R.B. 18/DEZ/09 ''Ao seu bel-prazer''

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R.B.

"Ao seu bel-prazer"

São Paulo, 18 de dezembro de 2009 (SEXTA-FEIRA).
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Mercados:

HOJE
- A BOVESPA deve subir, recuperando uma parte das perdas acumuladas nos 3 últimos pregões, diante das ''apostas'' de que, com juros baixos e credito farto, a economia brasileira crescerá de forma sustentável em um ritmo de 5% nos próximos anos.
- O DÓLAR pode cair, em um ''ajuste técnico'' após acumular no pregão anterior a maior alta diária desde JUN/09, influenciado pelos mesmos motivos que devem levar à valorização da Bovespa e consequentemente elevar o fluxo positivo de recursos externos.

ONTEM
- BOVESPA -2,3%, já abriu em queda e, acompanhando o ''humor negativo'' das demais bolsas mundiais, manteve a trajetória descendente ao longo de todo pregão, com bom volume de negócios (R$ 7,3bi), também pressionada pelo forte recuo dos preços das commodities.
- DÓLAR 2,3% à R$ 1,79, já abriu em alta e, pressionado pelos mesmos motivos que levaram a queda da Bovespa, manteve a trajetória ascendente ao longo de todo pregão, para fechar o dia no maior patamar desde 29/SET/09, também influenciado pela substancial elevação do risco-Brasil (8,1%).
- Na ÁSIA, realizando lucros, JAPÃO -0,1%, influenciada negativamente por ações de financeiras, como Mitsubishi UFJ Financial Group (-1,3%) e Sumitomo Mitsui Financial Group (-1,5%), que sucumbiram à realização de lucros, CHINA -2,3%, em queda pelo terceiro pregão seguido, ainda com os investidores temerosos sobre o lançamento de 20 IPOs, que por sua vez podem prejudicar a liquidez do mercado e CORÉIA -1,0%, com destaques de queda para as exportadoras Samsung Electronics (-1,9%) e Posco (-1,5%), prejudicadas pela valorização da moeda local sobre o dólar.
- Na EUROPA, prejudicadas pelas crescentes preocupações com relação à Grécia, depois que a agência de classificação S&P rebaixou sua ''nota'' para o país, INGLATERRA -1,9%, FRANÇA -1,2% e ALEMANHA -1,0%, com destaques de queda para ações de bancos e mineradoras, como Lloyds Banking (-8,1%), Credit Agricole (-4,6%), Antofagasta (-4,1%) e Xstrata (-5,2%).
- Nos EUA, em baixa durante todo pregão, S&P -1,2%, DJ -1,3% e NASDAQ -1,2%, prejudicadas por uma série de dados ruins sobre a economia do país, como a elevação acima do esperado dos pedidos de auxílio-desemprego, e pelo fortalecimento da cotação do dólar ante outras moedas, o que derrubou o preço das commodities e pressionou as ações de empresas petrolíferas, mineradoras e siderúrgicas.
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Economia:

Apesar de ressaltar que a recuperação da economia mundial ainda é ''frágil'', já que até agora vem sendo liderada por medidas de bancos centrais e governos, ontem o FMI avaliou que uma volta à recessão é improvável, que levará algum tempo para que isso se traduza em emprego e que é importante que os formuladores de política mantenham uma postura cautelosa.

No mesmo dia em que a agencia de classificação S&P rebaixou sua ''nota'' para a Grécia, a Moody's informou que a América Latina, graças a uma melhor situação macroeconômica e ao fortalecimento dos mercados internos, deixou a recessão no terceiro trimestre de 2009, retornou ao crescimento econômico e crescerá a um ritmo de 4% em 2010.

Confirmando que em 2009, durante a pior crise dos últimos tempos, o Brasil se tornou um ''porto seguro'', nos 11 primeiros meses deste ano (1) os investimentos estrangeiros no mercado financeiro brasileiro somam US$ 43,1bi, contra US$ 4,6bi no mesmo período do ano passado e (2) os investimentos de estrangeiros no setor produtivo atingiram US$ 26,7bi, contra US$ 19,6bi no mesmo período de 2008.

Indicando que a taxa básica de juros não subirá, ao menos no curto prazo, na ata da sua reunião na semana passada, na qual a Selic foi mantida em 8,75%, o Copom afirmou que a economia brasileira está se recuperando, que o impacto disto sobre os preços ainda precisa ser observado, mas que a ociosidade ainda existente e as expectativas de inflação dentro da meta garantem um cenário benigno.

Beneficiando, ''ao seu bel-prazer'', alguns setores da economia enquanto ''se esquece'' de outros, Mantega, ministro da Fazenda, encheu o peito de orgulho para dizer que em 2009 a renúncia fiscal do governo com as medidas anticrise chegam ao patamar recorde de R$ 12bi.

Dando mais 2 ''sólidos sinais'' de controle da inflação, (1) o IGP-10 de NOV/09 apontou deflação de -0,07%, ante uma inflação de 0,07% em OUT/09, acumulando com isto uma baixa de -1,68% nos 11 primeiros meses do ano e (2) o IPC da segunda quadrissemana de NOV/09 ficou em 0,17%, contra 0,20% na primeira quadrissemana de DEZ/09.

- O Fleury disparou 14,1%, começando com o ''pé direito'' seu primeiro dia de negócios na Bovespa.
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Política:

Transformando Serra em vidraça antes do tempo e provavelmente afastando o governador de SP dos votos dos mineiros, Aécio, como finalmente percebeu que não tinha tempo para viabilizar sua candidatura, anunciou que desistiu de tentar disputar a sucessão presidencial de 2010 e provavelmente disputará, e ganhará, uma vaga no senado aonde, como futuro presidente da Casa, se projetará para 2014.

Inimigo declarado de Serra, Ciro Gomes, ao saber da desistência de Aécio de disputar a sucessão presidencial, afirmou que agora sua candidatura à Presidência tornou-se mais que necessária e lamentou o fato de o PSDB ter optado pelo que classificou de "passado", em referência à consolidação da candidatura do governador de SP.

Sem condições de votar nesta reta final dos trabalhos legislativos a proposta de reforma administrativa elaborada pela Diretoria Geral do Senado, a Mesa Diretora aprovou ontem medidas para regularizar a situação de 1.800 servidores da Casa que fizeram empréstimos consignados.

Em clima de ''final de feira'', a bancada governista no Senado sepultou ontem a CPI da Petrobras sem pedir o indiciamento de qualquer dirigente envolvido em denúncias contra a estatal e isentando a empresa de suspeitas como superfaturamento em obras e favorecimento político na distribuição de patrocínios.
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Crítica:

Mesmo com aeroportos super lotados, estradas precárias, poucos hotéis e segurança publica deficitária, o Brasil espera, impulsionado pela realização da Copa do Mundo em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016, aumentar em 304% a entrada de divisas de turistas estrangeiros no país e chegar aos US$ 17,6bi até 2020.
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PAZ, amor e bons negócios;
Alfredo Sequeira Filho
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