R.B. 4/JUN/10 ''Míseros US$ 140''

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R.B.

"Míseros US$ 140"

São Paulo, 4 de junho de 2010 (SEXTA-FEIRA).
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Mercados:

HOJE
- A BOVESPA deve subir, ''ajustando-se'' a valorização das commodities e a melhora do ''humor'' nas demais bolsas mundiais durante o feriado no Brasil, para iniciar um movimento de recuperação das perdas acumuladas no ano (-8,1%), que não ''combinam'' com as perspectivas cada dia mais favoráveis para a economia brasileira.
- O DÓLAR pode cair, com ''boas chances'' de romper no curto prazo o ''suporte'' dos R$ 1,80, acompanhando a provável melhora do ''humor'' na Bovespa e nos demais mercados mundiais e ainda influenciado pelo ''crescente e constante'' fluxo positivo de recursos externos.

QUARTA-FEIRA

- BOVESPA 1,8%, abriu ''de lado'', para na mínima recuar -0,2%, porem, com baixo volume de negócios (R$ 4,6bi), logo passou a subir, seguindo a melhora do ''humor'' nas bolsas de NY, já que a ausência de notícias negativas sobre a crise européia abriu espaço para a recuperação dos preços.
- DÓLAR -0,6% à R$ 1,83 já abriu em queda e, acompanhando a tendência internacional da moeda norte-americana, manteve a trajetória descendente ao longo de todo pregão, também influenciado pelo recuo do risco-Brasil (-2.6%).

ONTEM
- Na ÁSIA, sem uma tendência única, JAPÃO 3,0%, a maior alta percentual dos últimos 6 meses e com destaques de alta para as montadoras, como Honda (4,3%) e Toyota (3,6%), CORÉIA 1,9%, impulsionada por compras de investidores estrangeiros e CHINA -0,7%, prejudicadas por ''temores'' de aperto monetário por parte do governo local.
- Na EUROPA, nos maiores patamares em 2 semanas, INGLATERRA 1,2%, FRANÇA 1,6% e ALEMANHA 1,2%, com destaques positivos para ações de companhias de petróleo, diante da valorização dos preços da commodity.
- Nos EUA, em mais um pregão marcado pela volatilidade, S&P 0,4%, DJ 0,1% e NASDAQ 0,9%, impulsionadas pelo avanço de ações do setor tecnológico e diante das expectativas positivas em relação ao relatório sobre o mercado de trabalho local que será divulgado nesta sexta-feira.
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Economia:

Tentando reduzir a pressão para o aumento dos juros, ontem Mantega, uma semana antes da reunião do Copom, afirmou que a economia brasileira tem dado ''sinais importantes'' de desaceleração e já não corre risco de superaquecimento devido a medidas recentes do governo e à crise da União Européia.

Ressaltando que o que vem determinando a recuperação econômica é o mercado interno, principalmente diante da tendência de queda da taxa de desemprego, que está em apenas 6,8% da População Economicamente Ativa, e da expansão do mercado de crédito, que já está em 4,5% do PIB, Nelson Barbosa, ministro interino da Fazenda, afirmou que a economia brasileira crescerá entre 4,5% e 5,5% ao final do ano sem risco inflacionário.

Atingindo uma marca importante e inédito, no dia 1º/JUN/10 as reservas internacionais do Brasil, que no começo do governo Lula estavam em US$ 40bi, ultrapassaram a marca recorde de US$ 250bi, valor quase 25% superior ao registrado há um ano e quase 20% maior do que a dívida externa do país, que aliás agora tem recursos suficientes para, em um momento de crise, emprestar dinheiro para o setor privado e ainda pagar todos os seus compromissos.

Impulsionado principalmente pelas classes D e E, cuja demanda reprimida ainda é enorme, no primeiro trimestre de 2010 o consumo alimentos no Brasil apresentou uma expansão de 20% no volume e de 15% em valor ante igual período de 2009.

Dando novos sinais positivos da economia interna (1) em MAI/10 o índice que avalia o otimismo dos brasileiros teve alta de 1,8% na comparação com ABR/10 (2) em ABR/10 o número de ações judiciais relativas a contratos de locação na cidade de SP teve queda de -9,9% na comparação com o mês anterior e (3) segundo um estudo da Federação do Comércio do Estado de SP, até 2013 o consumo de produtos e serviços nas classes C, D e E deve crescer em um ritmo que é o dobro do esperado para as classes A e B.

- A Petrobrás subiu 1,5%, e ontem, com o pregão fechado, nomeou o Bank of America Merrill Lynch, o Bradesco BBI, o Citi, o Itaú-BBA, o Morgan Stanley e o Santander como coordenadores globais da sua oferta pública de ações que visa a capitalização da companhia para o desenvolvimento do projeto do pré-sal que está em análise no Congresso.
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Política:

Preocupada com a queda de Serra e o crescimento de Dilma nas pesquisas, a cúpula tucana, convocada pelo ex-presidente FHC, se reuniu ontem em SP para pregar uma correção de rumo da sua pré-campanha à Presidência e a definição da vice, que ao que tudo indica será o senador e presidente tucano Sérgio Guerra.

Após rebater Lula, afirmando que o governo federal não dá contrapartida a enorme carga tributária do Brasil, Serra prometeu que, se eleito, vai desonerar itens da cesta básica.

Fazendo a campanha de Serra dizer, com toda a razão, que a Presidência tem usado dinheiro da educação com publicidade para autopromoção, as escolas da rede pública paulista receberam um caderno com propaganda sobre ações do governo federal.

Para não prejudicar ainda mais sua aliança nacional com o PMDB, o comando do PT e a pré-candidata Dilma optaram por enquadrar o ex-prefeito de BH Fernando Pimentel, embora o senador Hélio Costa, do PMDB, esteja praticamente empatado com ele nas pesquisas encomendadas pelos dois partidos sobre a disputa para o governo de MG.
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Crítica:

Tentando melhorar um pouco as precárias e degradantes condições de trabalho dos operários chineses, que aliás tem causado uma crescente onda de suicídios, o governo chinês decidiu aumentar o salário mínimo de Pequim em 20%, para ''míseros US$ 140''.

Finalmente assumindo sua parcela de culpa na atual crise financeira mundial, Raymond McDaniel, presidente da agência de classificação de risco Moody's, admitiu os erros de seu sistema de análise que deu boas qualificações a títulos hipotecários de má qualidade.
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PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho
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