lucros antes da reunião do G-20, INGLATERRA -0,3%, FRANÇA -0,3% e ALEMANHA -0,1%, com destaques de queda para as mineradoras, como Vedanta Resources (-2,1%) e Eurasian Natural Resources (-2,3%).
- Nos EUA, fechando em alta a terceira semana consecutiva de ganhos, S&P 0,2%, DJ 0,1% e NASDAQ 0,8%, diante de balanços animadores no setor de tecnologia, como o da Baidu (4,6%), site chinês de buscas, e o da Amazon.com (2,5%).
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Economia:

Com um desfecho melhor do que o esperado, foi decidido, durante a reunião do G-20 deste final de semana, que (1) as economias emergentes de rápido crescimento terão 6% a mais das fatias de voto no FMI e (2) serão dobradas as cotas do FMI, que determinam com quanto cada país contribuirá ao fundo e quanto eles podem pegar emprestado, para evitar ou lidar com potenciais crises nos próximos anos.

Podendo causar um enorme rebuliço no mercado financeiro brasileiro, são cada dia maiores os ''rumores'' de que, para conter a valorização do real, o governo enviará ao Congresso uma Medida Provisória para acabar com a isenção do Imposto de Renda para os ganhos dos investidores estrangeiros que aplicam em títulos públicos.

Confirmando mais uma vez a força da economia brasileira, segundo dados divulgados pela Anatel na ultima sexta-feira o Brasil ultrapassou a marca de 191 milhões de celulares, o que representa uma densidade de 98,98 acessos a cada 100 habitantes.

Dando 2 exemplos de como precisa de investimentos, o setor brasileiro de turismo, que mesmo com gargalos cada dia maiores cresceu 22% entre 2003 e 2007, demanda urgentemente (1) 900 novos controladores de tráfego aéreo, (2) mais hotéis, principalmente no Rio de Janeiro e em Sã Paulo e (3) capacitação e formação de novos profissionais voltados ao setor.

Como furto do aumento da renda, da queda dos juros, do recuo do dólar e do alongamento dos prazos de empréstimos, as vendas de veículos na faixa dos R$ 80 mil a R$ 110 mil no Brasil cresceram 40% em pouco mais de um ano e meio.

Fazendo o Brasil correr um sério risco de enfrentar um cenário de superendividamento, dados do BC mostram que, nos últimos 5 anos, o número de brasileiros com dívidas superiores a R$ 5 mil, considerando todos os tipos de empréstimo, saltou de 10 milhões para 25,7 milhões, porem, segundo a Serasa Experian, esse total pode ser muito maior, já que não considera os cidadãos que não têm conta em banco, o que representa cerca de metade da população brasileira.

- A Petrobras subiu 0,2%, após confirmar que a área de Tupi, no pré-sal da bacia de Santos, tem potencial estimado de até 8bi de barris.
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Política:

Na ultima semana de campanha, o comando das campanhas do PT e do PSDB prepararam superagendas e lutam contra um inimigo comum, a abstenção do eleitor no dia da votação, que pode prejudicar Serra em SP, aonde o eleitor de maior poder aquisitivo pode esticar o feriadão, e pode prejudicar Dilma em todo Brasil, já que na próxima segunda-feira os funcionários públicos não trabalham.

Apesar de ''garantir'' que manterá todos os programas sociais de Lula, Serra entra, na ultima semana de campanha, ''batendo sem dó'' no petista, principalmente ao ressaltar que o Brasil precisa de um governo que tenha caráter, usando como exemplo os seguidos escândalos divulgados pela ''companheira Veja''.

Como última ofensiva para conquistar os eleitores mineiros, o PSDB está fazendo 5 milhões de ligações que, uma gravação da ''voz sedutora'' do senador eleito Aécio, pede votos para o ''companheiro Serra''.

Terceira colocada nas eleições presidenciais e responsável pelo segundo turno, Marina afirmou que decidiu pela neutralidade pois não acredita em ''voto de manada" e ''avisou'' que usará os 2 meses de mandato como senadora para lutar contra a mudança proposta pelo deputado Aldo Rebelo no Código Florestal, que, para ela, anistia desmatadores e legaliza propriedades griladas.
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Crítica:

A elevação sem precedentes da expectativa de vida, que era para ser o maior avanço da história recente da humanidade, se tornou uma dor de cabeça para os governos europeus que, com taxas de natalidade muito baixas, buscam fórmulas mágicas para recriar um sistema de aposentadorias e de contribuição social que seja sustentável já que, pela primeira vez na história do continente, um terço da população estará aposentada e 18% da população já tem mais de 65 anos.
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PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho
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